Contra denúncia, Temer avalia reforma ministerial

Publicação: 2017-07-16 00:00:00 | Comentários: 0
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Brasília (AE) - O presidente Michel Temer planeja promover uma reforma ministerial em duas etapas para garantir um apoio seguro na votação no plenário da Câmara da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que está marcada para o dia 2 de agosto. As pastas que estão na mira são Cultura, Transparência, Cidades, Secretaria de Governo e Direitos Humanos Os dois primeiros estão vagos e os demais são controlados pelo PSDB.

O recado enviado nos últimos dias aos tucanos é claro: o governo não vai retaliar quem o está apoiando. Se os tucanos não deixarem o governo por iniciativa própria, a permanência na Esplanada dos Ministérios vai depender do volume de votos a favor de Temer dentro bancada, que tem 46 deputados.
Michel Temer poderá manter Aloysio Nunes Ferreira, mesmo com a saída dos demais “tucanos”
Michel Temer poderá manter Aloysio Nunes Ferreira, mesmo com a saída dos demais “tucanos”

O discurso do Palácio do Planalto nesse ponto mudou. Antes da votação da denúncia na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) - onde 5 dos 7 tucanos votaram contra o governo - e do acirramento da divisão interna no PSDB, auxiliares de Temer diziam que a legenda ficaria na administração federal mesmo que votasse em peso contra o governo no plenário.

O primeiro movimento, porém, será negociar com o Centrão, bloco que reúne PP, PR, PSD e PRB, a indicação de um nome do grupo para ocupar a Cultura, uma pasta com poucos recursos, mas muita visibilidade e capilaridade.

A ideia é que o titular da pasta seja anunciado antes do fim do recesso. O novo ministro da Transparência também deve ser escolhido nas próximas duas semanas, mas a decisão nesse caso tende a ser técnica, segundo o governo.

A segunda etapa da reforma deve ocorre depois da votação, e os acordos estarão diretamente condicionados ao nível de fidelidade no plenário. Apesar de ser o partido do presidente, o PMDB reivindica mais espaço no governo e pressiona Temer a redistribuir os cargos do PSDB, que caminha para romper com o governo.

Juntos, o Centrão e o PMDB somam 208 deputados. O presidente precisa de 172 votos para barrar a denúncia. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse, em entrevista à Rádio Gaúcha que é natural que o governo tenha mais consideração com os partidos da base e com aliados mais fiéis, mas descartou no período do recesso uma reforma ministerial.

Já o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), um dos líderes da tropa de choque de Temer na Câmara, reconhece que a reforma acontecerá, e logo. "Desde que me entendo por gente, o governo faz reforma ministerial ou por desempenho ou para ajustes na base. E isso sempre acontece quando se completa um ano de gestão ".

Dos quatro ministérios ocupados atualmente pelo PSDB, o mais cobiçado pela base aliada é Cidades, pasta comandada por Bruno Araújo (PE). Se o PSDB votar em peso contra o governo em plenário, esse seria o primeiro foco da segunda etapa da reforma.

De acordo com interlocutores tucanos com trânsito no gabinete presidencial, Temer gostaria de manter Aloysio Nunes Ferreira nas Relações Exteriores em qualquer cenário, mesmo que fosse em sua cota pessoal da Esplanada.

Presidente tenta mobilizar os aliados


Brasília (AE) - Após contabilizar os votos necessários para barrar a denúncia contra o presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, o governo passou a concentrar esforços para garantir a vitória no plenário. O principal desafio agora é mobilizar os deputados para que eles compareçam à sessão de votação. Pelo cronograma do Palácio do Planalto, a denúncia deve ser votada no plenário na sexta-feira ou, no máximo, na próxima segunda-feira.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), no entanto, já anunciou que só vai abrir a votação se pelo menos 342 deputados marcarem presença no plenário. Para a denúncia ser aceita, é necessário no mínimo aprovação por 342 votos.

A sessão está marcada para ter início às 9h. "Espero que no dia 2 e agosto à noite a gente possa ter esse asusnto encerrado", disse o presidente. Maia explicou ainda que, antes da votação, deverão ser dados 25 minutos para que o relator do parecer e a defesa do presidente exponham seus argumentos novamente.

O presidente Michel Temer tem coordenado pessoalmente a articulação para derrubar a denúncia que paira sobre ele sob acusação de corrupção passiva com base na delação do empresário Joesley Batista, da JBS.

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