Coordenador de Informações Estatísticas e Análises Criminais da Sesed será exonerado

Publicação: 2016-07-06 16:47:00
O especialista em segurança pública, Ivênio Hermes, deixará a Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (COINE) da Secretaria do Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed) no fim deste mês de julho, cargo que ocupa desde o começo de 2015, quando foi nomeado pela então titular da pasta, a delegada Kalina Leite. Em texto publicado em seu blog, Ivênio afirma que foi comunicado sobre a exoneração no dia 30 de junho em conversa com o atual secretário de Segurança, Ronaldo Lundgren.

“Como ainda tenho trinta dias de férias não gozadas, fui instruído a usufruir dessas férias, sendo que no final desse período será publicado o ato de exoneração no Diário Oficial", explicou Ivênio. Segundo ele, a saída do cargo tem a sensação de “dever dever cumprido, de ter contribuído para modificar a estrutura da construção do conhecimento com o uso de uma metodologia própria baseada em pesquisa científica”.
Ivênio estava no governo desde o começo de 2015
Em seu último relatório da  Câmara Técnica de Mapeamento de Crimes Violentos Letais Intencionais, que a TRIBUNA DO NORTE teve acesso no domingo (3), Ivênio afirma que a violência que assusta o Rio Grande do Norte é "alimentada por inúmeras ausências que dinamizam a criminalidade, pois se originam nas ausências de políticas sociais até no paradigma falido de se formatar políticas de segurança como uma guerra".

No primeiro semestre deste ano, os homicídios cresceram 24,2% no Rio Grande do Norte. Somente em junho, foram 179 crimes violentos tabulados pela Sesed. O coordenador detalhou, ainda, que "a violência homicida continuava pulsando dentro dos presídios, se apresentava em mortes de detentos, em fugas, em guerras de facções e se consolidava do lado de fora onde achava o solo fértil nos canteiros das lacunas deixadas pelas ações sociais. As organizações criminosas cobrando suas dívidas, disputando territórios para suas ações, aliciando mais e mais pessoas e contratando a morte de desafetos. Tudo apontando para uma explosão de ações criminosas".

Ao final do documento confeccionado pela Câmara Técnica, o coordenador Ivênio Hermes deixou os seguintes questionamentos ao membros da Sesed e à sociedade: "Onde erramos? Onde continuamos a errar? O que podemos fazer para mudar?". Escreveu, ao final do relatório, que "o tempo para refletir já tivemos, é hora de a sociedade potiguar dar as mãos no maior e mais amplo sentido de integração, de produzir críticas construtivas e construir ações junto com as forças de segurança, todas elas, incluindo as guardas municipais, para apaziguarmos nossa terra e voltarmos a poupar vidas".

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