Copa do México, 50 anos

Publicação: 2020-06-05 00:00:00
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com 

Está fazendo cinquenta junhos. Em 1970, o mês das fogueiras antecipou os fogos no terceiro dia, quando a seleção brasileira estreou na Copa do Mundo contra a seleção da Tchecoslováquia. A Tribuna do Norte circulou naquele dia 3, uma quarta-feira, com mais da metade da capa dedicada à estreia da canarinho. Na manchete, “Brasil joga hoje na Copa”, acompanhada da ilustração de uma formiga carregando uma enorme bola com gomos negros.

Numa outra manchete, no rodapé da página, a notícia parecia um aviso: “Médici sexta em Natal”. Muitos da minha geração lembram de quase tudo naquele primeiro jogo do time de Pelé, Tostão e Rivelino; poucos – eu creio – lembram que naquela semana o general-presidente esteve em nossa cidade; um fato que morreu no tempo. O que se mantém vivo na nossa memória é o clima de celebração esportiva misturado com sentimento cívico. Todos juntos.

Lembro que a transmissão começava pela hora do almoço em diante e que no quarteirão da casa dos meus pais, nas Quintas, existiam apenas três aparelhos de televisão, e um deles era o “televisinho” na casa do professor “Seu Daniel”.

Os garotos da turma acordaram mais cedo naquela manhã e já entraram no ritmo da Copa, colando e trocando as figurinhas do álbum, jogando futebol de caixinhas de fósforos e suas fotos recortadas da saudosa Revista do Esporte.

As ruas atravessadas no ar por bandeirinhas juninas em verde e amarelo, pôsteres da seleção nas paredes das mercearias, armarinhos e barbearias, as rádios AM repetiam o jingle de Miguel Gustavo, naquele Brasil de 90 milhões.

Cada rua, cada bairro do País era um microcosmo do universo nacional em alegria e empolgação. Era a tal corrente pra frente, a nação inteira de mãos dadas, como na canção que se tornou hino da epopeia que se iniciava ali.

Nelson Motta testemunhou o clima transportado para a cidade do México, como disse na antologia “Todos Juntos, Vamos” (2002): “A torcida arrebentava nas ruas, Wilson Simonal superlotava os maiores e mais luxuosos night clubs”.

Em Natal, Agnelo Alves antecipou em 50 anos o lance do “triplex”, autorizando Ailson Bonifácio a instalar um “gato” para a Rádio Cabugi falar ao vivo com a equipe da Globo no Rio e no México. E montou o esquema também em casa.

Minhas brincadeiras encerraram antes do meio-dia, tomei um banho e entrei na casa do bom vizinho saltando o muro que separava nossos quintais. Me instalei no chão de frente pra TV Philco, encostado no sofá que se apinhou de adultos.

Aglomeração na sala e na calçada, corpos colados na porta e cabeças imprensadas na janela. Nas calçadas vizinhas, gente tomando cerveja Astra e aguardente Caranguejo, atentos ao volume total dos rádios e dos moto-rádios.

O primeiro gol tcheco do camisa 7 Petras nos petrificou, principalmente os mais velhos que ainda guardavam resquícios emocionais do fiasco na Copa anterior na Inglaterra. Outra coisa que nos assustou foi o cara se persignar ajoelhado.

É que antes, o rei Pelé perdeu um gol quase feito e alguém falou o chavão “quem não faz toma”, a eterna maldição provavelmente confirmada no sinal da cruz do jogador de um país com ditadura atéia. Mas o bom sinal viria a seguir.

Rivelino soltou um canhão sobre a barreira tcheca, empatou o jogo, e o baile começou pra valer, com os maestros Pelé, Gerson e Tostão regendo a ópera para a dança do primeiro bailarino Jairzinho, que fez dois gols na vitória.

Os 4 x 1 (Pelé fez o dele) provocou carnaval no País inteiro e na ladeirinha da minha casa. A tarde entrou pela noite, pela madrugada, e ao raiar da quinta-feira, a Tribuna saiu às ruas com a capa “Brasil 4 x 1 Espetacular”. Faz 50 anos e parece que foi anteontem.

Créditos: Divulgação


Tragédia
Eu antecipei o fato duas semanas atrás. E ontem, a falta de remédios para reanimar e entubar pacientes de coronavírus e de outras doenças foi destaque no Estadão em matéria de meia página assinada por Fabiana Cambricoli.

Efeitos
Multiplicam-se os depoimentos de psicólogos e psiquiatras sobre os efeitos psíquicos da pandemia. Gente angustiada, aflita, insegura, em pânico. E aumentam também os pseudosintomas da Covid-19, por danos emocionais. 

Huck falou
Luciano Huck resolveu comentar sobre a realidade da segunda onda da crise. Disse no Twitter: “A fome está chegando antes da doença. Não é hora de guerra política. Isso não é um tuíte com qualquer verniz ideológico. É fato”.

Parceria
Após conversa com o embaixador americano, Rogério Marinho afirmou que “os EUA podem ajudar no compartilhamento de experiências na revitalização do Rio Colorado e na transposição de água para a região central da Califórnia”.

Lives
Aquartelado em São Paulo, Heraldo Palmeira lança dia 8, o projeto Alameda Lives, transmitindo ao vivo semanalmente um bom papo a três sobre diversos temas. Ao vivo no YouTube, Instagram, Facebook e Linkedln. Segunda, 17h.

Etc e Tal
Sexta-feira com boa opção de som no YouTube e Instagram. Hoje vai rolar às  20h a live da banda mineira (Juiz de Fora) ETC, que tem uma pegada a la Skank e Charlie Brown Jr. Os garotos venceram um festival pop em Portugal.

Demitido 
Depois de receber o boné na da Rede Globo, o pascácio Zé de Abreu fantasiou o fim do prestígio dizendo que vai procurar trabalho na Europa. Como por lá há um grande mercado de filme pornô, poderia pegar dicas com Alexandre Frota.







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