Economia
Copom aumenta Selic para 6,25% e prevê outro ajuste de 1 ponto percentual em outubro
Publicado: 00:00:00 - 23/09/2021 Atualizado: 22:16:24 - 22/09/2021
Com a inflação rondando os dois dígitos no acumulado dos últimos 12 meses, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aprovou nesta quarta-feira (22) novo aumento de 1 ponto porcentual para a Selic, que passou de 5,25% para 6,25% ao ano. Com a decisão, a taxa básica de juros está agora no seu maior patamar desde agosto de 2019, quando a taxa estava em 6%, e está no maior nível em dois anos, superando o patamar de julho de 2019 - antes da pandemia de covid-19. 

Rafael Ribeiro/bcb
Presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou ontem que irá levar a Selic até onde for necessário para combater a inflação

Presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou ontem que irá levar a Selic até onde for necessário para combater a inflação


De agosto do ano passado a março deste ano, a taxa se manteve no mínimo histórico de 2% ao ano. A partir daí, o Banco Central recomeçou a elevar a Selic, numa tentativa de controlar a inflação. Foi o quinto aumento consecutivo dos juros e o segundo em sequência na casa de 1 ponto porcentual, após três altas iniciais de 0,75 ponto. Em comunicado divulgado depois da reunião, o Copom já adiantou que deve manter o mesmo ritmo de ajuste no seu próximo encontro, marcado para 26 e 27 de outubro.

Nos últimos meses, a inflação medida pelo IPCA vem subindo em razão, principalmente, do aumento dos preços de energia, dos combustíveis e dos alimentos. Com isso, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 9,68%. O mercado estima que a inflação termine o ano em 8,3%, segundo o último Boletim Focus, bem acima do teto da meta que deve ser perseguida pelo BC - de 5,25%. Com base nesse cenário, antes da reunião desta quarta diversos economistas chegaram a apostar em uma alta ainda maior da Selic, acima de 1 ponto.

O aumento das taxas de juros neste momento indica um esforço do governo para levar a inflação para a meta no ano que vem, que é de 3,5% (com intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo). No comunicado, o Copom reforçou declaração do presidente do BC, Roberto Campos Neto, de que irá levar a Selic até onde for necessário para combater a inflação. "Neste momento, o cenário básico e o balanço de riscos do Copom indicam ser apropriado que o ciclo de aperto monetário avance no território contracionista", disse ele.

Para o economista-chefe da Guide Investimentos, João Mauricio Rosal, o comunicado do Copom mostrou uma liderança firme de Campos Neto dentro do comitê para definir a estratégia da política monetária. Ainda assim, ele destacou que "não está escrito na pedra" que o passo de 1 ponto de alta de juros seguirá indefinidamente. "Há possibilidade de o Copom rever o ritmo a partir das informações que chegarem", disse.

Já o economista-chefe do banco Original, Marcos Caruso, afirmou que o comunicado do Copom não reforça o cenário mais drástico de aumento da taxa de juros para um patamar acima de 9% ao ano. Segundo ele, o BC demonstra que precisa de mais informações para definir uma possível extensão do ciclo de alta da Selic. "Existe uma recuperação contratada (da economia) para este ano. Mas as últimas projeções passaram a ter crescimento menor (do PIB) para o ano que vem. O BC quer entender o quão consistente no tempo é essa recuperação econômica", disse. 

No comunicado desta quarta, o BC também atualizou suas projeções para a inflação. No cenário básico, o BC alterou a projeção do IPCA de 2021 de 6,5% para 8,5%. No caso de 2022, a expectativa foi de 3,5% para 3,7%. Neste cenário, a autarquia ainda atualizou as projeções para a inflação dos produtos com preços administrados (como energia e combustíveis), de alta de 10% para 13,7% em 2021 e de 4,6% para 4,2% em 2022. (Colaboraram Thaís Barcellos e Bárbara Nascimento)

Brasil volta a ter segundo juro real mais alto do mundo
Com os cinco últimos aumentos da Selic, o Brasil voltou a registrar uma das maiores taxas de juros reais (descontada a inflação) do mundo. Cálculos do site MoneYou e da gestora Infinity Asset Management indicam que o juro real brasileiro está agora em 3,34% ao ano.  O País tem o segundo juro real mais alto do mundo, considerando as 40 economias mais relevantes. Atualmente, o País só registra uma taxa real inferior à da Turquia (+4,96%). A taxa real média desses 40 países está em -1,36%.

Mas o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, arrefeceu as expectativas de um aperto maior na Selic ao afirmar que a autoridade monetária não vai alterar seu "plano de voo" a cada número de alta frequência da inflação.

O Copom fixa a taxa básica de juros com base no sistema de metas de inflação. Neste ano, a meta central é de 3,75%, mas o IPCA, a inflação oficial do País, pode ficar entre 2,25% a 5,25% sem que a meta seja formalmente descumprida. Em agosto, o IPCA ficou em 0,87%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E no acumulado em 12 meses chegou a 9,68%. O resultado, puxado pela disparada nos preços da gasolina e dos alimentos, foi o maior para um mês de agosto em 21 anos.  

O aumento do juro básico se reflete em taxas bancárias mais elevadas, embora haja uma defasagem entre a decisão do BC e o encarecimento do crédito (entre seis e nove meses). A elevação da taxa de juros também influencia negativamente o consumo e os investimentos produtivos.

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