Cordel dá vida a praça

Publicação: 2017-06-02 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Foi com o intuito de agregar na propagação da cultura popular que um grupo de cordelistas potiguares se uniu para criar a Estação do Cordel, espaço cultural dedicado ao tema, inaugurado em março deste ano, na Cidade Alta. Além da promoção de ações regulares e comercialização de publicações, o grupo está engajado em outra missão: revitalizar a tradicional Praça Padre João Maria, localizada em frente ao espaço.

A ideia de criar a Estação do Cordel surgiu dentro do Círculo Natalense do Cordel, evento de ampla programação sobre a cultura popular nordestina, cuja primeira edição aconteceu em novembro do ano passado, na Pinacoteca. Do Círculo, as cordelistas Tonha Mota, Cláudia Borges, o artista visual Braga Santos, o pesquisador do cangaço Carlos Alberto e o sociólogo Nando Poeta tomaram a frente para abrir o espaço. Mas muitos outros interessados pela literatura do cordel participam das ações da Estação e colaboram na condição de associados. “Estamos caminhando para transforma isso aqui na Associação Cultural Estação do Cordel”, diz Tonha Mota.

A Estação do Cordel ocupa um imóvel de frente à praça Padre João Maria. O local tem sido ponto de encontro de poetas, músicos e interessados em cultura popular
A Estação do Cordel ocupa um imóvel de frente à praça Padre João Maria. O local tem sido ponto de encontro de poetas, músicos e interessados em cultura popular

A cordelista explica que a Estação do Cordel vem a somar com a Casa do Cordel (rua Vigário Bartolomeu, 578, Cidade Alta) na necessária tarefa de valorização da cultura popular. “Queremos agregar outras ideias, projetos, trazer pesquisadores de outros estados, abrir para mais artistas e escolas. Somos mais um ponto na Cidade Alta para fortalecer o cordel”, conta Tonha.

Quem visita a Estação do Cordel encontra cordéis de potiguares e de vários poetas nordestinos, desde folhetos com impressão moderna, colorida, até os clássicos, como os do paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918), pioneiro da literatura de cordel. Há também peças de antiquário, pinturas, mosaicos, xilogravuras, documentários, discos de repentistas, camisas, livros sobre cangaço, história do RN e antologias de poetas. A Estação do Cordel funciona de segunda à sexta, das 10h às 17h. Mas no último sábado do mês, os cordelistas promovem um sarau com música, bate papos e lançamento de livros.

Saraus
Além dos saraus, em três meses de atuação a Estação também já promoveu palestras com estudantes, apresentações de cantadores, repentistas e rabequeiros. Até videoclipe, do músico Carlos Zens, já foi gravado no lugar. “É nosso interesse ser esse local aberto para propostas de artistas”, afirma  Braga Santos, anunciando que em breve devem ser promovidas oficinas de cordel também. “Lucro a gente não tem. Estamos nessa pelo prazer de trabalhar com a cultura popular. Queremos resgatar e passar para frente a memória do povo”.

Praça Padre João Maria
As ações promovidas pela Estação do Cordel acontecem sempre na Praça Padre João Maria, bem em frente ao imóvel. De acordo com Tonha, é objetivo do grupo ocupar a praça com programação cultural. “A Praça João Maria é um ponto estratégico no corredor cultural da Cidade Alta. Muitas pessoas passam por aqui, inclusive turistas em busca de conhecer o Centro Histórico. É importante que o espaço seja preservado para dar mais vida a região”, comenta a cordelista.

“Quando abrimos a Estação do Cordel encontramos a praça em estado deplorável. Estava cheia de entulhos, algumas barracas de artesanato tinham desmoronado. Sem falar do piso cheio de buracos. Já tivemos que acudir uma senhora que caiu ao machucar a perna nos desníveis”, reclama Tonha. Preocupados em dar vida a praça, o grupo de cordelistas do Estação encampou o movimento “Salve a Praça”. Eles estão coletando assinaturas para levar aos órgãos responsáveis pela conservação do lugar. “Precisamos sensibilizar a Prefeitura para que ela revitalize a praça”, diz Braga.

Além das assinaturas e da programação cultural, o grupo pretende aproveitar o período junino para promover um arraiá na Praça. A data já está marcada, dias 17 e18 de junho, das 16h às 22h. “Será aberto para todos, de graça. Vamos dar um trato na praça para receber as pessoas, botar um trio pé-de-serra para tocar. Também estamos combinando com os ambulantes da região para venderem milho cozido, pipoca e outras comidas”, explica Tonha. No final do mês, em data ainda a ser confirmada, será promovido bate papo com estudiosos sobre o tema Racismo no Cordel. As informações serão detalhadas em breve, pela página da Estação do Cordel no Facebook.

A Praça Centenária
A praça Padre João Maria foi instituída em 1905. Antes era chamada de praça da Alegria e sobreviveu muitos anos até que, em  1905, pela Resolução nº 105, o prefeito de Natal, o Intendente Joaquim Teixeira de Moura, estabeleceu que a partir daquela data se denominaria Praça Padre João Maria, homenageando àquele que é considerado o Santo Vigário de Natal. Em  1919 foi inaugurado na praça o busto  do padre João Maria. Feito em bronze pelo escultor Hostílio Dantas,   foi originalmente colocado sobre um pedestal de granito, com altura de 4 metros, feito por Miguel Micussi. Posteriormente foi colocado um gradil de ferro, confeccionado pela professora Joana Bessa, circundando o busto.  Até os anos 1980, a praça tinha o clássico gradil no seu entorno, delimitando o espaço.

Serviço
Estação do Cordel. Rua João Pessoa, 58, Cidade Alta (em frente a Praça Padre João Maria). Segunda a sexta-feira, das 10h às 17h. Saraus aos sábado e festa junina na praça, dias 17 e 18.

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