Coronavírus: o respirar econômico no Brasil

Publicação: 2020-03-14 00:00:00
Marcus Demétrios Garcia Fonsêca  
Especialista em Gestão de Políticas Públicas

A ciência no seu ramo da biologia ainda tem muito o que investigar a fim de combater a pandemia do novo coronavírus, a inexatidão no tratamento e procedimentos em terras brasileiras não diferi-se do mundo. O êxito da equipe de pesquisadoras liderados pela médica Ester Sabino, da Universidade de São Paulo, que sequenciou o genoma do COVID-19,  coloca o Brasil em um patamar da respeitabilidade perante a comunidade científica do mundo.

Como toda pandemia, o novo inimigo está longe de afetar uma política pública específica, é uma agenda transversal. As perdas econômicas devem chegar a US$ 1 trilhão à economia do globo só nesse ano, como prevê a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Conquanto, a ciência econômica não joga luz no obscurantismo que tem vagado a combalida economia brasílica. Envolto às suas já conhecidas mazelas, como a alta concentração de renda, endividamento interno, baixo crescimento, para citar algumas, a tão disseminada retomada do crescimento, encontrou um vírus pelo ar, e seu condutor, Paulo Guedes, parece não ter a resposta para essa demanda: que caminho percorrer para superar este surto?

Ora, o super-ministro é abertamente um sectário da Escola de Chicago que se associa a teoria neoclássica da formação de preços e ao liberalismo econômico, contrapondo ao keynesianismo que se alicerça em um Estado como agente corretor das distorções e anomalias. Os ideais de John Keynes que tiraram as economias da óbice que se encravaram, apresentado ao mundo por Franklin Delano Roosevelt, 32º Presidente dos Estados Unidos, pós a grande depressão das bolsas de valores no ano de 1929, conhecido por New Deal, é uma bússola para o marinheiro de primeira viagem em finanças públicas. Sua equipe econômica poderia por Medida Provisória, suspender a Emenda Constitucional do Teto dos Gastos Públicos, direcionando parte do orçamento para a conclusão das obras paradas de unidades ambulatoriais, fim das barreiras econômicas para medicamentos e equipamentos ambulatoriais que atravessam a alfândega e a criação e execução de um Programa de ampliação do saneamento básico no Brasil com recursos dos fundos de investimentos. 

O remédio é bem diferente do que o ministro vem aplicando em doses altas para agradar o mercado, mas agora, o próprio mercado financeiro precisa se convencer que estamos diante de um diagnóstico letal. Com essas medidas Paulo Guedes entrega ao Brasil sua alta, livrando-o do colapso que se avizinha nos corredores hospitalares e no mercado financeiro.