Corpos são transferidos de cemitério histórico

Publicação: 2010-09-19 00:00:00 | Comentários: 4
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Emoção. Esse foi o sentimento que marcou a cerimônia de remoção dos restos mortais dos 170 corpos que estavam enterrados no cemitério de Baía Formosa, na manhã de ontem. Dezenas de famílias compareceram ao local para prestar homenagem aos seus entes queridos, muitos deles falecidos e enterrados há mais de um século.

Segundo populares, o Cemitério da Praia de Santa Cruz das Areias foi construído logo após a fundação da vila de pescadores, em 1612. Os funerais eram realizados próximos a praia. Era preciso esperar que a maré baixasse para dá passagem ao cortejo. Como não havia caixões, os corpos eram levados e transportados em redes.

“Estou muito emocionada porque o corpo do meu tio estava enterrado aqui. Já faz tanto tempo que nem sei mais onde local exato do sepultamento. Como não encontrei as ossadas vou levar um pouco de areia do cemitério para representar o corpo dele que foi um homem tão bom”, disse a aposentada Maria Duarte Ribeiro, de 68 anos.

Um ato ecumênico, celebrado por um pastor da Assembleia de Deus e por um padre da Igreja Católica marcou o início da remoção dos restos mortais.

“Tenho um irmão e um avô enterrado aqui e o sonho da minha mãe era poder levá-los para outro cemitério porque esse é muito distante da cidade e com o acesso ruim. Nós não tínhamos condições de para por isso, da uma vez que soube custava uns R$100,00. Hoje eu estou muito feliz por está realizando o sonho da minha mãe, que também já morreu”, disse a funcionária pública Márcia Regina da Costa.

A remoção dos restos mortais foi autorizada depois de  uma longa tramitação, que começou em 2004 quando o então prefeito vendeu um terreno de 20,5 hectares, onde está localizado o cemitério, para o grupo B.F Investimentos Turísticos e Imobiliários LTDA.

Em 2005 foi autorizada a desocupação do terreno, mas não foi possível em virtude de problemas administrativos.

No ano passado durante uma audiência pública, as famílias autorizaram a retiradas dos restos mortais de seus parentes. A nova morada dos 170 mortos -enterrados até 1980 quando foi proibido o sepultamento no antigo cemitério – é o Cemitério Parque construído pela Prefeitura de Baía Formosa.

“Cada uma das famílias receberam um jazigo com duas gavetas cada um. O cemitério tem capacidade para mais de 170 corpos. A Prefeitura gastou cerca de R$70 mil e o grupo português também ajudou na construção”, disse o prefeito Nivaldo Melo.

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Comentários

  • ryykka

    PARABÉNS...mais uma vez o prefeito NIVALDO MELO, demostrou atitude em realizar a remoção dos \\\"corpos\\\" de uma forma digna e sincera, de acordo como a lei exige, coisa que nem uma gestão politica que já passou em BF (Samuel e Zé parrudo) teve iniciativa de realizar.Portanto, vale ressaltar que em 1 ano e 9 meses de administração o atual prefeito vem desenvolvendo cada dia programas em prol da comunidade em geral, como é o caso do saneamento básico, o Sopão, à construção de casas, à reforma do hospital, em fim , diversas obras para o bem da cidade.Valew Nivaldo Melo, homem que trabalha em prol do POVO de uma forma transparente!!!

  • carloseufrasio305

    Infelizmente, nem enterrados, os mortos têm sossêgo. Dado a especulação imobiliária que à todos compra, dessa vez, até um cemitério com mais de tres séculos de construído, fora vendido. Como todos sabemos, todo o litoral do estado, digo, da Praia de Sagí/RN, à Diogo Lopes/RN, vem sendo estas, ocupadas por \"gringos\". Se conta nos dedos, as praias do estado, onde nestas, ainda possa encontrar nativos. Os \"gringos\", estão comprando toda a extensão litorânea do nosso estado. À continuar assim, é provável, que, em pouco tempo, estejamos sendo novamente, colonizados por essa gente. Como disse, é difícil chegar à algumas de nossas (?) praias, e não ter nestas, marcas da colonização do povo europeu, em nosso estado. Há, quem diga, que um grupo de gringos, outro dia, quiz comprar toda a área da Praia de Cotovelo, inclusive, a barreira do Inferno, e, no entanto, como resposta, ouviram, um não. Creio, que talvez, seja ela, a única praia, a não se desfazer por completo, de toda sua extensão de área, entre elas, a verde. No caso específico, que trata esta, da Praia de Baía Formosa/RN, é bom averiguar, quem, esteja por trás dessa rica transação. Há, quem diga, que o atual prefeito, empresário que é, dono ele, de pousadas, hotéis, fazendas, engenhos, entre outros bens, possa ser, um dos prováveis compradores/sócios, desse rico negócio. Pelo menos, é o que muitos disseram à respeito do atual prefeito. Segundo dizem, os europeus que compraram o tal cemitério, irá construir um complexo hoteleiro, e de lazer, porém, mantendo no interior deste, um espaço resevado à memória dos que foram sepultados neste. Talvez, quem sabe, queiram, estes, dar, ao tal complexo, um nome muito sugestivo: Complexo turístico, empresarial, desportivo e cultural \"DESCANSO DOS MORTOS DE BAÍA FORMOSA/RN\". Interessante, no meio de tudo isso, é que nenhuma instituição, entidade governamental, se pronunciou, acerca da decisão tomada pelo prefeito do município, à respeito do terreno do cemitério. Creio, que, o volume de dinheiro é tamanho, que fez calar a boca de muita gente. Será??? E aí eu pergunto: Será, que o IPHAN, MPU, CREA, OAB, e demais instituições, vinham acompanhando essa questão, até o seu desfecho? Bom, de qualquer forma, fica aquí, a minha preocupação, com a ocupação de nossas áreas, particularmente, a litorânea, em nosso estado, e da forma como vêm estas ocorrendo, particularmente, pelos \"gringos\". CARLOS EUFRÁSIO - Natal/RN; Servidor Técnico da UFRN; Graduado em Gestão Pública, pela UFRN; Artista-Plástico; Poeta; Fotógrafo Documentarista; ex- Dirigente Sindical, Ativista e Militante Sindical.

  • Kurynga.31

    coisas do Brasil,a coisa mais estranha disso tudo é um prefeito vender um terreno público pra um empreendimento particular.que a terra lhe seja leve...

  • jovinatal

    Nem os mortos têm direito a descansar em paz. Esse é o retrato de um país que não valoriza a história do próprio povo. Parabéns. Mais uma vez vendemos nossos valores culturais, históricos e sociais para colonizadores. Quem nasceu pra ser colônia não pode evoluir mesmo. Podem até dizer \"São só corpos, que se dane, teremos empregos, desenvolvimento turístico\". Mas tudo começa assim, é um cemitério aqui, uma comunidade ali, outra cidade interia lá. Para que apenas alguns usufruam dos lucros e grande parte tenha que mudar até os seus mortos de lugar.