Corrupção e mau uso do dinheiro público puxam avaliação ruim

Publicação: 2017-06-18 00:00:00 | Comentários: 0
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Os escândalos de corrupção e as notícias sobre o mau uso de dinheiro público são a principal causa da má avaliação da economia pelo consumidor brasileiro. De acordo com o Indicador de Confiança do Consumidor (ICC) apurado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 48% dos brasileiros que classificam o atual momento econômico de forma negativa atribuem esse sentimento à corrupção e ao desperdício de dinheiro público.
Carteira de trabalho
De forma geral, 82% dos consumidores entrevistados acreditam que a economia não está em boas condições, contra 2% dos que consideram o quadro positivo. Para 15% a situação é regular. Além dos desvios de dinheiro público, outros fatores têm impactado no humor desses brasileiros, como desemprego (27%), aumento dos preços (13%) e juros elevados (5%).

O Indicador de Confiança do Consumidor, que avalia a percepção atual e as expectativas, apresentou 41,5 pontos em maio, mantendo-se praticamente estável se comparado a abril, quando estava em 40,5 pontos. A escala do indicador varia de zero a 100, sendo que abaixo de 50,0 pontos significa um predomínio da percepção negativa tanto com relação à economia como das finanças pessoais.

O levantamento revela ainda que a percepção de deterioração da economia do país é mais acentuada que do na vida pessoal dos entrevistados. Quando a análise se detém a performance da economia brasileira, o indicador marcou 19,6 pontos na escala. Já quando se leva em consideração somente o quesito finanças pessoais, a pontuação foi de 38,8 pontos. “As melhoras pontuais na economia ainda não se refletiram no dia a dia do consumidor. Isso porque o desemprego e os juros permanecem altos e a queda da inflação ainda não se traduziu em ganho efetivo do poder de compra”, explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Atualmente, 12% avaliam a própria vida financeira de forma positiva. A maioria (44%) acredita que ela se encontra em uma situação ruim, ao passo que 42% a consideram regular. Os principais motivos para o predomínio da percepção negativa são o orçamento apertado e a dificuldades para pagar as contas (39%), desemprego (36%), redução da renda (13%) e a perda do controle financeiro (4%).

Custo de vida pesa mais, diz pesquisa

Para metade (50%) dos entrevistados o elevado custo de vida é o fator que mais tem pesado na vida financeira familiar, sendo que 78% notaram aumento de preços nos supermercados. Para 69%, também aumentou o preço da energia elétrica. “Apesar do recuo da inflação nos últimos meses, a alta dos preços foi muito acentuada nos últimos anos e esses efeitos ainda são sentidos até hoje. Mesmo com a inflação crescendo em patamares moderados, para que haja uma recuperação do poder de compra é preciso que a renda do brasileiro volte a crescer, fato que ainda não aconteceu”, explica a economista Marcela Kawauti.

O desemprego também se destaca entre os fatores que mais pesam na vida financeira familiar sendo mencionado por 22% da amostra. Aparecem em seguida, o endividamento (15%) e a queda dos rendimentos mensais (8%). O medo de ser demitido é um receio que assusta 33% dos trabalhadores, sendo que para 8% deles o risco de serem dispensados por seus empregadores é alto. Para 25%, o risco é médio e, para outros 25%, a probabilidade é baixa. Em termos percentuais, 19% dos consumidores se dizem otimistas com o futuro da economia do país contra 41% que se declaram pessimistas. A maioria (45%) dos otimistas, contudo, não sabe apontar as razões desse sentimento.

Metodologia

Foram entrevistados 801 consumidores, a respeito de quatro questões principais: 1) a avaliação dos consumidores sobre o momento atual da economia; 2) a avaliação sobre a própria vida financeira; 3) a percepção sobre o futuro da economia e 4) a percepção sobre o futuro da própria vida financeira. O Indicador e suas aberturas mostram que há confiança quando os pontos estiverem acima do nível neutro de 50 pontos. Quando o indicador vier abaixo de 50, indica falta de confiança.

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