Corte de subsídio eleva preço do milho

Publicação: 2018-11-09 00:00:00 | Comentários: 0
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Com o fim da subvenção do milho, em vigor desde a publicação de decreto pelo Ministério da Agricultura, no dia 31 de outubro, os pequenos pecuaristas nordestinos devem sofrer, nos próximos meses, o impacto do fim da política que permitia a esses mesmos produtores terem acesso aos estoques de milho do Governo a preços compatíveis com os do mercado local. A saca de milho de 60 kg, que estava sendo comercializada a R$ 33 graças à subvenção, agora passa a custar R$ 51,66 no Rio Grande do Norte.

De acordo com a Conab, Nordeste sofrerá mais com o fim do subsídio ao milho, por ser mais distante dos centros produtores
De acordo com a Conab, Nordeste sofrerá mais com o fim do subsídio ao milho, por ser mais distante dos centros produtores

Há sete anos vivendo uma das maiores secas de sua história, a pecuária potiguar deverá sofrer com a medida, já que o milho é utilizado como ração na criação de animais. O subsídio era uma alternativa para tentar garantir a sobrevivência dos pequenos produtores. O impacto porém não será sentido apenas pelos pecuaristas: de acordo com o superintendente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no RN, Boris Minora, os preços de produtos como carnes e laticínios deve aumentar também para o consumidor final.

“O impacto vai ser muito grande. Se pegarmos o histórico desse programa para o Rio Grande do Norte, no primeiro semestre, que ainda abrange o período de chuvas e há a pastagem, comercializamos 33% do total do ano. No segundo semestre, que é quando a seca “bate mais” (apesar de estamos vivendo uma seca há 7 anos), nós comercializamos 77%. Isso vai encarecer muito tudo que é produzido aqui: carne, leite, ovos... Todo o produto vai aumentar em função do preço da ração, que subiu”, explica Minora.

Um dos principais fatores que coloca o Nordeste como uma das regiões mais afetadas pelo fim da subvenção é a distância de seus Estados, como o RN, dos grandes produtores de milho do país. “No Rio Grande do Sul, por exemplo, que está mais próximo dos locais onde há produção, o preço é bem menor”, completa o superintendente. O motivo é, principalmente, o valor do frete, que acaba encarecendo muito o produto final que chega à região.

“Não é que a subvenção foi retirada para o Nordeste, ela foi retirada para todo o Brasil, mas o impacto será maior no Nordeste, porque muitos estados estão longe dos produtores. Há casos como o Maranhão, por exemplo, que conseguem vender a um preço baixo porque estão próximos, mas o frete encarece muito o produto final”, afirma Minora.

A Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca disse, em nota, que o fim do subsídio “desconsidera totalmente a estiagem prolongada que há sete anos vem assolando o nosso Estado, bem como desconsidera os enormes prejuízos sofridos pelo setor rural nesse período”. A Faern acrescentou que tentará, junto ao setor patronal rural, demonstrar ao Governo a necessidade de rever a resolução publicada no dia 31 de outubro. “A resolução, em vez de subsidiar a compra do milho aos que mais precisam, apenas agrava ainda mais as dificuldades enfrentadas pelo setor rural”, finaliza.

Entenda a subvenção
O programa de subvenção que garantiu o preço diferenciado para a comercialização do milho iniciou em 2017. Sob a promessa de manter o preço a R$ 33, ele foi prorrogado até dezembro daquele ano e, posteriormente, até 2018, disponibilizando um total de 200 mil toneladas para comercialização.

A seca, aliada à greve dos caminhoneiros, de acordo com a Conab, que interrompeu o fluxo regular de envio de milho do Mato Grosso para o Rio Grande do Norte, impediu que fosse feita uma reserva para garantir o estoque de milho para comercialização no Estado até dezembro. Apesar de terem garantido o estoque para mais 3 meses de comercialização, o preço se elevou para acompanhar a oscilação do mercado. "Nosso abastecimento estará garantido, mas a um preço que não se adequa às dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais do nosso Estado", afirma o superintendente Boris Minora.

Além de incluir o Rio Grande do Norte nos leilões de frete para ampliar o estoque, os pecuaristas e entidades como a Conab estão tentando uma articulação com a Bancada Federal do Estado para tentar garantir o retorno da subvenção, considerada como "essencial" para a produção do Estado. Ainda não se sabe, no entanto, se a proposta será votada ainda este ano, porque também precisa passar por três Ministérios para ser aprovada.



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