Cortina de Fumaça

Publicação: 2020-08-13 00:00:00
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Créditos: Divulgação


O processo de formação da chapa majoritária do prefeito Álvaro Dias, que chegou a ter uma certa nitidez com a notícia de que a advogada Aila Ramalho será a sua vice, parece agora revelar uma planejada e estratégica perda de nitidez. Não se sabe se é apenas cortina de fumaça para não antecipar desdobramentos que a tática política recomenda não expor em demasia antes do tempo diante de estratégias que a percepção ainda não foi capaz de detectar com precisão. 

Mas, parece certo a aliança PSDB-PDT na cabeça da chapa, unindo a força de Álvaro Dias, no exercício do poder, e o inegável acervo do ex-prefeito, com vantagens e desvantagens. Se põe em um mesmo lado boas condições materiais, como tempo de tevê e recursos do fundo partidário, de outro circunscreve o discurso da chapa a uma falta do frescor de algo novo capaz de despertar segmentos mais críticos, vácuo que só poderá ser preenchido ao longo do combate. 

 E o que pesa para um lado, pesa para o outro. No pano de fundo, as duas mais recentes experiências da tradição não sensibilizaram o eleitorado silencioso que não verbaliza o voto, mas é decisivo. O então deputado Henrique Aves, à época presidente da Câmara Federal, numa articulação aparentemente perfeita, reuniu em torno dele toda essa tradição, representada pelas mais expressivas lideranças, mas acabou colhendo a derrota que nem as pesquisam indicavam. 

A segunda derrota foi, justamente, do então prefeito Carlos Eduardo Alves, que chegou a ser o principal aliado do PT em determinado momento, quando desejou a hoje governadora Fátima Bezerra para sucedê-lo na Prefeitura. Repetiu a fórmula da tradição e foi às ruas como favorito. Em nenhuma pesquisa os números favoreceram, a não ser em Natal, reduto eleitoral até hoje, mas sem que o grande tambor de ressonância sensibilizasse além dos poucos vizinhos.

Também não surtiu efeito sua adesão de última hora à candidatura de Jair Bolsonaro, no velho esquadro de assumir uma das pontas da polarização. Faltou autenticidade e sobrou oportunismo. Abertas as urnas, sua derrota foi maior que no primeiro turno. Agora, sua posição pode ser útil para reabrir caminhos na direção do governo, depois de somar três vitórias em Natal. Um peso real na luta para conquistar o voto natalense, mas a ser testado para o governo.  

Agosto impõe seus gostos e desgostos, mas lutar pode ser a opção lógica que é liderar dentro de um grupo forte, saindo do isolamento. Ao indicar o vice da chapa e entrar de cabeça, com certeza terá seu protagonismo. Optar por ficar de fora no primeiro turno a espera da nitidez do confronto final, pode ser um risco desnecessário se a luta for decidida no primeiro embate. Em política, só a presença garante o espaço. A omissão é cômoda, mas, às vezes, é um risco. 

SEGREDO - Quem é o deputado da oposição, pelo menos um, que a governadoria espera ter ao seu lado, quando as sessões presenciais da AL forem retomadas? Eis o segredo bem lacrado.

ALIÁS - Os estrategistas do governo estariam convencidos de que o silêncio pode ser uma arma de efeito letal na guerra pelos quinze votos sem os quais não aprova a reforma da previdência. 

HOJE - O ex-ministro Delfim Neto concede, numa conversa virtual, entrevista à Tribuna do Norte e TV-Assembleia. Na pauta, os desafios da economia brasileira.

TIRO - O todo-poderoso ministro Paulo Guedes dispara um novo tiro contra o ministro Rogério Marinho, sem citar o nome, mas acusando-o, de uma forma velada, de ser o ministro fura-teto.

ANTES - Em entrevista à ‘Veja’, Guedes declarou que Marinho não era confiável, quando este participou da elaboração de um plano de retomada de investimentos contra opinião de Guedes. 

MAS - Há uma coisa que o ministro do ‘Posto Ipiranga’ não esclarece: como é que o governo enfrenta a crise sem novo e grande programa de investimentos públicos que Marinho defende.  

FIRME - Exemplar a postura da UFRN mantendo fechado o Campus. Abrir seria incentivar a circulação de alguns milhares de professores, alunos e funcionários. Um modelo de referência.

FEIO - Um professor aposentado, quase oitenta anos, reclama da CEF do Campus da UFRN. Sem domínio do uso da barra magnética, também foi impedido e ir direto ao caixa. Um absurdo.  

PERIGO - Por maior que seja o destemor da governadora Fátima Bezerra, será um risco sem tamanho não explicar e, ainda por cima, devolver aos cofres da União, os R$ 19 milhões dos quais o ministro Rogério Marinho quer ter suas explicações, para as obras da Barragem de Oiticica.  

COMO? - A criação dos seus dois programas de apoio anunciados pela governadora Fátima Bezerra, ‘Chega Junto’, de natureza assistencial para os vulneráveis; e o outro, na linha de apoio às pequenas e microempresas, intrigou um oposicionista: “Mostra que o cofre não está vazio”.  

PADRÃO - A edição do novo livro de Honório Medeiros - ‘Jesuíno Brilhante - o primeiro dos grandes cangaceiros’, revela a qualidade da indústria editorial que Natal alcançou. Um trabalho da ‘8 Editora’ e da Gráfica Offsete, de Ivan Júnior. De um bom gosto e um padrão impecáveis. 


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