Natal
Covid mata 2 policiais penais no Estado; uma delas, grávida
Publicado: 00:00:00 - 11/05/2021 Atualizado: 21:35:14 - 10/05/2021
O número de agentes de Segurança Pública mortos pela covid-19 aumentou no Rio Grande do Norte. A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (SEAP) registrou o óbito de dois policiais penais. Uma das vítimas, que estava em regime de trabalho remoto, estava grávida e não resistiu às complicações da doença e morreu no dia 2 passado. O bebê foi retirado em um parto de emergência e sobreviveu.  Até essa segunda-feira (10), não havia sido contabilizada nenhuma morte entre presos em cumprimento de pena nas penitenciárias estaduais. 

Adriano Abreu
Sindicato dos Policiais Penais cobra celeridade na vacinação contra a covid, afirmando que os agentes estão mais expostos ao deslocarem presos para os hospitais

Sindicato dos Policiais Penais cobra celeridade na vacinação contra a covid, afirmando que os agentes estão mais expostos ao deslocarem presos para os hospitais



De acordo com o monitoramento feito pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), o Rio Grande do Norte é um entre cinco Estados brasileiros que não registram mortes de pessoas presas pela Covid-19. Ao lado do Estado potiguar, estão Tocantins, Pará,  Amapá e Alagoas.

De acordo com o Depen, o Rio Grande do Norte conta com uma população prisional de 9.056 pessoas. Desde o começo da pandemia, 636 casos foram detectados entre os apenados e, atualmente, de acordo com a SEAP, há 33 casos ativos no sistema penitenciário. Entre os servidores do Sistema Prisional potiguar, segundo levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a covid-19 já atingiu 294 trabalhadores. 

A mais recente vítima da Covid-19 entre os policiais penais no Rio Grande do Norte foi a agente Flávia Roberta Nascimento, de 33 anos. Flávia estava grávida quando contraiu a doença, e precisou fazer um parto de emergência. Após ser submetida à cesariana, continuou internada no Hospital Antônio Prudente, em Natal, mas não resistiu e faleceu no dia 2 de maio. Por estar grávida, ela atuava em regime de teletrabalho. 

Em todo o mundo, as unidades prisionais foram uma fonte de preocupação das autoridades de saúde pela facilidade de propagação do vírus nesses espaços. Em países como o Brasil, por exemplo, onde há superlotação das prisões em todos os Estados, as chances de proliferação são ainda maiores. 

Desde o dia 13 de março de 2020, a SEAP possui um protocolo com medidas sanitárias criado pelo Comitê de Crise da Covid-19 para orientar sobre as ações e mitigar o avanço da doença. O Estado foi um dos primeiros do Brasil a suspender as visitas dos internos e restringir o acesso de pessoas externas às unidades. Atividades de educação, trabalho e assitência religiosa também foram suspensas. 

“Ao longo de 2020/2021 foram avaliados por unidade a reabertura dos acessos. Atualmente, todas estão fechadas por causa da ocupação de leitos de UTI acima de 80%", destacou a Secretaria, em nota. As visitas estão acontecendo apenas de forma virtual. 

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Flávia Roberta estava grávida e passou por cesárea de emergência

Flávia Roberta estava grávida e passou por cesárea de emergência


A SEAP destacou, ainda, a instalação de pias na porta de entrada e saída das unidades prisionais, além da desinfecção diária de celas e ambientes de uso comum dos presos. Protocolos de quarentena e detecção de casos suspeitos para novos presos também foram adotados, assim como o reforço na alimentação e da dieta líquida para aumentar a imunidade dos apenados e evitar a ocorrência de casos graves. As medidas tiveram efeito: segundo a Secretaria, nenhum apenado precisou ser hospitalizado para tratar a doença, e todos os presos com casos confirmados apresentaram sintomas moderados. 

De acordo com a Pastoral Carcerária, uma das organizações mais atuantes dentro dos presídios em serviços sociais e religiosos, a suspensão das visitas provoca angústia nas famílias, mas é compreendida como uma medida sanitária importante para evitar o contágio. “Compreendemos que o espaço prisional é de grande vulnerabilidade, tanto para doença, como para violações. A suspensão evidentemente preocupa as famílias, pois o contato fica mais difícil, mas tentamos auxiliar nessa ponte para que elas não deixem de fazer as televisitas e possam ter notícias de seus entes que estão lá dentro”, afirma Guiomar Veras, que integra a pastoral. Segundo ela, com os serviços religiosos e visitas presenciais suspensas, a atuação da Pastoral tem sido principalmente para ajudar as famílias na arrecadação de alimentos, cadastros nos auxílios e no contato com os apenados. 

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Tenisvaldo não deixou de trabalhar, mesmo no grupo de risco

Tenisvaldo não deixou de trabalhar, mesmo no grupo de risco


Exposição
Entre os policiais penais, no entanto, o mesmo não ocorreu. De acordo com Vilma Batista, diretora do Sindicato dos Policiais Penais, a categoria é a mais exposta dentro das unidades ao contágio. “Apesar das visitas estarem suspensas, muitos precisam se expor quase diariamente, seja para a transferência de presos, seja para receber itens que os familiares vão deixar nos presídios”, explicou. 

Foi o caso do policial penal Tenisvaldo Freire Lopes, de 58 anos. Apesar de ser diabético, ter problemas cardíacos e obesidade, o que lhe classificava como pertencente ao grupo de risco para a Covid-19, Tenisvaldo continuou trabalhando na Penitenciária Estadual de Parnamirim (PEP). O policial penal contraiu a doença e, pouco mais de uma semana após ser internado, faleceu em decorrência das complicações da covid-19. 

“É por isso que cobramos a priorização da vacinação. Ficamos imaginando se essa situação não poderia ser evitada se ele já estivesse vacinado. Sabemos que são poucas doses que estão chegando, mas é preciso considerar fatores como comorbidades e idade também na hora da distribuição”, declarou Vilma Batista.

No dia 29 de abril, as forças de segurança, incluindo peritos, agentes penais, delegados e agentes de polícia civil, policiais federais e escrivães, enviaram um ofício conjunto à governadora Fátima Bezerra solicitando a priorização dos operadores de segurança na campanha de vacinação. Eles destacam que “priorizar a vacinação de tais profissionais não protege apenas aqueles que estão mais expostos ao risco (...) Mas também a população, que não pode sofrer ainda mais pela ausência e diminuição do já defasado efetivo característico dessas carreiras". De acordo com a SEAP, a vacinação tem avançado à medida em que chegam novos lotes de vacinas ao Estado. 














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