CPI das Fake News mira 'gabinete do ódio'

Publicação: 2019-12-08 00:00:00 | Comentários: 0
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Patrik Camporez
Agência Estado


Brasília (AE) - O terceiro andar do Palácio do Planalto entrou na mira das investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI Mista) das Fake News. Nas próximas semanas, o colegiado deve solicitar acesso aos IPs (números que identificam computadores, como uma impressão digital) e dados dos equipamentos usados por servidores que integram o chamado "gabinete do ódio", que atuam no mesmo andar no qual o presidente da República, Jair Bolsonaro, despacha diariamente. A comissão quer saber se foi usado dinheiro público para envio em massa de notícias falsas.

"Vamos pedir a quebra dos IPs para localizar as máquinas. Se, por um acaso, tiver requerimento, e tiver provas concretas que existe computador dentro do Palácio do Planalto que faz a divulgação, claro que pode ser quebrado. Não podemos quebrar se não tiver prova. Tendo provas, nós vamos correr atrás", afirmou o presidente da CPI Mista, senador Angelo Coronel (PSD-BA).
Relatora e presidente da CPI definem as próximas etapas das apurações da Comissão Parlamenta Mista de Inquérito
Relatora e presidente da CPI definem as próximas etapas das apurações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito

Como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo em setembro, "gabinete do ódio" é como internamente integrantes do governo passaram a se referir ao grupo formado por três servidores ligados ao vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PSC), filho "02" do presidente. Tércio Arnaud Tomaz, José Matheus Sales Gomes e Mateus Matos Diniz produzem relatórios diários, com suas interpretações, sobre fatos do Brasil e do mundo e são responsáveis pelas redes sociais da Presidência da República.

A decisão de pedir acesso aos dados dos computadores desses servidores foi tomada depois que a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), ex-líder do governo no Congresso, prestou depoimento na CPI, na quarta-feira, e acusou o grupo de disseminar notícias falsas durante o horário de serviço.

Na sessão, que durou mais de dez horas e foi marcada por muito bate-boca, Joice disse que cerca de R$ 500 mil em recursos públicos foram usados "para perseguir desafetos". "Estamos falando de crime. Caluniar, difamar e injuriar são crimes previstos no Código Penal", disse ela. Joice afirmou que o próprio presidente tem publicações impulsionadas por robôs.

Apuração


Segundo Angelo Coronel, a CPI vai apurar se há dinheiro público bancando a disseminação de notícias falsas a partir do Palácio do Planalto. "Obviamente, vamos correr atrás para ver se é dinheiro público que está sendo investido nessa prática. Se for, vamos indiciar os culpados e encaminhar para o Ministério Público Federal. E que aí se puna os verdadeiros culpados."

Todos os funcionários do "gabinete do ódio" foram convocados para prestar depoimento na CPI, mas ainda não há data para isso acontecer. Procurado, o Palácio do Planalto informou que não comentará a intenção de integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito  de pedir acesso a informações dos computadores de funcionários da Presidência.

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