Crítica dos prefeitos

Publicação: 2020-03-26 00:00:00
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Além das críticas de governadores ao discurso em que o presidente Jair Bolsonaro defendeu o fim do isolamento social como estratégia de contenção do novo coronavírus, prefeitos também se manifestaram de forma contrária à postura do chefe do Executivo. A Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que representa os prefeitos e os municípios brasileiros, considerou que Bolsonaro agiu de forma inconsequente, mesmo estando preocupado com o futuro da economia. Para a entidade, o presidente trouxe "insegurança e intranquilidade" à população. "A Federação brasileira, cooperativa por excelência, precisa contar com um comando geral organizado, sério e capaz de contemplar as diversas dificuldades que o país enfrenta; no entanto, não é, infelizmente, o que está acontecendo", diz a nota divulgada pela CNM.

Impacto econômico 
A manifestação da CNM também frisou que os gestores municipais têm preocupação com o impacto econômico da pandemia, mas que o momento é de cuidar da saúde da população, em especial a dos idosos. Por isso, a entidade recomenda que os prefeitos editem decretos de calamidade pública com regras para o comportamento das pessoas. "Está comprovado que as medidas de isolamento social tardiamente implementadas levam à situação de caos na saúde pública e que os sistemas de saúde não têm como atender ao mesmo tempo um grande número de infectados; logo, é fundamental prevenir. Isolar, parar tudo o que não seja essencial, é prevenir, pois evita a circulação de pessoas e do vírus", frisou a entidade.

Fundo eleitoral 
O deputado Nelter Queiroz (MDB) sugeriu aos parlamentares da bancada federal potiguar no Congresso Nacional que apoiem a ideia que estimula o remanejamento de recursos do fundo eleitoral para serem utilizados pelo Ministério da Saúde no combate da Covid-19. “Quero aqui levar a sugestão aos nossos representantes na Câmara e no Senado para que estes convoquem sessão extraordinária urgente no sentido de aprovar remanejamento ao Orçamento Geral da União. A ideia é que os recursos na ordem de R$ 2 bilhões, que serão destinados ao fundo das eleições municipais deste ano, juntamente com mais de R$ 1 bilhão, que serão gastos pelos tribunais eleitorais, sejam remanejados para o Ministério da Saúde com o intuito de ajudar no combate ao Coronavírus no país inteiro”, manifestou Nelter Queiroz em suas redes sociais. Mesmo diante da suspensão provisória das atividades na Assembleia Legislativa, os parlamentares da Casa seguem propondo e defendendo ações para contribuir com a Saúde Pública no Rio Grande do Norte e o bem-estar da população diante da pandemia do Coronavírus.

Remanejamento de emendas 
O deputado e médico Vivaldo Costa (PSD) apresentou sugestão para que todos os deputados estaduais remanejem, das emendas impositivas no orçamento, recursos para a compra de respiradores. A observação foi feita ao grupo de parlamentares e já recebeu adesão de alguns. “Caso todos os deputados abracem à sugestão, o Rio Grande do Norte poderá melhorar fundamentalmente sua atuação no combate ao vírus”, reforçou o parlamentar dizendo que a sugestão é de que cada deputado remaneje R$500 mil de suas emendas. De acordo com Vivaldo Costa, a soma dos valores seria um montante de R$ 12 milhões, suficientes para comprar 230 respiradores. “Esta é uma medida importantíssima, cada deputado tem suas emendas. A gente reduz e destina diretamente para esta finalidade: comprar os respiradores pulmonares. Vamos ouvir a comissão e espero que todos possam compreender”, explicou o deputado.

Destinação das emendas 
As emendas parlamentares do deputado estadual Hermano Morais (PSB) vão ser destinadas para a área da Saúde. O montante do ano corrente é da ordem de R$ 2 milhões, que vai servir para a aquisição de equipamentos, ampliação de leitos de UTI e outras emergências de combate ao Coronavírus. “Nesse momento de tanta dificuldade e aflição, temos procurado ajudar. É hora de somar esforços. No exercício do nosso mandato, do ponto de vista prático, decidimos remanejar todas as emendas parlamentares propostas para 2020 à área da saúde. A medida é uma tentativa para que possamos minimizar o problema da saúde pública”, disse o deputado. Ainda relacionado ao assunto, Hermano apresentou três Projetos de Lei e um requerimento, que foram protocolados na última sexta-feira (20) durante a sessão extraordinária na Assembleia Legislativa do RN, quando se votou o decreto de calamidade pública do Estado.

Reação 
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) repudiou ontem as declarações do presidente Jair Bolsonaro durante pronunciamento feito ontem em rede nacional para falar sobre a pandemia do novo coronavírus. Tasso classificou como "errático" o comportamento do presidente de minimizar os efeitos da covid-19. Para o parlamentar, Bolsonaro está "sempre retornando a uma atitude beligerante". Em vídeo divulgado nas redes sociais, Tasso disse que é "irresponsável" orientar a população de forma diferente ao que tem sido dito pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e outras entidades da saúde pelo isolamento social da população durante a pandemia da covid-19.