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Natal
Cratera fica maior em Felipe Camarão, na Zona Oeste
Publicado: 00:00:00 - 06/07/2022 Atualizado: 22:58:40 - 05/07/2022
A cratera que se abriu por todo um quarteirão na Rua Mirassol, no bairro de Felipe Camarão, ao longo do último fim de semana, ficou ainda maior na terça-feira (5) com o desabamento de uma das casas interditadas. Também na terça, a Defesa Civil atualizou o número de imóveis que sofreram interdição para 22. Na segunda-feira, o órgão havia informado que 25 casas estavam sob risco de desabamento, mas os laudos passaram por uma recontagem.

Magnus Nascimento
Moradores temem que rua inteira acabe cedendo por conta dos buracos que se abriram após as chuvas do fim de semana

Moradores temem que rua inteira acabe cedendo por conta dos buracos que se abriram após as chuvas do fim de semana


Com as chuvas que caíram na noite de segunda-feira, a situação se agravou. Um outro buraco, também na Rua Mirassol, aumentou de tamanho no quarteirão acima. A população que vive entre a megacratera e o buraco menor teme que toda a rua acabe cedendo. “É o que a gente espera que aconteça porque as chuvas não param. Está muito perigoso ficar aqui. Eu mesmo não consigo mais fazer nada, não dá para dormir, não dá para comer direito, a gente não fica tranquilo um segundo. É uma situação muito difícil, principalmente para mim que já tenho 64 anos”, lamenta Socorro Moreira.

Socorro vive na Rua Mirassol, próximo ao cruzamento com a Rua Leonardo Gama, e está abrigando a filha, que teve a casa interditada. “Disse para ela trazer uma parte das coisas dela para cá e os meninos estão trazendo. Essa casa aqui é de aluguel e a nossa vontade é de sair daqui mesmo porque não tem mais como, a gente corre risco de vida. Não tem como dormir sossegada, não tenho mais idade para um aperreio assim não”, conta.

A BR-226, que cruza com a Rua Mirassol, sofreu erosão no asfalto e segue totalmente interditada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Na manhã de terça, profissionais da Neoenergia Cosern isolaram uma área ao redor de um poste que ameaçava cair. Além da Defesa Civil, equipes das secretarias de Mobilidade Urbana (STTU), Infraestrutura (Seinfra) e Assistência Social (Semtas) permanecem no local. Os moradores foram para casa de familiares e em alguns casos, para abrigos disponibilizados pela prefeitura.

Os espaços funcionam na Escola Municipal Henrique Castriciano, no bairro das Rocas; Escola Municipal Nossa Senhora da Apresentação, no bairro Nossa Senhora da Apresentação; e na Escola Municipal Professora Maria Cristina Osório Tavares, em Felipe Camarão. A capacidade total dos abrigos é para 100 pessoas. Na Escola Nossa Senhora da Apresentação 21 pessoas foram acolhidas.

Saturação

Após a Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) romper e causar um mar de esgoto na Rota do Sol, o diretor-geral do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (IDEMA), Leon Aguiar, disse que a rede já funcionava sob “limite de saturação”.

“A Caern está aguardando e construindo uma nova estação de tratamento, que no futuro vai recepcionar todo efluente desse setor Sul e setor Oeste da cidade. Enquanto essa estação nova não fica pronta, infelizmente eles operam aquele sistema ali que já tem um limite de saturação. Eles já trabalham realmente operando e mantendo um limite de capacidade de suporte”, diz. 

Segundo o diretor, a Caern já havia procurado o IDEMA há cerca de três anos para avaliar uma área nos limites, quando houvesse sobrecarga causada pelas chuvas e pelo próprio sistema de tratamento. O objetivo da empresa era “ter uma área excedente onde esse efluente pudesse caminhar e ter uma área sob controle”.

“Infelizmente com esse aporte de chuva que teve no último fim de semana, realmente a Caern entrou em contato informando que o sistema não estava suportando e estourou, misturando com toda a água de chuva que já estava ali bloqueando o acesso da Rota do Sol”, afirma.

Em relação a possíveis impactos ambientais causados pelos dejetos, Aguiar diz que o órgão acompanha. “A Caern é obrigada a apresentar análises de qualidade de água, de qualidade de água subterrânea, de qualidade do solo, o levantamento de toda a possível vegetação que é afetada”, diz.

“Então tudo isso provavelmente no futuro vai exigir uma remoção de alguma camada de solo contaminada, fazer injeção de água para poder diluir qualquer tipo de contaminação de água subterrânea, e o IDEMA vai exigir a recuperação da vegetação que tenha sido afetada”.

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