Crescem vendas de produtos sensuais

Publicação: 2012-11-11 00:00:00 | Comentários: 1
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Carla França - Repórter

Gel aromatizante, velas comestíveis, lubrificantes, pós estimulantes, vibradores fluorescentes e mais uma infinidade de brinquedinhos. Há algum tempo aderir a esses produtos para apimentar a relação era motivo de tabu,  hoje em dia  as pessoas estão cada vez mais recorrendo - e gostando - dessas inovações. A última pesquisa da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme), feita em 2011, revela que houve crescimento de 18,5% nas vendas de produtos, em comparação com o ano anterior.
Rodrigo SenaA maioria da clientela que consome produtos sensuais é formada por mulheres. As lojas de roupas íntimas também oferecem produtosA maioria da clientela que consome produtos sensuais é formada por mulheres. As lojas de roupas íntimas também oferecem produtos

O empresário Brunno Melo sabe bem disso. No mercado de produtos sensuais há um ano e meio ela conta que nunca teve déficit nas vendas. “Esse é um mercado em acensão, as pessoas estão descobrindo cada vez mais os sexshops. Para ter uma ideia, hoje nós vendemos seis vezes mais do que quando abrimos e a tendência é aumentar ainda mais as vendas”, diz Brunno.

O que contribui bastante para esse boom nas vendas é a diversidade de produtos e preços. O cliente pode comprar desde um sachê para banho que custa uma média de R$2,00 até o mais moderno dos vibradores que está na faixa dos R$300,00. O certo é que quem entra nos sexshops dificilmente sai da loja de mãos vazias.

Apesar dos tempos modernos, ainda existe uma certa resistência de algumas pessoas frequentarem lojas desse ramo. “Tem gente que chega aqui tremendo, passa um tempão passeando pra lá e pra cá na frente da loja e depois entra. E vira cliente assíduo”, conta a vendedora de um sexshop que não quis se identificar.

No sexshop, nenhum desejo é estranho. Os vendedores estão lá para incentivar o prazer. E engana-se quem pensa que a fantasia sexual reina entre os homens. São as mulheres as principais consumidoras de artigos eróticos no país.

A maioria delas vão em busca dos brinquedinhos para seduzir os namorados e maridos e dar um ‘up’ no relacionamento.

“O meu marido adora os os cremes, gel, algemas, mas as essas novidades quem traz sou eu. Ele tem uma certa resistência em ir ao sexshop, mas adora quando chego com as novidades”, disse uma frquentadora de sex shop que não quis se identificar.

Já a advogada Cristiane Persico não vê problema nenhum em utilizar e assumir isso. “Venho sempre, pelo menos, uma vez por mês e ainda trago as amigas”, conta a advogada. Entre os objetos preferidos de Cristiane estão as lingeries, os óleos de massagem e o vibrador. “Ah! Também gosto do chicotinho. É um objeto interessante”, brinca Cristiane.

Se o vibrador é um dos objetos mais queridinhos das mulheres, ele é o terror dos homens. Alguns sentem até ciúme do objeto. “Alguns homens acham que as mulheres usam vibradores porque eles não conseguem dar prazer a parceira. Acho que está na hora deles pararem de ver os produtos de sexshop como intruso e passar a utilizá-los como aliado”, conta Brunno.

Nas visitas que a reportagem da TRIBUNA DO NORTE fez aos sexshop de Natal, encontramos apenas um homem comprando um presentinho para uma amiga e mesmo assim não quis se identificar. “Gosto de sexshops e seus produtos. Sempre compro fantasias, óleos... Hoje vim comprar um vibrador para uma ‘amiga colorida’”, diz o adolescente.

CUIDADOS

É preciso ficar alestra na hora de comprar os produtos de sexshops. O ideal não é avaliar apenas o preço, mas sim a qualidade do material, a data de validade, entre outros cuidados. Segundo Brunno Melo o ideal é comprar os produtos certificados pela Anvisa. As embalagens devem trazer o número de controle da Agência.

“Atenção especial para os cosméticos como os óleos, cremes, sachês. “É preciso ficar atento ao prazo de validade e as substâncias com as quais são feitos. A maioria é antialérgico, mas nunca é demais conferir. Os produtos de plásticos, se não forem de boa qualidade, podem quebrar ou cortar. Qualidade é fundamental nesses produtos”, orienta o empresário.

Curiosidade

O primeiro sexshop do mundo, a Beate Uhse, surgiu na Alemanha, em 1962. O local era conhecido como o Instituto para Higiene Marital e incluía em seu mix de produtos lingeries,l ivros, revistas, contraceptivos e produtos estimuladores. Depois dela, muitas outras foram abertas a partir da década de 70.

Tem vergonha? SexShop Delivery!

Apesar da maior liberdade sexual nos dias atuais, muita gente ainda tem um certo receio de frequentar os sexshops, mas por outro lado, não dispensa o uso dos produtos e brinquedinhos sexuais. É aí que entra – sem nenhum trocadilho – aquele conhecido, ou o amigo do amigo que  vende no sistema delivery os produtinhos do prazer.

Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme), em dois anos, o número de vendedores de itens eróticos por catálogo saltou de dois mil para 85 mil. O setor dos consultores sensuais teve um boom em 2011 por causa do longa-metragem brasileiro ‘De Pernas pro Ar’, estrelado por Ingrid Guimarães.

No filme, a personagem de Ingrid Guimarães passa a vender esse tipo de produto depois de perder o emprego e de experimentar os objetos do sexshop de uma amiga. Com exceção da parte de perder o emprego, a história do filme se parece um pouco com a do executivo de vendas e fotógrafo, Ranyere Damasceno, 26 anos. Ele começou a vender os artigos de sexshop depois de testar e aprovar os produtos.

“Eu falava para os meus amigos que usava os produtos, que eram legais e eles começaram a ficar curiosos. Só que a maioria tinha vergonha de ir ao sexshop e aí eu me oferecia para ir e comprar pra eles. Aí a procura aumentou e comecei a comprar  para revender há mais ou menos um ano”, conta Ranyere.

Já a auxiliar administrativa Cristina (nome fictício) começou a vender os produtos sensuais para incrementar ainda mais a renda. Ela já vendia perfumes e cosméticos e ampliou o mix com os objetos eróticos. “As pessoas gostam desse tipo de produto, mas têm vergonha de ir até o sexshop e com a gente elas perdem a timidez e acabam comprando”, disse.

A maioria dos clientes de Ranyere e de Cristina é formada por mulheres. Os homens ainda tem preconceito com esses objetos, acha que pode interferir na masculinidade ou virilidade.

“Os homens dizem que não precisam de brinquedinho ou estimulantes para o sexo. Só que não é assim que funciona. Esses produtos não substituem o parceiro. Eles apimentam a relação. É o algo mais que pode está faltando no relacionamento”, conta Ranyere.

Com relação a classe social ou poder aquisitivo, eles acreditam que não há diferença. “Todo mundo, independente da renda quer sentir prazer, se divertir. Os preços são bem variados, tem para todo o público

Para serem mais discretos os nossos ‘consultores sensuais’ apresentam os produtos em um catálogo com todas as opções, assim fica mais fácil mostrar os brinquedinhos sem chamar tanta atenção. Mas eles sempre andam com  um ou outro produto para aqueles que querem sentir o material.

MERCADO VIRTUAL

Mas para aqueles que querem utilizar os produtos eróticos e têm vergonha de adquiri-los com o delivery, a solução é conhecer os produtos eróticos através da internet.

Antes de realizar compras através da internet, verifique antecipadamente se há alguma reclamação sobre a loja, quanto tempo a loja está no mercado, se possui CNPJ e emite nota fiscal. Todo cuidado é valido para não cair no golpe de alguns oportunistas que buscam tirar proveito da situação.

Diálogo e liberdade são importantes

Para uns quanto mais diversificado os brinquedos do parquinho, melhor a brincadeira. Para outros nem tanto. Isso serve também entre os casais que querem introduzir os produtos sensuais na relação. Por isso, o primeiro cuidado quando se decide levar novidades para a relação sexual é saber se o outro está realmente curtindo a ideia.

“A brincadeira do adulto é o sexo e nada mais normal do que ter alguns brinquedinhos para animar a relação. Mas como a brincadeira é a dois, é preciso que os dois concordem”, explica a sexóloga Maria Lúcia Pinheiro.

Segundo ela, a base do sexo é o diálogo e a liberdade entre os parceiros. E quando não se tem esse dois pré-requisitos fica complicado manter o relacionamento, que dirá levar brincadeiras e objetos diferentes para o sexo. “Quando faz parte da relação como um algo mais se torna saudável, mas quando causa algum problema é preciso conversar, esclarecer, explicar. Ele cede daqui, ela dali e no final os dois se acertam”, diz Maria Lúcia.

Mas quando a utilização de objetos eróticos se torna uma patologia ou compulsão? Para a especialista é uma patologia quando a pessoa não consegue se relacionar com o outra por inteiro, somente com partes dessa pessoa. Acontece uma fixação, ou seja, precisa ser de um jeito, caso contrário não tem prazer. Sem se importar com o que o outro sente ou quer.

Compulsão sexual leva a pessoa colocar a vida, a saúde e o relacionamento em risco em prol de satisfazer momentaneamente o desejo, a libido.  O fetichismo -quando a pessoa só consegue ter prazer de uma determinada forma – é um exemplo de patologia nesse área.

Tratamento para compulsões sexuais são basicamente dentro da terapia sexual.  ou compulsivo por compras. “Quanto os benefícios dos produtos, acredito serem muitos. Quando são têm o objetivo de dar uma aditivada na relação e sair da rotina”, diz a sexóloga.

Os mais vendidos

Na hora do famoso “rala e rola” vale tudo, desde que os parceiros estejam de acordo. Veja os artigos mais vendidos nos sexshops:

• Bolinhas explosivas:

são bolinhas com um gel dentro, que umidificam e perfumam. Podem ser usadas no corpo, para massagem ou introduzidas na vagina, que com o atrito do pênis, estouram.

• Lubrificantes e anestésicos:

como o próprio nome já sugere, lubrificam o local. Servem para sexo anal e vaginal. Existem lubrificantes com substancias que reduzem a dor durante o sexo anal.

•Gel, óleos, pó, velas e incensos:

são perfumes produzidos com substancias especificas, que prometem atrair o sexo oposto com a liberação de feromônio (substancia química liberada pelo corpo que permite o reconhecimento e atração sexual).

•Vibradores:

de todas as formas, tamanhos, cores e adereços que se pode imaginar. Existem uns “multifuncionais” que prometem massagear o ponto G enquanto vibram sobre o clitóris e o anus.

•Anel Peniano com estimulador de clitóris:

um anel com mini vibrador e estimulador clitoriano em silicone. Retarda a ejaculação, prolonga a ereção, e o vibro, estimula a mulher.

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Comentários

  • aaugusto2005

    Muito boa a reportagem. É muito bom ver que a TN abre o esoaço para esse tipo de assunto, sempre evitado na nossa cidade. Eu ja tive muita resistência a ideia de ir numa loja, comprar produtos, e usá-los com a minha esposa mas hoje sou cliente assíduo de uma das lojas da cidade, a seduza sex Shop, uma loja onde as pessoas ficam muito à vontade. Alias esse foi o único ponto que faltou na reportagem: faltou falar sobre como os lojistas conseguem fazer clientes, como eu, superar o medo e a vergonha de entrar numa loja e falar abertamente sobre os nossos desejos.