Crescimento acelerado de celular prejudica qualidade

Publicação: 2014-01-28 00:00:00
O Rio Grande do Norte incorpora 188.132 novas linhas, supera Tocantins e Espírito Santo e assume o 10º lugar entre os Estados com maior número proporcional de telefones celulares. Isso é o que indica o balanço consolidado de 2013 divulgado ontem pela Agência Nacional de Telecomunicação (Anatel). De acordo com os números, o Rio Grande do Norte fechou 2013 com 4.553.578, média de 137,23 linhas para cada grupo de 100 habitantes.  É a maior proporção entre os estados do Nordeste.

Em relação a 2010, as operadoras que exploram a telefonia celular no RN colocaram em funcionamento mais 1,28 milhão de linhas. Isso representa um crescimento 39,2% nos últimos três ano, ante um crescimento populacional de 16%. No comparativo 2013/2012 houve crescimento de 4,3%, acima da média nacional.

A velocidade com que a telefonia celular cresce no Rio Grande do Norte interfere na qualidade dos serviços. São muitas – e variadas - as reclamações vindas dos clientes, que agora usam as redes sociais antes de acionar os órgãos de fiscalização e de defesa do consumidor, para registrar os transtornos que enfrentam.

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O jornalista e fotógrafo Canindé Soares faz parte desse time. Ele enfrenta problemas para completar ligações e acessar a internet há pelo menos três anos. “A operadora já participou de reunião, de audiência pública, foi acionada pelo Ministério Público, mas ainda não melhorou o serviço. Eles sempre dizem que estão tentando melhorar e que há ‘pontos neutros’ na cidade. A questão é que nada se resolve. Isso acaba prejudicando meus contatos profissionais. O cliente liga e dá fora de área ou a ligação cai no meio da conversa e com isso eu perco serviço”, afirma.

Com índice 0.552 na Anatel, a OI liderava o ranking nacional de reclamações, segundo o último boletim, referente a novembro do ano passado. Em segundo lugar vinha a TIM (0.363), em terceiro a Vivo (0,352) e em quarto a Claro (0.342). O índice leva em conta o número de reclamações por 1.000 acessos em serviço.  A TN procurou ontem as operadoras, mas diante do horário – início da noite – não conseguiu ouvi-las.

O aumento do número de linhas telefônicas está ligado ao incremento da renda familiar e a ascensão da classe C, afirma o professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), William Pereira. A comercialização de aparelhos com vários chips e as facilidades na hora de parcelar a compra de um aparelho também ajudam a explicar o fato do número de linhas ter avançado tanto nos últimos anos, de acordo com ele. William não soube explicar por qual razão o RN é líder em teledensidade no Nordeste,  mas observou que o apelo ao consumismo é grande no Rio Grande do Norte. “Celular, assim como carro importado, é sinal de status. Se você observar, a proporção de carros importados por habitantes no RN também é destaque na Região”, acrescenta.