Crescimento nas vendas do fim de ano deve ser de até 3,5%

Publicação: 2019-12-08 00:00:00
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“A cada ano que passa nossas vendas diminuem mais. São mais vendedores e menos consumidores. Mas apesar de tudo, ainda resta esperança”. A fala é da comerciante Wagnusa Gomes, 44 anos que retrata um pouco a preocupação com as vendas deste final de ano. Ela que trabalha vendendo relógios, brinquedos para crianças e outras variedades no comércio de rua do bairro do Alecrim, diz sentir medo de não ter lucro para pagar as contas que precisa para viver.

De acordo com Augusto Vaz, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal (CDL), a previsão de crescimento em relação ao ano passado é de 2,5 a 3,5%. “Existe em curso, uma pesquisa em fase de conclusão, mas a previsão que temos, tendo como estatística as datas festivas durante o decorrer do ano, é essa faixa até 3,5% em todo o comercio de Natal e região metropolitana”, explica Vaz.

A vendedora Ana Gleice, de uma loja de roupas masculinas e infantil de um shopping no Alecrim acredita na previsão. “Sinto que está começando a aquecer em relação ao ano passado, embora a nossa maior expectativa seja na segunda quinzena próximo ao natal”, disse.

A meta de vendas para esta época é quadriplicar, por isso a espera é de R$ 200 a R$ 180 mil este mês. “A procura maior é pelas roupas infantis masculinas, tenho percebido que as crianças tem sido alvo das compras”, conta.

Diante da observação, existe uma pesquisa lançada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) nas 27 capitais brasileiras aponta que seis em cada dez (65%) consumidores devem se auto presentear na data — um crescimento de 11 pontos percentuais em relação a 2018. A expectativa é de que 101,6 milhões de pessoas comprem algum presente para si mesmas neste fim de ano, o que promete movimentar cerca de R$ 36,7 bilhões na economia. Além disso, em relação às crianças, existe um dado significativo que refere-se ao peso do presente dos filhos no orçamento doméstico. Quase 11% dos entrevistados admitem que vão deixar de pagar alguma conta para atender às vontades de seus filhos, especialmente o cartão de crédito (4%) e os impostos de início de ano (3%). Em contrapartida, 77% não pretendem deixar de pagar contas com esse objetivo e 11% ainda não decidiram o que farão.

 Para a artesã Maria de Fátima, este ano não será nada fácil para atender aos caprichos dos filhos e dos netos. “Como a economia está muito fragilizada, a verdade é que estou pensando em não dar nada desnecessário, é importante pensar na necessidade que existe no dia-a-dia das pessoas”, diz Fátima. Prova disso é a sacola que seu filho, Gabriel de Oliveira, 23 anos carregava com uma bermuda. “Não vejo nem como presente, é para suprir a necessidade dele. Presente hoje em dia é luxo”.

Horários de funcionamento

Os horários exatos de funcionamento serão divulgados na próxima semana, porém o diretor da CDL, Augusto Vaz antecipa que deverá ser o padrão parecido com o ano passado. “Na semana que antecede a abertura, as lojas deverão fechar mais tarde e comércio de rua estender também seu horário de funcionamento”, afirma.
Uma das preocupações dos comerciantes com o horário estendido é a segurança. A comerciante Wagnusa Gomes, quem abre esta matéria, sente medo de ficar com seu comércio aberto até a noite no Alecrim devido a falta de iluminação nas ruas, principalmente na parte do camelódromo. “Faz três anos que não temos iluminação suficiente aqui. Na época do Natal poderíamos vender até mais tarde, mas o medo é maior que nossa vontade”, reclama a comerciante.

Segurança

Em contrapartida ao medo de Wagnusa e tantos outros comerciantes, o Tenente Coronel da Polícia Militar, Franco de Oliveira adianta que haverá uma sistemática de policiamento não só em Natal como na área metropolitana.

“Fizemos um estudo do aumento de circulação em áreas destinadas ao comércio, não só em Natal, mas também na região metropolitana e faremos reforço nas áreas com maior concentração de pessoas nessa época do ano”, afirma Franco. As áreas com maior circulação de pessoas em consumo em Natal  são no bairro Cidade Alta, que continua sendo um pólo atrativo de comercio formal e informal,apesar da queda visível de lojas e circulação e o bairro do Alecrim, que sempre tem tradição no comércio e aumenta a transição comerciais nesse período natalino.

A Policia Militar fez um estudo sobre a aplicação do policiamento nas duas áreas especificas e perceberam a necessidade de aumentar o efetivo. “Estamos trabalhando com o recobrimento de área, que é justamente aumentar o policiamento com outras unidades da policia que nos dão suporte. Que são unidades especializadas, como o Batalhão de choque que faz o patrulhamento tático e móvel e a Rocan que atua com policiamento de motos”, afirma.

Outro ponto importante é estender o tempo do policiamento nesses lugares durante a época das festas de final de ano. “Teríamos um período que o comércio funcionará até mais tarde, com movimentações noturnas e em dias não usuais, como a possibilidade de abrir no domingo. Hoje essa é a nossa maior preocupação é ter o local onde haja circulação de dinheiro e de pessoas protegidos pela Policia Militar”.

O segundo ponto destacado por Franco, tem como relação a região metropolitana da cidade. Em Macaíba que vem se transformando um local de comércio considerável e o 11o Batalhão já montou toda  sistemática de policiamento por lá também. “Outro local é Parnamirim que o comando de policiamento metropolitano, através do terceiro batalhão colocou um policiamento especializado na área, nas avenidas Piloto Pereira Tim e na avenida principal.  Para diminuir os crimes contra o patrimônio, furtos e roubos”.

Além da região metropolitana, as cidades do interior como Mossoró, Caicó, Currais Novos, Pau dos Ferros que tem movimentação considerável na área, também terá aumento de efetivo. “Já acolamos recursos de diárias operacionais e também de efetivo para lá”, conclui Franco.