Criança ontem e hoje

Publicação: 2017-10-06 00:36:00 | Comentários: 0
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Milton Dantas
Coordenador Estadual da Pastoral da Criança


Deixai vir a mim as criancinhas... não poderia ser melhor escolha começar esta conversa pensando nestas figuras tão importantes para todos nós. Elas são o alívio que nossa alma reclama, são as imagens que inundam nosso olhar, nosso ser, nossa pátria interior: a vida; porque delas é o Reino dos Céus. Ocupam os espaços a elas dedicados, ocupando a nossa certeza de que é preciso voltar a ser criança para contemplar um Reino de liberdade e de paz em meio à guerra. São olhos, são corações, é alma em brandura enaltecendo o caminho a ser percorrido em alma e divindade. Não as impeçais! Mesmo que queiramos retirar a imagem pueril de nossas lembranças, ficaria difícil, tendo em vista a leveza com a qual lidamos no dia a dia se fazendo remédio para a cura do mundo adulto. As crianças são, por natureza, a unidade da alma repleta de sentimentos, de ansiosa presença do Deus leve e solto, interno e externo ao mundo nosso de cada dia.

Ao longo do tempo, muitas são as reflexões em torno da criança, tratando-a desde um ser “homúnculo”, ou seja, caracterizado como alguém sem capacidade de pensar e se dirigir - até a criança do mundo tecnológico, dominador de ambientes, do hoje da sociedade. Em meio a isto, é importante observar que o nascimento biológico deste ser e o nascimento psicológico não coincidem no tempo. O biológico tem sua delimitação, dramática e observável, enquanto o psicológico se dá num processo de lento desdobrar, atendendo a aspectos vários do seu crescimento e desenvolvimento. Aqui se encontra o ontem e o hoje desta criatura que tudo vê, tudo transforma, independente do tempo vivido e do espaço ocupado.

É muito comum, nas rodas de conversa que versam sobre tal conteúdo, aparecerem afirmações como: tempo bom era o de antes, as crianças eram diferentes, comportavam-se com educação, não eram tão trabalhosas. Longe de nós ficar parado no tempo de outrora, apenas contemplando o seu marasmo e afastando o dinamismo natural na criança. Não seria esta a característica principal da criança? Naturalidade e dinamismo? É preciso que se reflitam as ações para que o ciclo da vida seja vivenciado a partir da concepção de criança e não do tempo. Não se deseja a existência de uma criança adultizada, onde sonhos, fantasias sejam algo do mundo palpável, preocupante, educado na medida da concepção de educação adulta para responder a caprichos de um mundo maduro, de adultos metódicos e “enformados” como que tijolos em empilhadeiras.

Em cada tempo, uma forma de ver o mundo; porém, em cada criança, o mesmo sentimento de imaginação capaz de realizar transformações construtivas e adentrar a situações não preestabelecidas como forma mágica do viver. As crianças de ontem são as mesmas crianças de hoje; no entanto, seus espaços contextuais são o que a palavra define: contextualização. Personalidades vivenciam um tempo e um espaço de mesma dimensão, porém com hábitos diferentes. A necessidade cria o hábito; o ter e o ser existem numa dança de valores e contravalores que vão definindo formas de lidar com a realidade. Talvez sejam as crianças de hoje, mais plenas de desejos e realizações em detrimento de um mundo dinâmico e propulsor de uma adversidade cultural, social e econômica que reclama pela corrida do técnico, sobrepondo-se ao emocional.

Criança ontem e hoje: mesmos sonhos, mesmas fantasias; hábitos, costumes diferentes.



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