Crianças se divertem e aprendem com projetos aquáticos

Publicação: 2020-01-26 00:00:00 | Comentários: 0
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Tádzio França
Repórter

O mar é um ecossistema imenso, complexo e vital para a sobrevivência no planeta. Um ambiente que se conecta com economia, saúde, biologia, alimentação, turismo, lazer e história. Cuidar do mar é também cuidar de si mesmo. Infelizmente, muitas ações humanas predatórias não contribuem para essa finalidade. Por isso as iniciativas que ajudam a preservar e informar  são tão importantes, pois  aproximam as pessoas de uma maior conscientização ambiental sobre a importância do mundo aquático. Essa consciência pode vir na forma de um passeio, aula, projeto, ou mesmo um aplicativo.  Cuidar do mar é preciso.

Créditos: CedidaProjeto Cetáceos da Costa Branca cuida de resgate, reabilitação e soltura do animal. Existe há 22 anos através da UERN de Mossoró. Também realiza monitoramento, pesquisa, conservação e sensibilização ambiental sobre a fauna marinhaProjeto Cetáceos da Costa Branca cuida de resgate, reabilitação e soltura do animal. Existe há 22 anos através da UERN de Mossoró. Também realiza monitoramento, pesquisa, conservação e sensibilização ambiental sobre a fauna marinha
Projeto Cetáceos da Costa Branca cuida de resgate, reabilitação e soltura do animal. Existe há 22 anos através da UERN de Mossoró. Também realiza monitoramento, pesquisa, conservação e sensibilização ambiental sobre a fauna marinha

Bichos do “Aquário”
A algazarra das crianças e o olhar interessado dos adultos provam que o Aquário Natal ainda é a conexão mais acessível com as belezas da fauna marinha que o natalense pode ter. Ao longo de 21 anos o local ampliou suas atividades, indo além das exibições no aquário e se tornando também um centro de reabilitação de animais silvestres. Répteis, mamíferos e aves foram incorporados à mostra de animais, apesar de as criaturas do mar ainda serem as atrações principais.

Através de parcerias com diversas instituições como Ibama, polícias ambiental, civil e militar, bombeiros, e os mais variados projetos ecológicos, o Aquário  recebe animais que necessitam de tratamento. Acolhe, trata, reabilita e devolve os bichinhos à natureza através do Ibama. O local também  cuida da educação ambiental: dispõe de um auditório para receber escolas e instituições visitantes, de onde se ministram palestras sobre pedagogia e educação ambiental, conservação das espécies, e demais assuntos relacionados à saúde do meio ambiente.

 Fora da alta estação, as escolas  formam o maior grupo de visitantes do Aquário. São em média três grupos por dia, todos devidamente agendados. Vêm escolas natalenses e do interior, públicas e privadas, e também escolas da Paraíba, Ceará e Pernambuco. Segundo a diretora Adilene Brandão, durante a baixa temporada o Aquário Natal sobrevive basicamente das visitas das escolas. Podem ser no máximo cinco por dia.

O Aquário também oferece bolsas de estudo para interessados de cursos relacionados aos seus objetos de estudo, como biologia, veterinária, apicultura, zootecnia, engenharia de pesca, e turismo. Esses estudantes atuam como guias dos visitantes,  ensinando e ao mesmo tempo aprendendo mais sobre a fauna marinha.

Créditos: Alex RegisPinguins também podem ser vistos pela vitrine do AquárioPinguins também podem ser vistos pela vitrine do Aquário
Pinguins também podem ser vistos pela vitrine do Aquário

Pelas vitrines do Aquário nadam os mais coloridos exemplares da vida sob mares e rios. São mais de 50 espécies, divididas entre os de água doce e água salgada. As crianças adoram identificar tipos como o peixe-palhaço (o “Nemo” do desenho animado), além do cágado de orelha vermelha, badejo, peixe leão, as tartarugas verde e oliva, o camuflado pacamon, os peixes da bacia amazônica (pirarara, pirarucu, piranha vermelha), cavalo-marinho, carpas orientais, anêmonas, garoupa pintada, jacaré do papo amarelo, pinguins, e o tubarão-lixa, considerado o mais dócil da espécie – tanto, que é possível agendar um mergulho de 20 minutos em seu tanque. O acesso ao local custa R$30 (inteira).

Resgates na costa
 Projeto Cetáceos da Costa Branca é uma iniciativa da UERN que há 22 anos realiza projetos de monitoramento, pesquisa, conservação e sensibilização ambiental, com foco na fauna marinha do litoral potiguar e do leste do Ceará. É a turma atenta que recolhe e cuida dos animais que encalham nas praias pelos mais variados motivos. Cuida de golfinhos, baleias, botos, peixes-boi, tartarugas, e até mesmo aves. O coordenador do projeto, Flávio Lima, explica que o PCCB atua com monitoramento diário nas praias, e também atendendo a demandas pelos números 99943-0058 e 98843-4621.

O projeto cuida do resgate, reabilitação e soltura do animal. Segundo Flávio Lima, as tartarugas lideram o número de casos: são cerca de 100 ocorrências por mês na costa do RN. Ele explica que elas se tornam mais vulneráveis de dezembro a maio, durante a temporada de reprodução. “Elas se aproximam da costa e ficam mais suscetíveis às redes de pesca, ao atropelamento por embarcações, além da captura acidental, e a intencional também. Muita gente ainda pega tartaruga pra comer”, diz.

O PCCB promove um amplo trabalho de educação ambiental junto a pescadores, colônias, associações de pesca, e escolas. E também junto a banhistas, turistas, e barraqueiros de praia. “O objetivo é sensibilizar através da educação e informação. Principalmente os pescadores, ensinando que eles devem devolver as tartarugas ao mar em caso de captura acidental.Também orientamos as pessoas sobre o que elas devem fazer em situação de resgate”, diz. Flávio  ressalta que tem aumentado os casos de aves migratórias que se chocam com as torres de energia eólica.

Ciência em Gostoso
O biólogo Rafael Revorêdo atua no Centro de Estudos e Monitoramento Ambiental, e também na ação Ciência na Praia.  Consiste na sensibilização ambiental através de palestras, solturas de animais reabilitados, aberturas de ninhos com a comunidade, etc. “Essas atividades ocorrem quinzenalmente em São Miguel do Gostoso  com objetivo de aproximar a população local da conservação do meio ambiente, de forma que nós possamos discutir um pouco sobre a diversidade marinha local, a importância de proteger o meio ambiente na região, os impactos que o homem vem causando à natureza, entre outras temáticas”, diz.

Rafael ressalta que o 'Ciência' deseja aproveitar o potencial turístico de Gostoso para envolver  nativos e turistas na mesma conscientização e aproxima-los do conhecimento científico. “É uma ideia que a gente está tentando tocar junto às instituições locais, privadas e publicas, que Gostoso se torne um espaço cada vez mais sustentável”, explica.

Parceiros do oceano
O programa de voluntariado “Parceiros do Oceano Atlântico” foi lançado na semana passada como iniciativa para incentivar as boas práticas na pesca. A ação tem como objetivo envolver e engajar mestres e pescadores da frota atuneira de Natal, sobretudo no Arquipélago de São Pedro e São Paulo. O programa surge como forma da apoiar, qualificar e expandir as ações de pesca, tornando a gestão ambiental dessas unidades de conservação cada vez mais eficaz. A expectativa é que outras frotas atuneiras adotem práticas semelhantes. O programa é fruto de uma parceria entre o Instituto Chico Mendes, Secretaria de Aquicultura e Pesca do RN, e Centro Tamar.

Créditos: Alex RegisEstudantes e visitantes tem contato com o Tubarão-lixaEstudantes e visitantes tem contato com o Tubarão-lixa
Estudantes e visitantes tem contato com o Tubarão-lixa

Pesquisar sobre formas de entender e não agredir os oceanos  conduzem as atividades do Departamento de Oceanografia e Limnologia da UFRN. “O oceano é a porta de chegada do nosso continente, tem importância etiológica, econômica, histórica, social e ambiental enormes. É necessário que tenhamos uma boa relação com as águas”, afirma Deusimar Freire, diretor do departamento. O local já abrigou o Museu do Mar, que anos foi incorporado ao Museu de Ciências Morfológicas um importante espaço de extensão da UFRN. O MCM recebe visitas agendadas para grupos de estudantes e professores, além de oferecer cursos. Mais detalhes pelo 3342-2483.

Fundo do mar virtual
Que tal acessar o fundo do mar  pelo celular? O programador Neal Agarwal conseguiu a proeza através do site 'The Deep Sea', um aplicativo que mostra os seres vivos que habitam diferentes faixas de profundidade do oceano, até o ponto mais distante do fundo do mar alcançado por seres humanos – a mais de 10 mil metros da superfície. A visualização indica as diferentes zonas do ambiente marinho, e suas classificações de acordo com a profundidade e a penetração de luz. O app indica desde curiosidades sobre animais marinhos até onde estão os destroços de navios naufragados. 



Colaborou: Cinthia Lopes, editora






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