Crise d'água é agravada por atraso em obras hídricas

Publicação: 2018-04-05 00:00:00 | Comentários: 0
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Aura Mazda
Repórter

A crise hídrica que castiga o Rio Grande do Norte pode entrar no sétimo ano consecutivo em 2018 e preocupa a Agência Nacional de Águas (ANA). A demora na construção de obras que podem aliviar os efeitos da seca é apontado como um dos principais gargalos no enfrentamento à escassez de água. Novas resoluções que limitam a captação de águas serão avaliadas pela ANA em maio, após o encerramento do período chuvoso, que começou em fevereiro. De acordo com coordenador de Marcos Regulatórios e Alocação de água da ANA, Wesley de Souza, as medidas são necessárias para postergar a vida útil de reservatórios.

Dos recursos liberados, R$ 44 milhões foram usados na construção da Adutora emergencial Jucurutu-Caicó, que teve a obra concluída no primeiro semestre de 2017
Dos recursos liberados, R$ 44 milhões foram usados na construção da Adutora emergencial Jucurutu-Caicó, que teve a obra concluída no primeiro semestre de 2017

O coordenador analisa que os gestores do RN tem feito ações que estão previstas no Plano de Segurança Hídrica para fazer frente a crise, como o uso de carro pipa e foragem para animal, mas ainda não são suficientes. “O que tem encontrado dificuldade  diz respeito as obras, os recursos de infraestrutura hídrica para fazer frente à seca”, avalia Wesley de Souza.

Um dos casos “urgentes” é a construção da adutora emergencial do município de Afonso Bezerra até Pendências para abastecimento de 78 mil pessoas – a nova adutora irá levar a água de cinco poços já perfurados pela Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern). Para sua construção serão necessários R$ 68.457.292,22.

Apesar da condição de seca não ser uma novidade para os que viver no Nordeste, Wesley de Souza avalia que os gestores não estavam “100% preparados” para enfrentar a atual situação.  “Estamos em um período muito diferente. A seca sempre existiu, mas em alguns lugares do semiárido essa é a pior seca registrada na história. É difícil se preparar para algo tão extremo. Tiramos muita lição dessa seca. ”, analisa o coordenador da ANA. 

O Governo reconhece que os recursos atuais não são suficientes para obras de convivência com a seca, vistas como indispensáveis. A maioria está prevista no Plano Emergencial de Segurança Hídrica, elaborado pelo Governo do Estado em 2015. São pleiteados R$ 336 milhões ao Ministério da Integração para a aplicação integral do plano para construção de adutoras, perfuração de poços, distribuição de água potável, dessalinizadores e distribuição de forragem, mas somente R$ 60 milhões foram recebidos em quase três anos.

Os recursos recebidos foram utilizados para a construção da adutora Jucurutu-Caicó, concluída no primeiro semestre de 2017 (R$ 44 milhões) e para as operações de fornecimento de água por carros-pipa (R$ 16 milhões). O restante são para perfurações de poços na região do aquífero do Vale do Açu. O Plano Emergencial prevê R$ 22 milhões para essas obras, mas é necessário a construção de adutoras para garantir o abastecimento para a região, no valor total de R$ 230 milhões.

“Com essas obras, o Rio Grande do Norte dificilmente teria problemas com secas, mas não temos os recursos necessários para colocá-lo em ação, apesar de pleitear”, disse o secretário adjunto de  Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Mairton França, em reportagem publicada em 27 de março passado.

Serviço:
Ciclo de Debates do CERNE

Tema: As condições de abastecimento das bacias hídricas e dos açudes no RN

Data: HOJE (5 de abril), das 19h às 21h

Local: Escola de Ciências e Tecnologia da UFRN (Sala 4, 1º andar)


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