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Autos e Motores
Crise do chips na indústria automotiva
Publicado: 00:00:00 - 15/05/2022 Atualizado: 17:12:30 - 14/05/2022
O colega Vagner Aquino acaba de publicar ótimo trabalho sobre a atual crise dos CHIPS, tormento que atingiu o carro em 2021, com o advento do coronavírus. Hoje, a crise dos chips persiste e continua a prejudicar a  produção de automóveis em todo o mundo. 

Divulgação
Carros como o novo Citroën C3, Honda HR-V (FOTO), e VW Polo, não foram apresentados ao mercado por falta de “chips”. E a crise não tem data para ter fim

Carros como o novo Citroën C3, Honda HR-V (FOTO), e VW Polo, não foram apresentados ao mercado por falta de “chips”. E a crise não tem data para ter fim


Consequência,  lançamentos estão atrasados, notadamente os mais esperados do ano, como os novos Honda HR-V, Volkswagen Polo, Chevrolet Bolt EV e Equinox, além do Citroën C3. Em março, do ano em curso, quando divulgou o início da produção do hatch à imprensa especializada, a marca francesa prometeu que o modelo estaria nas ruas em abril. Deverá chegar no próximo mês.

A realidade é que esse “inferno” atinge todas as montadoras. Os semicondutores, chips, são parte essencial dos automóveis. Eles estão por toda a arquitetura eletrônica do carro, e controlam motor, câmbio, módulos de airbags, multimídia, alarme etc. A BMW, por exemplo, optou por remover telas e outros itens para conseguir entregar seus carros aos clientes. A Volkswagen fez o mesmo com T-Cross e outros.

A GM, em 2021, ficou meses sem produzir o Onix, seu campeão de vendas, líder do nosso mercado. Resultado: o modelo despencou no ranking dos mais vendidos. Assim como ocorreu com  outras montadoras, a GM precisou paralisar a sua fábrica de Gravataí (RS) por um período maior que o previsto, um prejuízo incalculável.

Perspectivas

Com base na ASMI, fabricante holandesa de chips, o jornal Financial Times apontou que a crise dos chips vai durar mais 2 anos. A pesquisa da consultoria GlobalData, por seu turno, afirma:  as dificuldades no abastecimento podem perdurar até o ano 2023, a depender da região. Afinal, isso envolve políticas e estratégias.

Por enquanto, as montadoras priorizam a adoção de chips (semicondutores) em CARROS que entregam maiores margens de lucro, como SUVs (Utilitários Esportivos) e pick-ups. Os mais antigos, por exemplo, que usam menos chips, perderam espaço na lista de prioridades.

Segundo Lucas Mastromonico, operador de renda variável da B.Side Investimentos, a solução está mais perto do que se prevê. Para ele, a situação, que tinha apresentado sinais de melhora, voltará à estaca zero, mas deve ser retomada em alguns meses.

“Há poucas semanas, os casos de Covid-19 voltaram a aumentar na China e, Pequim, com sua política (de Covid Zero), promoveu lockdowns em 20 cidades, afetando 200 milhões de pessoas”, explica Mastromonico. “Isso, afeta também o porto de Xangai, responsável por 30% das exportações chinesas. Ou seja, a crise deve ser amenizada depois de alguns meses, quando a China relaxar suas medidas”.

De Honda a Tesla

Também em consequência da crise dos chips (semicondutores), a Honda ainda não lançou o novo HR-V. O SUV  tem até hotsite brasileiro. Ele está confirmado por Atsushi Fujimoto, CEO da marca na América do Sul, mas o lançamento vai ocorrer somente em agosto deste ano. Seria no 1o- trimestre do ano em curso.

O Honda HR-V será fabricado em Itirapina (SP), com grade frontal insinuante e amplo conteúdo tecnológico. Fujimoto disse que o carro “vai estabelecer uma nova referência no segmento e, muito equipado, será ainda mais dependente de semicondutores e, assim, fica explicado o atraso no lançamento.” A tendência é que as montadoras tenham um abastecimento irregular ou em menor quantidade dessas peças, o que impacta na produção.

A situação é tão delicada, que até mesmo a Tesla foi forçada a atrasar o lançamento de dois automóveis, as novas versões do sedã Model S e do SUV Model X. 

Como tudo começou

Após o início do Coronavírus, em 2020, as indústrias automotivas e de tecnologia foram atingidas por uma crise sem precedentes. Paralisadas as fábricas em todo o planeta, os  “chips” ficaram escassos. Isso não voltou ao normal até hoje.

E, com esse excesso de demanda, o preço de tudo ficou mais alto, afetando as finanças. Nesse sentido, a fabricante paga mais caro para obter os “chips” e tem que arcar com a despesa da interrupção da produção. O preço do carro sobe e quem paga o preço é o consumidor final. Isso prejudica a retomada das vendas,  as exportações brasileiras de carros e o mercado de trabalho, que também poderá ser afetado com montadoras possivelmente dispensando funcionários.

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