Crise fechou 50 mil postos de trabalho em dois anos

Publicação: 2017-12-07 00:00:00 | Comentários: 0
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Com o fechamento de 50 mil postos de trabalho entre setembro de 2015 e setembro deste ano, o Rio Grande do Norte assistiu à precarização das relações de labor, empregos de baixo rendimento, alto grau de informalidade e jornadas extensas  no desempenho das atividades compõem o mercado de trabalho potiguar. Tais informações fazem parte do Boletim Sobre o Mercado de Trabalho no Rio Grande do Norte, publicado nesta quarta-feira, 6, pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômico (Dieese). O levantamento confirmou, ainda, que 42,6% de toda a mão de obra ocupada potiguar está na informalidade.

De acordo com estudo do DIEESE, o setor do Comércio fechou 20 mil postos de trabalho em 2 anos
De acordo com estudo do DIEESE, o setor do Comércio fechou 20 mil postos de trabalho em 2 anos

Tal estudo tem como base a Pesquisa de Amostra de Domicílios Contínua, a PNAD, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O documento destaca que, “em meados do fim de 2015 instalou-se no Brasil a crise econômica, que ora permeia o mercado, desestabilizando a economia, reduzindo o consumo, causando desemprego, desestruturando e precarizando as relações de trabalho, atingindo diretamente os trabalhadores que, pela dificuldade de inserir-se ou de encontrar uma nova ocupação, diante do quadro caótico instalado no mercado de trabalho em busca de rendimentos, quando encontram trabalho, tendem a aceitar e realizar trabalhos cada vez mais degradantes”.

O Dieese cita, ainda, que os trabalhadores que aceitam tal condição atuam “sem proteção social, com jornadas de trabalho flexibilizadas e cada vez maiores, maior disponibilidade para realizar trabalhos em turnos diferenciados no mesmo dia, com rendimentos menores e fluxo reduzindo de pagamento. Diante das incertezas, o trabalhador aceita as condições de trabalho mais precário, buscando reproduzir a força de trabalho num ambiente cada vez mais hostil nas relações laborais”. No estado, apesar da População em Idade Ativa (PIA) ter apresentado crescimento de 0,5% no terceiro trimestre deste ano, o tamanho do mercado de trabalho contraiu-se de 54,3% para 53,9% entre 2017 e 2016, considerando o terceiro trimestre.

“A diminuição do tamanho do mercado de trabalho ocorreu pela saída de pessoas que retornaram à condição de inatividade, ou seja, indivíduos que nem têm ocupação e também não estão à procura de emprego, embora muitas vezes desejem ter um”. Entretanto, a partir do terceiro trimestre deste ano, foi identificado um leve decréscimo (-0,1%) no fechamento de postos de trabalho. A demanda por mão-de-obra se ampliou com a geração de postos de trabalho (29 mil) acompanhado pela positiva redução no volume de desocupados (30 mil). “Porém, em relação ao terceiro trimestre de 2016, o número de ocupados no estado do Rio Grande do Norte continua relativamente estável, contabilizando 1,3 milhão de pessoas exercendo alguma atividade econômica de forma remunerada”, diz o estudo do Dieese.

Na outra ponta, o número de desempregados reduziu-se 3,7%, ficando com 209 mil. No mercado de trabalho potiguar, o segmento de emprego desprotegido ou os sem carteira de trabalho assinada foi o único que cresceu em 2017 em comparação com 2016, tanto no primeiro trimestre (20 mil) quando no terceiro trimestre (26 mil), enquanto que a forma de contratação protegida reduziu a forma de inserção em 2017 em relação ao ano anterior (-27 mil e -26 mil, no primeiro e terceiro trimestres respectivamente).

Mercado de trabalho no RN
54,4% dos trabalhadores ocupados contribuem com a Previdência;

45,6% dos trabalhadores ocupados não contribuem com a Previdência;

36,4% é o índice de ilegalidade de contratação potiguar (quase 50% superior ao nacional, que é de 24,7%);

Desaquecimento
Veja abaixo os setores que mais perderam empregados entre 2015 e 2017:
Comércio e reparação de veículos: -20 mil;
Construção civil: -17 mil;
Agropecuária: -12 mil;
Serviços: -6 mil;

13,7% foi a taxa de desemprego no estado.

Os que minimizaram os efeitos da crise:
Indústria: 14 mil contratações;
Serviços domésticos: 5 mil contratações.   

Fonte: Dieese


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