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Natal
Crise no SUS e planos de saúde impulsiona clínicas populares
Publicado: 00:00:00 - 28/01/2018 Atualizado: 13:26:45 - 27/01/2018
Felipe Galdino
Repórter

Consultas a cerca de R$ 100, na maioria das vezes sem necessidade de agendamento, e com atendimento não muito diferente das clínicas tradicionais. A praticidade e economia tem feito as pessoas procurarem cada vez mais as chamadas “clínicas populares”. Em Natal, tem marcas que já expandiram até para fora do estado. Representantes desse próprio modelo de negócio e o Conselho Regional de Medicina (Cremern), que fiscaliza a atividade, responsabilizam, para o “boom” nas clínicas populares, tanto os altos preços e demora no atendimento via planos de saúde quanto o sucateamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Magnus Nascimento
Nos últimos anos, caiu número de pessoas em planos de saúde e cresceu abertura de clínicas populares

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Segundo o Cremern, atualmente o Rio Grande do Norte possui 1.078 clínicas, hospitais, consultórios médicos particulares inscritos em seus registros. Não há o número específico de clínicas populares, mas o presidente do Conselho, Marcos Lima de Freitas, admite que esse é um modelo que vem crescendo nos últimos anos. Ele também alerta o usuário desse serviço para o trabalho praticado por tais clínicas. Qualquer irregularidade pode ser denunciada no próprio Cremern.

“Estima-se que uma parcela significativa da população brasileira deixou de ser assistida pelos planos de saúde, em consequência da crise econômica. Abriu-se um mercado para esse novo modelo de negócio, que trouxe vícios do mundo comercial que são reprováveis quando se trata de assistência médica. A Resolução 2.170 de 30 de outubro de 2017, do Conselho Federal de Medicina, esclarece esses aspectos e define quais são as condutas que afrontam o Código de Ética Médica”, ressaltou o Freitas.

Publicado neste último dia 24 de janeiro, no Diário Oficial da União (DOU), a resolução citada pelo presidente do Cremern veta qualquer promoção relacionada ao fornecimento de cartões de descontos, fidelidade ou similares. Além disso, a divulgação de preços ou formas de pagamento de procedimentos só são permitidos dentro dos estabelecimentos.

Um dos sócios da Rede Sua, uma gestora de clínicas fundada em Natal em 2016, mas que já possui unidades em Sobral (Ceará), Berger Forte afirma que o negócio que gere junto com um grupo de sócios é a prova do sucesso das clínicas populares.

Atualmente, ele conta, a média de atendimento é de 800 pacientes ao mês, por unidade. Já são sete “Sua Clínica's” no total, divididas entre Natal, Parnamirim, Caicó, Mossoró, Sobral/CE e, em fevereiro mais uma no Distrito Federal. Ele vê um aumento considerável na procura do brasileiro.
“O fato das pessoas não poderem ter um plano de saúde culminou com essa vontade de poder ser atendido imediatamente. A gente, com a ideia de sempre ter médico presente, atendemos a demanda das pessoas com problema de marcação. Você faz uma marcação no plano de saúde e demora 20, 30 dias para ser atendido, o que não ocorre nas clínicas com preço justo", afirmou Berger Forte.

Apesar de ele preferir exaltar o atendimento diferenciado ao paciente de suas clínicas e negar que o preço baixo seja o maior chamariz para seu negócio, a diferença de valores é visível: enquanto que na Sua Clínica Caicó uma consulta não chega a R$ 90, há atendimentos em estabelecimentos tradicionais daquela cidade na casa dos R$ 400, ressalta Forte. Em Natal, as duas unidades localizadas no Centro e no Alecrim mantêm o valor médio na mesma faixa por consulta.

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