Cultura, pilar da cidadania

Publicação: 2017-06-18 00:00:00 | Comentários: 0
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Carlos Eduardo
Prefeito de Natal

Para o antropólogo Darcy Ribeiro, cultura é “o conjunto e a integração dos modos de fazer, agir e pensar desenvolvidos ou adotados por uma sociedade como solução para as necessidades associativas da vida humana”. A cultura em Natal não só consagra a definição do mestre como vai além e acentua a diversidade, que é uma das características mais marcantes de todo o Nordeste. Como homem público, senti o dever de lutar pela preservação da nossa cultura e, mais que isso, estimular cada uma de suas ricas expressões. Compreendo a importância de incentivar as manifestações artísticas e culturais de Natal não só pelo aspecto da preservação identitária, mas também pelo que essa atividade significa na movimentação da economia local com suas consequências na produção de renda e trabalho. Hoje, é possível constatar que os diversos instrumentos de fomento cultural disponíveis no município são os responsáveis pela maior parte da efervescência cultural da cidade.

Esse é o resultado de uma política cultural pensada e desenvolvida a muitas mãos como na elaboração do Plano Municipal de Cultura e no Plano Municipal do Livro, ambos em análise na Câmara Municipal, e no momento que fizemos a adesão de Natal ao Sistema Nacional de Cultura, o que nos levou a utilizar editais para a destinação das verbas públicas e a decisão de aportar recursos próprios no Fundo Municipal de Cultura e, principalmente, usar os instrumentos da Lei Djalma Maranhão para envolver a iniciativa privada no fomento cultural.

No quadriênio 2013/16, através da Lei Djalma Maranhão foram executados 99 projetos com a captação de R$ 9,1 milhões de uma renúncia fiscal municipal disponível no período da ordem de R$ 27,6 milhões. Enquanto o Fundo de Incentivo à Cultura investiu R$ 1,3 milhão em 89 projetos. São projetos de pequeno, médio e grande porte que movimentam toda uma cadeia produtiva da economia criativa, sem falar nos efeitos produzidos no comércio e nos serviços.

Outros projetos maiores dão significado mais amplo a essa constatação como o carnaval de Natal, que este ano trouxe uma receita, segundo pesquisa Fecomércio, de R$ 40 milhões, quase 10 vezes superior ao investimento realizado. Além disso, promovemos 121 shows com artistas locais e contratamos 2.600 músicos. Ou seja, dinheiro que fica na nossa economia. Outro exemplo é o Natal em Natal, a maior festa da cidade com uma pluralidade de manifestações, abarcando todos os segmentos da nossa cultura e que na última edição recebeu um público superior a 100 mil pessoas, com sensíveis reflexos em nossa economia.

Para além do aspecto econômico, investir em cultura implica também investir no social. A Escola de Ballet Roosevelt Pimenta capacitou 1.600 alunos, dos quais 60% são estudantes em estado de vulnerabilidade social. Perto de 10 mil visitantes estiveram no Museu de Cultura Popular Djalma Maranhão e outras 86 mil pessoas passaram pelo Memorial Natal, no Parque da Cidade, ambos implantados em nossa gestão anterior. 

Investimos firme na formação, dentre outras maneiras, através de 73 oficinas de capacitação nos vários segmentos. Recentemente, sancionamos lei que institui o regime de bens culturais de natureza imaterial que gerou a edição, em parceria entre Prefeitura e Sebrae, de um livro de registro e salvaguarda da cultura popular de Natal, inserindo esses territórios no mapa da economia criativa e na valorização dos seus saberes e fazeres e, sobretudo, na essência de sua cidadania e preservação da diversidade, como forma de perpetuar o saber do povo.

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