Cumprir o regulamento, desafio de fazer política

Publicação: 2020-12-02 00:00:00
Cassiano Arruda Câmara

Os períodos de transição, na acomodação de diferentes forças políticas dispersas no nosso Rio Grande do Norte, do jeito que estamos vivendo agora, têm sido marcados pela arrumação dessa nova transição num mesmo projeto. Basta consultar a história.

Na verdade, o primeiro passo vem sendo, normalmente, a formulação de um grande acordo.

Por mais que os acordos sejam vistos aqui como algo negativo, e por mais que eles sejam o fundamento da política, terminam tendo uma imagem espúria aqui no RN.

Mas, algumas vezes, são inevitáveis. Agora com uma peculiaridade: - as necessidades de arrumação das diferentes lideranças, em todas as regiões, cobrindo todos os 167 municípios.

Do jeito que se encontram, são poucos os que  serão expelidos e muitos os que poderão ser convocados.

Inclusive fazendo o caminho da volta.  E até abrindo uma porta para quem está sem mandato. - Chegou a hora de fazer política. 

OS PARTIDOS QUE RESTAM
Se não aparecer um nome que, sozinho, consiga – viabilizar uma  candidatura majoritária – capaz de se impor a qualquer legenda, vamos ter de ficar com os dois partidos que tem resistido a qualquer reforma:
O Partido do Governo e o Partido da Assembleia.

Nos últimos 50 anos o Partido do Governo nunca esteve tão fraco no RN. Usando o rótulo do Partido dos Trabalhadores, o Partido do Governo só elegeu  três Prefeitos na última eleição.

O Prefeito de Currais Novos, que se reelegeu, mais, dois pequenos municípios, Afonso Bezerra e Sítio Novo.

Do ponto de vista territorial, para fazer uma campanha de Governador (e de Presidente) teria de agregar outras legendas.

O Partido da Assembleia, aninhado no PSDB foi o que mais cresceu. Tinha 10 Prefeituras e ficou com 31; a segunda maior do RN. Mas nenhuma de grande expressão, exceto a da capital. É o partido com perfil de agregação de forças.

E tem o MDB que continua com o maior número de Prefeituras, 39. Mas perdeu quase metade do que tinha, 19.

AGREGAR É PRECISO
Dos 167 municípios potiguares 149 estão distribuídos por sete legendas distintas.

A legislação permite que se agrupem em coligações na chapa majoritária, porém, os donos desses partidos são deputados (federais ou estaduais) e certamente terão de se garantir e não é na disputa majoritária.

É obvio que eles terão de se agrupar, pelo menos em quatro ou cinco legendas em torno de uma candidatura (majoritária) e das bancadas federal e estadual. Mas o tempo é curto.

Na história do PT não existe um só caso de misturar o seu gado com nenhuma boiada.

O Partido da Assembleia é o que parece mais preparado. Entre as suas Prefeituras, tem a de Natal que vale mais do que vinte pequenas. Além do seu Presidente – Ezequiel Ferreira – o Partido da Assembleia é o que está se mexendo e apresenta maior possibilidade de crescimento. Não haveria maior dificuldade em juntar mais três ou quatro legendas, definindo as chapas federais e formando chapas proporcionais, além de partir para a eleição majoritária.

VOCAÇÃO DE SER PEQUENO
O maior partido em número de Prefeituras, o MDB, dentre as suas 39 Prefeituras não tem uma só de grande expressão.

Nos seus últimos movimentos, tem feito pouco para disputar uma eleição majoritária tudo que falta para ser um verdadeiro partido político; e não existe um só movimento conhecido para uma disputa majoritária.

Além de ter pouco a oferecer numa fusão para eleição proporcionas, uma vez que seu único projeto é a sobrevivência do seu Presidente, o deputado Walter Alves.

Sem mandato, tem ainda dois nomes de peso, Garibaldi Alves e Henrique Alves. Mesmo não existindo qualquer indicativo que eles possam disputar a próxima eleição.

A grande diferença nesse particular é que o único partido que já começou a conversar é o da Assembleia. Inclusive com vários nomes para disputar as eleições para o Governo e Senado

O GRUPO DOS NOVOS
Existe ainda  o grupo dos novos, formado na esteira da campanha do presidente Jair Bolsonaro. Os novos não aproveitaram a eleição municipal para demonstrar seu potencial ou dizerem o que pretendem.

Nesses, a situação mais confortável é do senador Styverson Valentim, que tem mandato até 2026. Além de lembrar sua ação como comandante das blitz da Lei Seca, ele pouco acrescentou. Lançou um candidato a Prefeito de Natal que não alcançou 2% dos votos; não elegeu um só vereador e ninguém sabe o que pretende fazer em 2022.

Outros militares, o general Girão e o coronel Azevedo, não agregaram quase nada e dificilmente têm lugar para eles como protagonistas. Assim o destino deles dois pode ser o pijama do militar da reserva e sonhar com um cargo em comissão para sair do esquecimento.

Outra novidade, foi o paisano Benes Leocádio, político experimentado, eleito deputado federal numa campanha emocional, mas cujos resultados na eleição deste mês foram uma coleção de derrotas, embora tenha assumido a militância do Partido da Assembleia.

Tem ainda os novíssimos,  Alysson Bezerra, Prefeito de Mossoró, e Fernando Bezerra, de Acari, eleitos pela legenda do Solidariedade. Se tiverem juízo – disse uma raposa política - vão procurar outra legenda para não serem forçados a pagar o mico de ter Paulinho da Força como grande líder nacional da legenda a ser enaltecido e justificado por eles.

Resumo da ópera: Contados os votos, chegou a hora de fazer política. E política conversa.








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