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Curta terror: curta metragem potiguar mostra força do áudio visual local
Publicado: 00:00:00 - 18/08/2020 Atualizado: 10:13:45 - 18/08/2020
Tádzio França
Repórter

O que a solidão de um apartamento vazio tem de simbólico? E também de assustador? Ao embaçar as fronteiras entre o cotidiano e o sobrenatural o ilustrador e artista visual Pedro Balduíno concebeu “Lemniscata”, curta-metragem escrito e dirigido por ele, que será lançado online nesta quinta-feira (20), às 20h, nos perfis do Instagram e Youtube da produtora Nuvim 7D. O filme é mais uma pista sobre o potencial do audiovisual potiguar no segmento de horror e mistério.

Divulgação
O curta foi gravado em dois dias, mas teve uma pré-produção de oito meses

O curta foi gravado em dois dias, mas teve uma pré-produção de oito meses




“Lemniscata” nasceu de sonhos estranhos tidos pelo autor em meados de 2017. Um exercício de decifrar símbolos e metáforas que se tornou a história de uma moça chamada Sasha e o apartamento número oito. Essa jovem mulher chega em casa após um longo dia de trabalho e só quer descansar, como qualquer mortal. Mas ao abrir a porta, ela percebe que seu lar não é mais o mesmo e os personagens que agora habitam ali vão tornar sua realidade cada vez mais absurda. Um pesadelo que dura oito minutos na tela.

“É um filme sobre como um apartamento pode ser muitas coisas, um lar, um refúgio... mas também um lugar obscuro onde as paredes vivem impregnadas de sentimentos e lembranças”, explica Pedro Balduíno à Tribuna do Norte. O título “Lemniscata” tem a ver com o símbolo do infinito, o oito deitado, imagem recorrente na tarologia, no misticismo e na historia da arte. “O símbolo fala sobre ciclos, inícios e fins, sobre karma e jornadas de vida. São conceitos latentes neste curta-metragem”, explica.

Além do incentivo onírico, “Lemniscata” também bebe em diversas referências do autor entre cinema, música e ilustração. O filme recebe ecos de cineastas como David Lynch, David Cronemberg, Mary Harron, Svankmajer e Agnes Varda; ilustradores como Dave Mckean e Juarez Machado, e nas sonoridades de Johnny Jewell, Debbie Harry, e Ruth Radelet. Os visuais da tarologia e da magia caoísta complementam a base.

O curta foi gravado em apenas dois dias, mas contou com uma pré-produção engajada de oito meses. “Na hora de filmar já tava tudo organizado e a gente sabia o que queria. A equipe toda estava bem sintonizada e eu tive a sorte de trabalhar com profissionais dedicados”, diz. O elenco traz Luana Fontes como Sasha;  Makarios Maia é Urso; Débora Araújo é Lady, Marxine Bardo como o Diabo, e Sofia Medeiros a  criança da trama.

Balduíno considera que “Lemniscata” é o seu retorno ao cinema de uma forma mais organizada, após o hiato de alguns anos trabalhando apenas com videoarte autoral e individualmente. O diretor conta com uma série de curtas experimentais realizados desde 2012 – época em que cursava artes visuais e conheceu o mestre Moacy Cirne e os cineastas jovens da cidade. “Fiz um punhado de curtas, todos nessa pegada de trabalhar com nenhuma grana e com equipes muito enxutas”, conta. Já em “Lemniscata” ele contou com uma equipe maior e uma estrutura menos artesanal, com storyboards e vários profissionais de cada área.

“O diferencial do ‘Lemniscata’ é que, apesar de eu ter escrito e dirigido, ele é um filme com a cara de todo mundo que participou dele, um trabalho colaborativo e muito rico que não teria sido mesmo sem cada profissional envolvido e o tanto que eles enriqueceram este projeto”, analisa. Balduíno já conta com seis curtas-metragens no currículo, e também se divide entre ilustrações e roteiros. Seus trabalhos podem ser vistos no Instagram.







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