Customização aproxima alta tecnologia às técnicas de alfaiataria

Publicação: 2018-07-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Augusto Bezerril

O futuro começou. Ao menos é o que sinalizam a Confederação das Indústrias (CNI) e Senai durante as olimpíadas do conhecimento. Você imaginou entrar em uma loja e não precisar experimentar nada para saber se uma peça serve? A roupa vai caber porque será feita especificamente para você, com as cores, estampas e modelos que você escolheu. A novidade (ou realidade) é promessa das tecnologias da Indústria 4.0 (atenção à nomenclatura usada pela indústria) aplicadas à moda: maior autonomia e poder de customização ao consumidor. Na planta 4.0 do Senai/Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil (Cetiqt), baseado no Rio de Janeiro, não só mostra como isso funcionará na prática, como dá uma prévia da agilidade que o processo pode ter. Apenas 30 minutos separam um pedido feito de uma peça pronta.

A customização simulada pelo Senai nas Olimpíadas do Conhecimento
A customização simulada pelo Senai nas Olimpíadas do Conhecimento

A experiência começa na loja. Um espelho virtual, criado com recursos de um videogame, reconhece as medidas e o tônus muscular do cliente, com a ajuda de um robô. Na tela, o consumidor escolhe o modelo da peça, a cor e tem a possibilidade de misturar estampas em diferentes padrões. Até assinar a peça é possível. Produto escolhido, toda a informação da peça vai direto para a fábrica por meio de um QR Code. As máquinas utilizadas na planta 4.0 não são novidade para a indústria. “Impressora, calandra, máquina de corte e máquina de costura são equipamentos comuns nas fábricas. A diferença é que desenvolvemos maneiras de conectá-las.

A conversa entre elas automatiza e agiliza o processo”, explica Fernando Moebus, especialista em manufatura do Senai Cetiqt. Com base nas informações do cliente, começa a produção a partir da impressão da estampa desejada em um papel. Da impressora, o material segue para a calandra, onde a padronagem é transferida ao tecido branco por meio da sublimação – submetida a altas temperaturas, a tinta é liquefeita e tinge o tecido com precisão. O processo de feitura segue até se chegar ao “sob medida”. A moda volta, ironicamente, aos moldes clássicos dos alfaiates. O processo é finalizado após moldado segundo as medidas sugeridas pelo consumidor, por uma costureira.

O estilista Ronaldo Fraga, conhecido pelos desfiles na SPFW e curadoria e trabalho de coach para o próprio Senai, reflete sobre  a inovação com base no clássico alfaiate. “Acho muito legal quando a tecnologia, a serviço da vida, traz valores perdidos. A Indústria 4.0 é como uma volta à confecção sob medida, com cuidado com o corpo e a medida de cada um. Moda era assim lá atrás. A tecnologia faz pontes entre os tempos”, avalia. Amaro Sales, presidente da Federação das Industrias do RN (Fiern), Emerson Batista – Diretor Regional do Sebrae, e comitiva de dirigentes e empresários do RN prestigiaram o evento. Ponto indústria têxtil potiguar ao acompanhar os avanços na real.


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