Custos mais enxutos; salários menores em Natal

Publicação: 2017-06-18 00:00:00 | Comentários: 0
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O cenário de retração econômica implica em redução de custos por parte das empresas de forma geral e não somente em shoppings. Com isso, há casos registrados de profissionais de larga experiência, mas cuja mão de obra custa “caro”, que são substituídos por outros com perfis tão experientes quanto, mas que passam a receber a metade do salário de antes. Esse é um dos diagnósticos da situação do mercado de trabalho em Natal, de acordo com Wilson Moreira, diretor da Humanoser Recursos Humanos. "As empresas estão à procura de profissionais qualificados, mas que aceitem ganhar menos do que antes. E eles aceitam porque é isso que o mercado tem a proporcionar. E quanto mais qualificada a pessoa for, maiores as chances de sair com um emprego, mesmo que não tenha muitas vagas", avalia.

A assessoria que Wilson Moreira administra há 17 anos costumava encaminhar, antes de eclodir a crise econômica, aproximadamente 400 contratações por mês, a empresas do ramo de hotelaria e varejo em geral. Hoje, mesmo com o envio diário de 100 currículos por dia aos sistemas da Humanoser, o índice de contratações reduziu em 90%, estima o diretor. "Apesar da pequena reação do mercado de trabalho nesse ano, a crise política não ajuda a manter isso. O capital estrangeiro, por exemplo, que investe em hotelaria, ficou receoso e vedou qualquer tipo de expansão. Consequência disso é a não contratação. Temos, na verdade, uma estagnação no mercado".

Mas no varejo, o cenário ainda consegue ser, no mínimo, esperançoso para quem está em busca de emprego. Como exemplo, Wilson cita o investimento realizado por um grande grupo varejista de material de construção, em uma nova unidade no bairro Planalto, zona Oeste de Natal. Até a última terça (13), havia vagas para supervisão, auxiliar de serviços gerais, motorista, ajudante de motorista e operador de caixa. Mesmo assim, as perspectivas para o segundo semestre de 2017 não são animadoras no entendimento do assessor em RH, que considera as novas oportunidades de emprego que surgem como "atípicas".

"Daqui para o final do ano não vejo perspectiva de melhora. A maioria das empresas está demitindo. Tem cliente que me liga para recolocar candidato que encaminhamos há cinco anos atrás e que hoje está aceitando ganhar metade do salário. O cenário está feio", pontua.

Apesar dos pequenos avanços nos indicadores econômicos, estes não são, por si só, responsáveis por manter o mercado atrativo a investidores. Os incentivos fiscais às empresas são, para Wilson Moreira, fundamentais para garantir a instalação de novos postos de trabalho e evitar a evasão para outros estados. 

"Tinhamos um cliente, muito forte, que montaria um call center, para contratar 350 pessoas. Mas ele estava em duvida se iria para Fortaleza ou ficava em Natal. O incentivo maior veio do Ceará. Perdemos mais uma fatia de contratação. O Rio Grande do Norte não ajuda nesse sentido, não vejo nenhuma iniciativa", lamenta.

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