Da África fez-se um deus

Publicação: 2019-12-01 00:00:00 | Comentários: 0
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Alex Medeiros
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O maior jogador e atleta de Portugal foi deus e monstro, carrasco dos adversários e prodígio mítico que o futebol gera a partir de células olímpicas. Ganhou para sempre o codinome Pantera Negra, do jornalista inglês Desmond Hackett.

Eusébio não foi descoberto pelo craque brasileiro Bauer, como quer alguns. Na verdadeira História, ele é quem descobriu o futebol do Brasil. Queria ser Nenê, um craque da Portuguesa, quando jogava no time “Brasileiros”, em Moçambique.

Ainda menino suas façanhas alcançaram a Europa, via a caixa de ressonância que era Lisboa, onde já reinava o gênio de Mário Coluna, seu compatriota e ídolo. Nas rádios de Lourenço Marques, sua cidade, ele ouvia sobre Di Stefano.

O húngaro Bela Guttman, que viveu a fazer revoluções por várias partes do mundo - e que pôs o craque Zizinho, aos 35 anos, no São Paulo para garantir um título que não vinha há anos – foi quem confirmou a genialidade de Eusébio.

Em 1972, seis anos depois de Eusébio atropelar o Brasil em Liverpool, fui ao recém-inaugurado estádio Castelão para ver de perto a pérola negra de Lisboa, aquele que o ditador Salazar decretou “patrimônio da nação” para evitar contratos milionários.

Eusébio e seus patrícios massacraram a seleção do Equador na noite de 11 de junho por 3 x 0, um gol dele. De nada adiantou a compaixão daquele menino magricela com o jovem craque latino-americano chamado Coronel, já esquecido.

Poucas vezes alguém foi tantas vezes comparado a Pelé quanto o gênio lusitano. Ganhou a Bola de Ouro num tempo em que seus adversários eram Di Stefano, Beckenbauer, Puskas, Müller, George Best, Uwe Seeler, Dennis Law e Bobby Charlton.

Na Copa dos Campeões da temporada 1961/62, o Benfica jogava a final com o Real Madrid, uma máquina. O genial Puskas abriu 3 x 0, mas os galácticos foram vítimas do impossível: era Eusébio, que comandou a virada para 5 x 3.

José Craveirinha, um dos maiores poetas da África, viu a aurora do craque no subúrbio da atual Maputo, em Moçambique: “um príncipe de pés descalços, de característica voraz pela trave, que tinha o gozo do gol, o prazer do gol, a paixão do gol”.

Nas peladas da infância, Eusébio ganhou o apelido de “Magagaga”, que no dialeto landim, falado no bairro Xipamanine, significa “supersônico”. Diante da sua habilidade e agilidade, o tempo corria num passe de mágica dos seus dribles.

Juventus, Inter de Milão, Real Madrid e Vasco da Gama o desejaram. Ao perder a taça da Europa para o Benfica, Di Stefano insistiu para o time merengue contratá-lo. O mito argentino ficara fascinado com o talento daquela jóia do continente-mãe.

Eusébio compôs a seleção da Fifa no dia 23 de outubro de 1963, exatamente no dia do aniversário de Pelé, que um ano antes havia conquistado o bi-campeonato do Brasil. Sempre será comparado ao amigo, até nos gols. Fez 1.137, 49 a menos que o rei.

Outubro azul
O termo nada tem de campanha de alerta sobre saúde ou cuidados. É para registrar um dado que há tempos não acontecia no País. As contas do setor público, tão desprezadas pelos gestores pregressos, fecharam em alta.

Falsificação
Estarrecedora a chamada na capa do site do Estadão na tarde de sexta-feira, dando conta de que a maior quantidade de sites fakes são dedicados à venda de produtos naturais. Nada mais artificial do que enganar um naturalista.

Carne fraca
Ô troço complicado é militante. O preço da carne é a hashtag da vez na mimilândia, e até as tendências natureba e vegana estão ruminando. Deveriam comemorar a chance de converter novos carnívoros em seres mais puros.

Gugu Liberato
A última vez que eu vi todos os canais de televisão transmitindo ao vivo um velório foi há 25 anos, quando o mundo inteiro estava enlutado com a morte de Ayrton Senna. No sábado, canais abertos e fechados deram adeus a Gugu.

A Cigarra
“Aqui está um maravilhoso instrumento para o vosso lar... dois instrumentos em um. O novo Rádio-Victor e a Electrola juntos num bello móvel”. Texto de anúncio em edição de 1929 da revista A Cigarra, fundada por Gelásio Pimenta em 1914.

Canindé
Mais um livro do fotógrafo Canindé Soares em lançamento, dia 5, das 17h às 21h na Capitania das Artes. É “Litoral do RN”, onde em 139 páginas e 149 fotografias nos brinda com os melhores ângulos das nossas belezas praianas.

Poesia
O ex-vereador Leôncio Queiroz, que fez história com uma tática de comunicação de rua reivindicando melhorias para Natal, está com um livro virtual de poesias registrando preocupação com a vida. Título: Autofagia Social.

Quadras
Dois versos de Queiroz: “O contribuinte é o burro de carga / mas, não é o beneficiário / é um inocente útil, ingênuo / é o paga tudo solitário”. “A Metade do que ganha / dá para o Estado, é obrigação / não usufrui nada da Corte / e ainda o chamam de cidadão”.



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