Economia
Dólar fecha 2015 com alta de 48,9%
Publicado: 00:00:00 - 31/12/2015 Atualizado: 00:13:21 - 31/12/2015
Fernando Nakagawa
Correspondente

Londres (AE) - O dólar fechou o último pregão do ano em alta, numa sessão marcada pelo volume reduzido e pela briga na formação da Ptax, taxa calculada pelo Banco Central que serve de referência para uma série de contratos cambiais. O dólar avançou 1,95% ontem, a R$ 3,9601. No mês, a moeda norte-americana subiu 2,14% e no ano, 48,93%.
Há quem aposte que a moeda norte-americana atingirá a máxima de R$ 4,50 no terceiro trimestre e terminará 2016 em R$ 4,45
Grandes bancos internacionais apostam que o nível de R$ 4 para o dólar veio para ficar. Casas como o Morgan Stanley, HSBC, Barclays e Lloyds Bank dizem que qualquer alívio sobre a taxa de câmbio no Brasil será momentâneo e, assim, o dólar deve passar o novo ano na casa dos R$ 4. Entre os demais emergentes, há elevada expectativa de que o yuan chinês sofra nova desvalorização ao longo dos próximos 12 meses. Em meio às incertezas políticas e econômicas e com a firme aposta de que a recessão continuará em 2016, grandes bancos globais não veem espaço para a recuperação da moeda brasileira.

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"Esperamos que o real continue com desempenho pior que outras divisas emergentes em 2016. A correção já ocorrida foi grande, mas o crescimento continua fraco com apenas um pequeno sinal de ajuste estrutural", dizem os analistas de câmbio do Morgan Stanley. Para a casa, o dólar fechará o primeiro trimestre em R$ 4,20, atingirá a máxima de R$ 4,50 no terceiro trimestre e terminará o ano em R$ 4,45.

Pessimismo
O britânico Barclays também parece bem pessimista e cita até a chance de monetização da dívida pública - situação em que o dinheiro novo é emitido para pagar compromissos do governo.

"Os prêmios de risco estão prontos para subir mais diante da incerteza política e novas preocupações fiscais. Esperamos que o mercado precifique uma elevada probabilidade de monetização conforme o crescimento continue colapsado e o governo falhe em cortar gastos com a ausência de coesão política", diz o Barclays em análise sobre 2016. Por isso, a casa prevê dólar a R$ 4,20 no fim do primeiro trimestre e a R$ 4,50 no fim de dezembro.

Os analistas do Lloyds Bank são um pouco menos pessimistas. Eles reconhecem que as contas externas começam a reagir à alta do dólar, mas o movimento é insuficiente para virar o jogo.

Por isso, o banco nota que as incertezas políticas, a possibilidade de uma política fiscal mais frouxa e os respingos da alta do juro nos Estados Unidos manterão o real enfraquecido. "A depreciação adicional do real é necessária para restaurar a competitividade externa." O Lloyds prevê câmbio acima de R$ 4 em todo o ano, mas com taxa máxima mais comedida, em R$ 4,15, no segundo e terceiro trimestres.

O HSBC também tem cenário um pouco mais ameno e acredita que o dólar deve girar entre R$ 4,10 no primeiro trimestre e R$ 4,20 no decorrer do segundo semestre. Entre os emergentes, outra moeda que chama atenção é o yuan chinês. Após a inesperada depreciação anunciada por Pequim durante 2015, analistas acreditam que um novo movimento de desvalorização controlada deverá acontecer nos próximos meses diante da desaceleração da segunda maior economia do mundo.

IMPACTOS DA ALTA
Positivos: O Brasil fica “mais barato” e atrativo para os turistas estrangeiros, que chegam ao país com poder de compra maior. Para as empresas exportadoras, a alta da moeda também é boa e favorece a competitividade das vendas.

Negativos: Viagens dos brasileiros para o exterior ficam mais caras e produtos importados também tendem a pesar mais no bolso do consumidor e de empresas que usam insumos importados.

Fundos aproveitam o efeito da moeda valorizada
São Paulo (AE) - A alta de quase 50% do dólar ao longo de 2015 assustou quem tinha viagem marcada ao exterior e satisfez aqueles que conseguiram aproveitar a escalada da moeda. No segundo grupo estão os investidores dos fundos cambiais e os multimercados. "Os multimercados se beneficiam de movimentos como o que ocorreu com o câmbio. Os gestores atentos apostaram no dólar neste ano", diz o diretor da Claritas Investimentos Ernesto Leme.

Para 2016, a tendência da moeda americana ainda é de valorização "O dólar deve continuar subindo no próximo ano, mas não na intensidade de 2015", avalia o superintendente de estratégia de mercado da Bradesco Asset Management, Carlos Rocha.

A volatilidade deve continuar e, por isso, os multimercados figuram entre as apostas dos gestores. "Os multimercados têm quase uma responsabilidade de tirar proveito dos movimentos, seja ele em taxas de juros ou em câmbio. Uma forma de você se proteger da alta do dólar seria por desses fundos", afirma Eduardo Levy, gestor da Rio Bravo Investimentos.

Além de investir em moedas, tal categoria de fundos pode alocar parte da carteira em ativos no exterior e, assim, ficar atrelada à variação cambial. Pela instrução 555 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), subiu para 20% o limite que os fundos de varejo podem aplicar no exterior. No caso de investidores com ao menos R$ 1 milhão, o porcentual sobe vai a 40%.



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