Dólar fecha abaixo dos R$ 4 pela 1ª vez desde agosto

Publicação: 2019-10-29 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
São Paulo (AE) - Pela primeira vez desde 15 de agosto, o dólar à vista encerrou abaixo dos R$ 4 e também no menor nível desde então. No fechamento, a moeda marcou R$ 3,9925 (-0,38%). Na mínima intraday, foi a R$ 3,9734 (-0,86%). A queda é alinhada ao desempenho da moeda americana ante as pares de economias emergentes e também do Dollar Index (DXY), índice composto por seis moedas de países desenvolvidos. As perspectivas mais positivas sobre o confronto entre os gigantes do comércio global - China e Estados Unidos -, somadas a uma trégua no conflito sobre o Brexit, apoiaram o aumento do apetite a risco global. Um indicativo desse movimento é a nova queda do Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil, um termômetro do risco-País, que era negociado nesta segunda-feira a 119 pontos. Na sexta-feira, o CDS fechou a 121 pontos. As cotações são da IHS Markit.

A expectativa de ingresso de milhões de dólares com o leilão do pré-sal também influi na queda
A expectativa de ingresso de milhões de dólares com o leilão do pré-sal também influi na queda

Também apoia o movimento a expectativa com o ingresso de dezenas de milhões de dólares com o leilão da cessão onerosa do pré-sal, programado para novembro. Em Riad, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a Arábia Saudita deve participar do leilão, em novembro. Assim como fez na China, ele vai reforçar o convite aos sauditas na visita iniciada nesta segunda. "Todo o mundo está interessado no leilão do pré-sal", declarou o presidente.

"As tensões lá fora arrefeceram. O entendimento entre Estados Unidos e China dá uma dose de alívio para o mercado, assim como o andamento do Brexit", afirmou o operador da H.Commcor Cleber Alessie Machado Neto. Para o profissional, a aprovação da reforma da Previdência na semana passada também gera um alívio no mercado doméstico, que aguarda a decisão sobre a PEC paralela.

Sobre a Argentina, Machado Neto afirmou que ainda "é cedo para fazer uma leitura sobre o resultado da eleição" do último domingo. "O governo brasileiro afirmou que vai esperar para ver qual caminho o novo governo vai adotar. Nesta segunda, os mercados não estão penalizando os ativos argentinos, como aconteceu após a primária. Não vejo por enquanto novo motivo para mau humor", disse o operador da H.Commcor. Na avaliação do diretor da consultoria Portfolio Personal Inversiones (PPI), Lucas Gardiner, a transição de poder até 10 de dezembro na Argentina tem "probabilidade alta" de não ser caótica.

O Índice Bovespa iniciou a última semana de outubro registrando novos recordes, garantidos pela combinação entre o apetite por risco no mercado internacional e a percepção de um cenário doméstico mais benigno para o mercado de ações nos próximos meses. Em alta desde a abertura, o principal índice da B3 terminou o dia aos inéditos 108.187,06 pontos, com ganho de 0,77%. Os negócios somaram R$ 14,9 bilhões.

Os ganhos foram puxados principalmente pelas blue chips do setor financeiro e da Petrobras, que acumulam valorização bem superior à do Ibovespa em outubro. Enquanto o índice registra alta de 3,29% no período, a ação preferencial da petroleira estatal contabiliza 7,44% e a ação preferencial do Bradesco, por exemplo, acumula 12,52%.

Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos, destaca a queda do dólar ao patamar inferior a R$ 4,00, em meio à expectativa de ingresso de recursos externos ao País com o leilão da cessão onerosa marcado para o próximo dia 6. Há, ainda, a aposta em novo corte de juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decide sobre a taxa Selic na quarta-feira (30). À espera dos efeitos positivos do afrouxamento monetário, as ações do setor imobiliário subiram acima da média do mercado, como mostra o Índice Imobiliário (IMOB), que subiu 1,15% no dia, levando o acumulado do ano a 40,7%, contra 23,1% do Ibovespa.

"Se o País continuar a avançar nas medidas de mudança estrutural, a tendência é uma melhora na atratividade do Brasil ante outros mercados", afirmou Beyruti.





continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários