Dólar supera a barreira dos R$ 4 e bolsa de valores cai

Publicação: 2019-05-17 00:00:00
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Depois de sucessivos ensaios nos últimos dias, o dólar rompeu definitivamente o teto dos R$ 4 na sessão desta quinta-feira, 16, em meio ao fortalecimento global da moeda americana e, sobretudo, a busca por proteção diante da deterioração contínua do capital político do presidente Jair Bolsonaro. Com mínima de R$ 3,9947 e máxima de R$ 4,0416, o dólar à vista fechou em alta de 0,98%, a R$ 4,0357, o maior valor de fechamento desde 28 de setembro do ano passado. E as perspectivas de operadores e analistas, são de que a taxa de câmbio se mantenha acima de R$ 4 no curto prazo.

Créditos: DivulgaçãoMoeda norte-americana atingiu ontem sua maior cotação desde 28 de setembro do ano passadoMoeda norte-americana atingiu ontem sua maior cotação desde 28 de setembro do ano passado
Moeda norte-americana atingiu ontem sua maior cotação desde 28 de setembro do ano passado

A corrida ao dólar começou já na abertura dos negócios em meio à conjunção de alta da moeda americana no exterior e ao aumento das tensões políticas. À surpresa com a magnitude dos protestos de rua na quarta-feira, 15, contra o contingenciamento da educação somaram-se às preocupações com os desdobramentos da quebra do sigilo do senador Flávio Bolsonaro, aparentemente envolto em transações suspeitas com imóveis.

As declarações de Bolsonaro, que chamou manifestantes de idiotas, e a piora da situação fiscal, com o governo sem forças nem para aprovar com facilidade crédito suplementar, completavam o quadro de desalento. Um presidente com capital político erodido e sem base de apoio no Congresso significa dificuldades enormes para aprovação de uma reforma da Previdência robusta, ponto considerado essencial para retomar a confiança e consequente recuperação da economia.

“Não se sabe se vai demorar muito mais para a aprovação da reforma da Previdência e qual vai ser a desidratação. Isso faz o mercado tomar uma postura mais defensiva", afirma Felipe Pellegrini, gerente de Tesouraria do Travelex Bank, ressaltando, contudo, que a piora das perspectivas para a economia também contribuem para depreciação do real. “Antes era só a questão da Previdência. Agora, temos a projeção de PIB muito fraco e essa questão dos protestos. A tendência é de alta do dólar no curto prazo."

Ao quadro interno turbulento somava-se a rodada de alta global do dólar após dados positivos da economia americana, com fortes ganhos ante o euro e a maioria das divisas emergentes. O Índice DXY - que compara o dólar a uma cesta de seis moedas - subiu 0,27%, em dia de perdas do euro. A moeda americana também apresentou ganhos firmes em relação a divisas de países emergentes, com destaque para a lira turca e o rand sul-africano

O real já apresentava o pior desempenho entre moedas emergentes ao longo da tarde quando uma pesada onda de ações da Vale, que alertou para risco de rompimento de barragem em Minas Gerais, levou o Ibovespa a perder os 90 mil pontos e agravou a tensão no mercado de câmbio. Com as vendas na bolsa, o dólar engatou uma sequência de alta e renovou sucessivas máximas até atingir R$ 4,0416. Operadores notaram movimentos técnicos de liquidação de posições vendidas e aumento da procura de hedge no fim da tarde, no ápice do nervosismo.

Apesar do estresse dos últimos dias, analistas não veem motivo para intervenção do Banco Central, já que não há disfuncionalidades no mercado de câmbio e já há provisão de hedge por meio de rolagem de swap cambial.

Bovespa 
Em mais um dia de queda o Índice Bovespa atingiu seu menor nível em 2019 nesta quinta-feira, 16. Ao final dos negócios, o índice marcou 90.024,47 pontos, com queda de 1,75%. Os negócios somaram R$ 16,7 bilhões, o maior em mais de um mês.