Da retórica

Publicação: 2019-11-17 00:00:00 | Comentários: 0
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

coluna
O exercício da palavra - só para homenagear o título do livro da poetisa Zila Mamede - viveu dias de pouca glória na semana que passou. Aliás, Senhor Redator, sendo justo com as mazelas deste tempo em que vivemos, a arte da retórica fugiu da fala política do Rio Grande do Norte já faz algum tempo. Ficamos caídos pobremente no resmungo e na tartamudez que, de vez em quando, afloram nos nossos deputados e vereadores sem um brilho de expressão.   

Digo sempre - hábito ou vício, como queira - do tempo passado, quando a palavra era a arma do homem público: declarar bem - e fui repórter ouvindo muitos deles - tinha o poder de um disparo. Consagrava o dito ou destruía com o não dito. Hoje, nos quase desertos de talento no quais se transformaram os plenários da Assembleia e Câmara, talvez fosse melhor a mudez do aparelho fonador a usá-lo como se sua fisiologia fosse feita para a emissão de urros. 

O bloqueio dos que protestaram fechando a entrada da Assembleia é resultado muito mais do sentido louvaminheiro que hoje besunta as homenagens, numa acintosa desafinação com a sociedade. Se era justo, não era a hora. Nem aquela casa que se proclama a Casa do Povo, e só se transpõe seus umbrais pelo voto, pode deixar de auscultar o sentimento popular. É o que impõe a sensibilidade política, mesmo que não esteja previsto no regimento interno.

Não é de boa conduta o Poder Legislativo, em todos os níveis, das câmaras municipais ao Senado, fechar os olhos e ouvidos às vozes das ruas. Foram elas, a rigor, que derrubaram Fernando Collor e Dilma Rousseff, legitimaram seus sucessores, condenaram Lula e elegeram Jair Bolsonaro. É erro pensar que o poder se exerce sem as ruas. Fosse assim, Evo Morales, o impávido, estaria no seu Palácio, com os seus soldados, não no asilo, a temer a própria morte.

Parece exagero. Não é. O que gerou a inoportuna homenagem ao ex-deputado Rogério Marinho, embora legítima como proposta, é que pareceu acintosa, daí a reação. E a exposição em hora inadequada da Assembleia Legislativa que vem de uma trágica trajetória ao aprovar para os poderosos um aumento de 16,38%, a inflação nos últimos quatro anos, desprezando a grande maioria - os que estão sem aumento há dez anos, aqueles entre um e três mínimos.

   De costas para a sociedade, e tola na forma de ser poder, a Assembleia, na sua pobre servidão sem medidas, virou o para-choque da governadora Fátima Bezerra. Desde o segundo turno da eleição, quando planejou e dividiu-se ao meio, cabendo ao atual presidente, deputado Ezequiel Ferreira, apoiá-la e, ao deputado Gustavo Carvalho, a bandeira do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves. Toda tempestade é fruto do plantio dos ventos que varrem as boas fronteiras.  

LUTA - O plenário da Câmara Municipal só põe em pauta o Plano Diretor no início do ano legislativo de 2020. Terá no presidente Paulinho Freire o articulador empenhado em aprovar.

FRATURA - A governadora Fátima Bezerra já sofre divisões em pelo menos dois sindicatos insatisfeitos com sua articulação contra o aumento dos menores salários. As reações aquecem.

IPTU - Os tributaristas municipais já sabem: o reajuste do IPTU que logo mais começa a cair nas mãos dos natalenses não poderá exceder ao percentual da inflação. Elevar seria um risco.

LIVRO - O prefeito Álvaro Dias, mesmo nas poucas horas disponíveis na sua agenda muito intensa, vem escrevendo um livro na área da história. Mas evita dizer qual é seu tema central.

SÉCULO - Será terça-feira dia 19, às 17h, o início da programação comemorativa dos cem anos de Oswaldo Lamartine. Palestra e mesa sobre sua vida e obra na visão dos seus leitores.

ESTILO- A Arquidiocese não convidou os arcebispos eméritos para celebrarem durante os dias da novena de N. S. da Apresentação, padroeira de Natal. Falta lhaneza ou sobra vaidade?

TUTORES - Título da matéria de cinco páginas da revista Época sobre o poder dos generais no governo de Jair Bolsonaro: “Tutores em baixa”. Com texto assinado por Ana Clara Costa.

DETALHE - No texto os generais foram o anteparo, “hoje têm como destino obediência ou a queda”.  Chamada da capa de Época, ilustrada com coturno militar: “O declínio dos generais”.

PESQUISA - O historiador natalense Manuel Neto, credenciado pelo Instituto Histórico, foi recebido, em Lisboa, pelo Chefe da Divisão de Comunicação e Acervo do Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Vai pesquisar em documentos autênticos da chegada de Cabral ao Brasil.

ACERVO - Na sua visita, teve o cuidado de levar seu livro e os livros de Lenine Pinto, além de publicações da revista do Instituto Histórico. Neto vai mergulhar nos arquivos da Torre do Tombo, além dos arquivos de Belmonte, terra de Cabral. Deve retornar ao Estado até dia 30.

PLACAS - O Instituto Histórico ainda espera autorização da representação local do Instituto do Patrimônio para instalar as placas voltaicas do painel gerador de energia solar para atender à demanda da instituição e economizar despesa diante de um orçamento interno muito restrito. 





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