Dízimo, sinal de conversão para toda a Igreja

Publicação: 2020-09-18 00:00:00
Dom Jaime Vieira Rocha
Arcebispo de Natal

Prezados leitores/as,
Neste tempo turbulento em que vivemos, tempo de perdas, de preocupação com os nossos irmãos e irmãs, de modo especial, os mais vulneráveis e considerados de risco, por causa da pandemia, o nosso olhar se volta, com espírito de consolação, mas também, de gratidão a todos os fiéis católicos. E neste mês de setembro, mês dedicado ao Dízimo, em nossa Arquidiocese, o olhar é de gratidão pela generosidade, pela fidelidade e pela perseverança na entrega do dizimo. Temos uma caminhada de “Pastoral do Dízimo” que está se encaminhando para a comemoração de 25 anos de existência, de organização, de dinâmica e de crescimento.

O Dízimo não é um pagamento, nem tampouco uma troca financeira em prol de uma graça. Dizimo significa oferta, doação, gratuidade. Este ano a Pastoral do Dízimo é convocada a refletir o tema: “Dízimo: conversão pastoral e missionária”, e o lema: “Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto” (Jo 15,5). Fazer a experiência do dízimo significa dar um outro sentido ao dinheiro, às posses, aos bens. Sabemos como o Senhor Jesus deseja de nós uma vida de liberdade diante das coisas que possuímos. Não somos amados por termos posses, porque somos ricos ou porque somos santos. O amor de Deus por nós é gratuito e sua razão de ser encontra-se no próprio Deus. Um grande santo, doutor da Igreja, São Bernardo, afirmava: “A causa pela qual Deus há de ser amado é o próprio Deus; o modo é amar sem modo” (SÃO BERNARDO. De diligendo Deo, I,1). Deus não nos ama porque somos santos e belos; somos santos e belos porque Deus nos ama. Essa gratuidade do amor de Deus por nós deve ser a grande marca de nossa fé, de nossa espiritualidade e do nosso discipulado missionário. Por isso, nunca é demais renovar a mensagem da conversão, e que ela deve ser pastoral e missionária. Um coração convertido se torna sempre um coração generoso. Um coração que dá frutos.

Nas suas dimensões é possível ver que “o dízimo está profundamente relacionado à vivência da fé e à pertença a uma comunidade eclesial”: Dimensão religiosa: a vivência da fé e pertença a uma comunidade eclesial. Tem a ver com a relação do cristão com Deus; Dimensão eclesial: a consciência de ser membro da Igreja e corresponsável, para que a comunidade disponha do necessário para a realização do culto divino e para o desenvolvimento de sua missão; Dimensão missionária: permite a partilha de recursos entre as paróquias de uma Diocese e entre dioceses, manifestando a comunhão que há entre elas; Dimensão caritativa: “é uma dimensão constitutiva da missão da Igreja e expressão irrenunciável da sua própria essência”.

Minha mensagem de gratidão se torna também apelo à confiança no bom Deus. Ele nunca nos abandona. Antes, enche nossa vida de frutos e bençãos. Ao celebrar o mês do Dízimo, em setembro, e, de modo especial, o Encontrão do Dízimo no dia 20, nossa ação de graças por todos os dizimistas de nossa Arquidiocese, por todos os agentes da Pastoral do Dízimo. Que todas as suas dimensões: religiosa, eclesial, missionária, caritativa, animem o trabalho pastoral e que ele seja sinal de fé e de conversão.

Convido a todos, neste tempo de muita preocupação e de reflexão, a escutar o ensinamento do nosso Papa Francisco. Ele nos mostra que é preciso voltar à dimensão contemplativa. Seria muito bom que, ao lado das dimensões já apresentadas, a Pastoral da Dízimo se deixasse invadir pela “dimensão contemplativa”. Ela significa “antídoto” contra a doença do egoísmo, do pensar somente em si, de pensar no “eu’ e esquecer do “nós”. A dimensão contemplativa do dízimo pode levar-nos à conversão, isto é, entendermos que devemos sempre cuidar. Contemplar para cuidar, eis o apelo do Papa que quero transmitir a todos os fiéis católicos, dizimistas e agentes da Pastoral do Dízimo.






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