Dança, desejo e tragédia amarrados pelo movimento

Publicação: 2019-06-30 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
A Companhia de Dança Deborah Colker apresentará em Natal um dos clássicos de seu próprio repertório, o espetáculo “Nó”, dia 06 de julho, no Teatro Riachuelo. Essa coreografia foi originalmente lançada em 2005, na Alemanha, e não tinha montagem desde 2012. Deborah Colker define a peça como “a tragédia e a complexidade dos impulsos humanos”. O tema de “Nó” é o desejo.

O “Nó” que será apresentado agora não é exatamente o mesmo do antigo. Há mudanças cenográficas, a trilha sonora ganha mais temas compostos por Berna Ceppas, e a música “Carne e Osso”, da banda Picassos Falsos, embala um duo romântico. As modificações que Deborah realizou na coreografia são frutos de seu amadurecimento nos últimos 13 anos.
Os bailarinos se movimentam entre 120 cordas que representam seus laços afetivos, utilizando técnicas de bondage e acrobacias
Os bailarinos se movimentam entre 120 cordas que representam seus laços afetivos, utilizando técnicas de bondage e acrobacias

O primeiro ato começa com uma árvore no centro do palco. São 120 cordas, representando laços afetivos. Os bailarinos as soltam aos poucos, até que se assemelhem a uma floresta. Eles se valem de técnicas como a bondage (uso de cordas para controle da dor e do prazer). “No primeiro duo, o homem amarra a mulher por escolha dela. Dominação e submissão estão presentes na consciência plena de ambos. Não há liberdade sem dor, não há prazer sem consciência”, afirma Deborah.

No segundo ato, a companhia dança dentro e em torno de uma grande caixa transparente criada por Gringo Cardia, diretor de cenografia. Se as cordas apontam para a natureza, a caixa evoca o mundo urbano. “O desejo e os enigmas começam no corpo e saltam para fora da forma que conseguem”, disse a coreógrafa, que tem o irmão Flávio Colker na codireção.  “O corpo é o lugar do desejo. E o corpo erotiza quando dança. Nó tem essa liberdade, mas só agora, 13 anos depois da estreia, é que me sinto mais segura para tratar disso”, disse.

Na trilha sonora da primeira parte, além de criações de Berna Ceppas e Kassin, há trechos de Ravel e Alice Coltrane. Na segunda estão preciosidades como “My One and Only Love”, com Chet Baker; “Coisa no 9”, de Moacir Santos; e “Preciso Aprender a Ser Só”, de Marcos Valle e Paulo Sergio Valle, na voz de Elizeth Cardoso. Os figurinos, que transmitem erotismo e também delicadeza, são do estilista Alexandre Herchcovitch.

Serviço
“Nó”, de Deborah Colker. Dia 06 de julho, no Teatro Riachuelo. Assinante da TN tem 50% de desconto em até dois ingressos.



continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários