Dança para alemão ver

Publicação: 2011-03-04 00:00:00
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Yuno Silva - repórter

A todo momento temos conhecimento de exemplos que comprovam o potencial da cultura potiguar, seja na música, no teatro, na literatura, na dança ou nas artes visuais... São talentos que superam qualquer dificuldade e que, com a mesma desenvoltura, transitam dos becos da Ribeira até as alamedas européias sem tropeços. Para reforçar a boa fase das artes potiguares, os holofotes iluminam a Escola de Dança do Teatro Alberto Maranhão, que acaba de retornar à Natal após sua primeira viagem para fora do país. Entre os dias 11 e 23 de fevereiro, a professora Wanie Rose e oito bailarinos da EDTAM estiveram em Berlim, Alemanha, participando da oitava edição do Festival Internacional de Dança Tanzolymp, que reuniu 600 participantes de 30 países. Os bailarinos que atravessaram o Atlântico foram Charles Damásio, Gabriela Gorges, Gustavo Santos, Juarez Moniz, Lucas Cavalcante, Margoth Lima, Natália Negreiros e Tházio Menezes.

Os bailarinos da EDTAM foram da rapadura ao caviar. Depois de passar o chapéu para arrecadar fundos para viagem a Berlim, grupo foi um dos escolhidos a participar da noite de gala do Festival Internacional de Dança Tanzolymp“Recebemos o convite após participar, em julho do ano passado, do 18º Passo de Arte em Indaiatuba (SP), onde Oleksi Bessmertni, organizador do evento na Alemanha, participou como jurado”, disse Wanie Rose. Experiente, Wanie não esperou a transição do Governo estadual e já foi se preparando para viabilizar a própria viagem: “Assim que confirmamos o convite, começamos a levantar recursos”, lembrou a professora. Além da EDTAM, outras três companhias brasileiras participaram do evento: Ioa Cia de Dança (Jundiaí, SP); Malosá Cia de Dança (São Paulo); e Vórtice Cia de Dança (Uberlândia, MG).

A maratona rumo à Europa incluiu espetáculos beneficentes, rifas, bazar, doações, parcerias com outros artistas. “Passamos o chapéu quando nos apresentamos no Buraco da Catita, fizemos uma participação no Circo Grock, conseguimos desconto na passagem aérea... artista apoiando artista”, alegra-se.

A EDTAM levou para Berlim três coreografias: “Uma barata só faz verão” e “Éramos cinco, em um 5x5, na Figueiredo Magalhaes”, ambas de Clébio Oliveira; e “Eu, vós e eles”, coreografia de Juarez Moniz. “A troca de experiências foi muito proveitosa, e saímos de lá com o prêmio máximo na categoria Conjunto de Dança Moderna, pelos três trabalhos apresentados”, informou Rose. Nesta categoria, os potiguares disputaram com grupos de 13 países, cada um com três coreografias que totalizavam 12 minutos.

“Fomos os únicos premiados a se apresentar na noite de gala, a mais importante do festival, quando nos apresentamos para todos os jurados”, acrescentou. Wanie Rose ainda vai voltar para a Alemanha em abril,  para participar do Festival Move Berlim: “Essa participação já estava acertada antes da EDTAM receber o convite do Tanzolymp. Em 2009, recepcionei um curador que esteve em Natal para conhecer o trabalho de companhias potiguares, e acabei convidada para ministrar uma palestra sobre a dança no RN”, disse. “Mas o convite só foi confirmado em novembro do ano passado”.

O Gira Dança também recebeu convite para o Move Berlim. O grupo potiguar capitaneado por Anderson Leão irá levar para a capital alemã os trabalhos “A Cura” e “Corpo Estranho”.

Wanie Rose apresentou duas propostas de palestra, uma abordando o ensino da dança e a produção artística em Natal; e outra sobre a EDTAM e seu potencial para exportar talentos.

“Temos diversos bailarinos que começaram aqui conosco e hoje estão nos Estados Unidos, na Alemanha, na Escola Bolshoi em Joinville (SC)”, orgulha-se a professora.

Escolas de artes

Wanie Rose também participa de um grupo, convocado pela Fundação José Augusto / Secretaria Extraordinária de Cultura, encarregado de formatar o projeto de criação da Escola Potiguar das Artes, que irá reunir a Escola de Dança do Teatro Alberto Maranhão, o Instituto de Música Waldemar de Almeida, o Centro Experimental de Teatro e o a Escola Cândido Portinari, que estará retomando suas atividades.

A Escola Potiguar de Artes e Cultura terá cursos técnicos de música, dança, teatro, artes visuais, desenho e arte tecnológica.

“É uma grande conquista, há tempos precisávamos desse reconhecimento, dessa regulamentação. No início de janeiro a professora Isaura Rosado (FJA/SEC) entrou em contato para iniciarmos esse trabalho. Será muito importante para a EDTAM, e as outras instituições, ser reconhecida pelo Ministério da Educação como curso técnico nível médio. Até agora apenas conferíamos experiência, mas não tínhamos esse reconhecimento. O aluno, até então, saía daqui sem um título, sem um certificado válido nacionalmente”, explicou Rose.

Dentre os benefícios, os alunos terão acesso a material didático especializado e grade curricular complementar com aulas de Balé Clássico, danças Moderna e Contemporânea, História da Dança, Teoria Musical, Interpretação, Composição Coreográfica, entre outras. A Escola Potiguar de Artes vai funcionar no prédio da Fundação José Augusto, no Tirol. “Essa é uma das do Plano Nacional de Cultura: investir na formação.  Estaremos vestindo estas escolas, da formalidade exigida pelo Ministério da Educação”, avalia a professora Isaura Rosado, secretária Extraordinária de Cultura.

Serviço

Agenda EDTAM em março: . dia 23, aniversário da Casa da Ribeira; . dia 24 aniversário do TAM; . dia 26 evento Miss RN em Mossoró