"Das Máximas, a Menor"

Publicação: 2018-09-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Sâmela Gomes
Presidente da Universidade Potiguar e da Faculdade Internacional da Paraíba

Talvez não tenhamos, nestes dias, falado de outra coisa senão sobre política. Não é para menos; o Brasil vive uma crise como não se via há bastante tempo e que atinge a todos nós, cidadãos, que – com ou sem Portugal como destino – queremos um futuro melhor para este país. Não tenho dúvidas sobre as “boas intenções” por detrás das escolhas dos candidatos, independente da perspectiva ideológica. Não acredito, sinceramente, que alguém pense “vou votar em fulano(a) porque quero ver o país numa crise maior, quero mais desesperança, quero o pior para todos”. Nosso desafio reside em responder uma simples pergunta: de que perspectiva partimos para chegarmos ao nosso entendimento sobre o que estamos considerando “bom” para o Brasil? 

Existe uma velha lei da física, chamada a Terceira Lei de Newton que afirma que a toda ação corresponde uma reação de igual intensidade, mas que atua no sentido contrário; resumindo, temos a máxima que diz: toda ação corresponde a uma reação.

A História (embora existam alguns que afirmem que historiadores devem ser deixados de lado) nos mostra que esta lei se aplica também aos movimentos históricos da sociedade. Vejamos por exemplo, a Segunda Grande Guerra; imediatamente depois dela, vimos surgir (1)A expansão econômica ou o boom econômico pós-guerra, um período de prosperidade econômica, que ocorreu principalmente em países ocidentais e que durou entre 50-70. (2)A pós-modernidade, como um conceito geral de sociologia histórica que se relaciona tanto à condição sociocultural, como também à estética e à expressão cultural, após a queda do Muro de Berlim, o colapso da União Soviética e a crise das ideologias nas sociedades ocidentais no final do século XX, que teve como principal eixo discursivo a não mais referência à razão como uma garantia de compreensão do mundo, através de esquemas totalizantes. (3)A revolução sexual, que desafiou os códigos tradicionais de comportamento, ocorrendo em todo o mundo ocidental entre 60-70 e que desencadeou aceitações como o sexo sem obrigação de casamento, a contracepção, a pílula, a  normalização da homossexualidade, entre outros. Assim, se observarmos atentamente, um evento com grande força de coerção, violência e terror, como uma guerra de enormes proporções, fez surgir uma contra força, baseada em mais liberdade de expressão, de costumes e de comportamento.

Contudo, no mundo todo, assistimos atualmente o crescimento de movimentos que agora lutam contra essa mesma força que se criou após a Segunda Guerra. No Brasil, isso ficou diretamente e de forma errônea, associada aos “partidos de esquerda”, por quem não entende, por exemplo, o sentido da palavra “liberal”, nome do partido que elegeu Obama nos Estados Unidos e que ninguém com conhecimento suficiente se atreveria a dizer que é comunista.

Infelizmente, junto a uma “busca do passado”, num movimento retrô em que se sente saudade até de uma ditadura, também existe uma vontade de externar ódio, terror e morte aos adversários (com “doses de psicopatia”), de “esquerdas e direitas cegas” que fariam tremer Hitchcock. Essa soma de fatores, travestida de “boas intenções” é bastante perigosa, que nos faz abrir mão de princípios liberais, libertários e que foram uma evolução na área de costumes, em busca de sociedades mais equilibradas. E que nada tem a ver com os candidatos, de direita ou esquerda, soltos ou presos.

Das frases de efeito e Máximas que se usa atualmente, me preocupa a menor: “Quem ama o feio, bonito lhe parece”. Estamos precisando, e logo, de novos espelhos.






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