Das ruínas

Publicação: 2019-08-15 00:00:00 | Comentários: 0
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

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Agora que o vendaval de paixões já passou e não há o risco, mesmo tolo, de acordar a ira dos heróis a favor, esse tipo líquido que toma a forma dos fortes, e para quem a primeira função da propriedade não é social, como diz a lei, é hora de lembrar o sentido imaterial das ruínas. Se antes eram prisioneiras do inútil e vistas como prejuízos ao futuro, hoje poderão voltar, quem sabe, aos olhos de Georg Simmel, filosofo alemão que foi um dos seus estudiosos.

Adianta pouco, certamente. Afinal, para eles, o que valeria a defesa de um dos maiores filósofos do seu tempo, inclusive autor de um clássico sobre o dinheiro? Se definem limites à liberdade de pensamento e de opinião, se eles são os grandes lanceiros do pragmatismo e os alabardeiros da dominação? Não insistirei no ensaio de Simmel sobre a estética das ruínas. Pra quê? Se não acreditam na paz e na solidão, se logo diriam que é frescura inútil para a vida?   

Ainda bem que num passado não muito distante - as forças invisíveis e estranhas eram certamente outras - alguns não pensaram assim. Fiz longa matéria numa das edições de O Poti, jornal que naquele tempo liderava fortemente o mercado, sobre o passado de esplendor vivido nas ameias ogivais do Hotel Bela Vista, então em ruínas. Tão inservível quanto as ruínas que hoje causam incômodo. O texto acabou sendo o folder quando da solenidade de reinauguração.

A matéria, quem sabe, pode ter contribuído de alguma forma. O fato relevante é que o então presidente da Fiern, depois senador e ministro Fernando Bezerra, topou o desafio e fez o Bela Vista, como uma Fênix, ressurgir das cinzas. Hoje o Bela Vista garante toda a harmonia arquitetônica daquele lado da Junqueira Aires. Depois, Woden Madruga, quando na presidência da Fundação José Augusto, livrou das ruínas o casarão ao lado, hoje centro de documentação.

Antes, bem antes, Sanderson Negreiros também presidia a Fundação José Augusto e como era um homem de verdadeira e sólida cultura, restaurou o Centro de Turismo, aquele que servira de Detenção. Abandonado e em ruínas, renasceu e hoje é o que o trade chama de um equipamento indispensável ao turismo. Valério Mesquita refez o Ferreiro Torto e as capelas antigas de Macaíba, apoiado pela Fundação Roberto Marinho, e ele, Marinho, veio inaugurar. 

Fica demonstrado, pois, nesta aldeia inculta e bela, que as ruínas agonizam numa paz de profunda solidão. Às vezes, como aqui, são levadas por desprezo e insensibilidade e se tornam um incômodo. É preciso sepultá-las na sua própria história, um lugar de onde a vida se retirou para nunca mais voltar. E o que faremos com os gestos de grandeza dos que perceberam que era possível soprar vida no silêncio triste do abandono? Ah, como é pobre uma terra sem líderes!

ESTILO - A secretária da administração, Virgínia Ferreira, mostrou todo o timbre do seu estilo diplomático ao classificar os possíveis absurdos na folha de pessoal como só ‘inconsistências’.

JAULA - Virgínia sabe, observando há mais de seis meses a folha de pessoal, que quando abrir a jaula vai encontrar feras, monstros e monstrinhos de uma fauna nada fácil de ser dominada.

ANTOLOGIA - A União Brasileira de Escritores do Rio Grande do Norte está organizando uma antologia de contos e crônicas. O livro deve chegar aos leitores neste segundo semestre.

HISTÓRIA - Uma tese de dourado, já concluída, vai resgatar a famosa Questão de Limites, o conflito de terras do Rio Grande do Norte com o Ceará em torno do hoje município de Grossos.

DETALHE - Além de recuperar os originais do processo, o livro vai mostrar a atuação de Ruy Barbosa como o advogado do Rio Grande do Norte ao lado do historiador Tavares de Lyra.

SINOS - As fontes ligadas aos trâmites da Arquidiocese indicam que virão mais mudanças de párocos, administradores paroquiais e vigários. Nos últimos sete anos já são mais de 270 atos.

ALIÁS - Um padre em Natal já foi transferido quatro vezes na gestão episcopal de D. Jaime. Na Arquidiocese de Nossa Senhora da Apresentação parece que tem céu, purgatório e inferno.

FILME - Cresce, com todo o prestígio junto à secretaria de obras, a boca de pilão no encontro da Av. Hermes da Fonseca e a Rua Potengi. Além dos velhos remendos na própria Hermes.

GOVERNO -Um grupo de escritores já trabalha para fazer um segundo volume e atualizar o livro ‘Governo do Rio Grande do Norte’, de Câmara Cascudo, lançado originalmente em 1939, há 80 anos. Cada participante escreve sobre um governador, até o governo de Robinson Faria.

ONTEM - No volume de Cascudo, a pesquisa começa com a cronologia dos capitães-mores, os presidentes de província, governadores republicanos e interventores, cobrindo o período que vai de 1897 a 1939, num total de 195 biografias. Hoje é considerada uma edição muito rara.

HOJE - O segundo volume terá todos os governadores a partir de 1939 até o governo de Robinson Faria. Estão vivos e farão parte do elenco, os governadores Lavoisier Maia, Geraldo Melo, José Agripino, Rosalba Ciarlini e Robinson Faria. Serão apenas os governos concluídos.





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