De 18 assassinatos de policiais, cinco foram elucidados

Publicação: 2018-07-12 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Cinco inquéritos que apuram  o assassinato de policiais no Rio Grande do Norte foram concluídos e elucidaram a autoria do crime, de acordo com a Polícia Civil. Somente um criminoso está preso e outros quatro estão foragidos. Até ontem, 17 investigações estavam sob responsabilidade de uma comissão especial, formada por três delegados da Divisão de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e, ontem, o 18º inquérito foi aberto, com o assassinato do sargento da Polícia Militar Jailson Cipriano da Silva, 54 anos, na noite da terça-feira (10). Até o fechamento desta edição, nenhum suspeito do crime havia sido preso.

Sargento Cipriano foi morto a tiros; polícia não tem suspeitos
Sargento Cipriano foi morto a tiros; polícia não tem suspeitos

As investigações concluídas,  segundo o delegado Marcos Vinícius, da DHPP, são de crimes que ocorreram até o dia 18 de maio, quando a comissão especial da Civil foi instaurada. À época, eram 13 vítimas. Os delegados conseguiram priorizar esses crimes e  os oito restantes estavam próximos de conclusão, no entanto mais cinco policiais foram mortos no período de um mês e meio, sobrecarregando o trabalho.

“Esses oito abertos tem algumas diligências para serem feitas, e estão muito perto de serem concluídos. Essa onda de crimes que ocorreu no último mês e meio dificultou o trabalho”, disse o delegado Marcos Vinícius, da DHPP. A Polícia Civil não informou quais foram os casos esclarecidos e os que ainda estão em andamento. O inquérito que apura a morte do sargento Jailson Cipriano foi aberto ainda na noite da terça-feira, quando o policial foi assassinado em uma tentativa de assalto a uma loja de conveniência, em Extremoz, região metropolitana de Natal. A loja pertencia a família dele, e ele fazia a segurança particular. Na quarta-feira, 11, testemunhas foram ouvidas, e a Polícia tenta localizar possíveis filmagens em lojas do local. Outros quatro dos 18 inquéritos ainda estão em fase bem inicial.

O que há em comum, na maioria da vítimas mortas este ano, é o fato deles serem policiais militares (16 das 18 vítimas) e não estarem de serviço na hora da morte. Parte deles foram mortos em atividade informal, conhecida como 'bicos'. De acordo com associações de policiais militares, essa atividade é feita para complementar a renda. Por ser informal, acaba sendo um fator a mais de risco para policiais. “A violência contra os policiais, é a mesma violência que atinge a todos. O bico é a exposição, é quando ele está só, mais desprotegido, sem a estrutura do Estado”, declarou Roberto Campos, da Associação de Cabos e Soldados Militares.

Saídas vistas por Roberto Campos para diminuir o bico são aumentos do salário e do valor das diárias operacionais, além da garantia de que elas serão pagas. “Infelizmente, o Rio Grande do Norte paga o pior salário para soldados no Brasil. O Estado sequer consegue ter organização minima para tornar a diária operacional atrativa. Tenho certeza que, se fosse atrativa, muitos abririam mão do bico”, continuou Campos. “A incerteza de quando o valor da diária vai ser pago faz que muitos prefiram ganhar menos em um bico, mas tendo a certeza que vai receber, podendo se planejar”, concluiu.

Velório
Jailson Cipriano foi velado e sepultado nesta quarta-feira, em Natal. Emocionados, familiares, amigos e policiais militares se despediram do sargento. Ele deixa duas filhas, um filho e uma neta de dois anos. “Era um exemplo de pessoa, que nunca faz mal a ninguém. É uma perda não somente para a família, mas também para a sociedade”, declarou o filho Jackson Cipriano, de 23 anos, o mais novo dos três.

Com 36 anos de polícia militar, Jailson estavam próximo de se aposentar. Ele atuava na Academia de Polícia e estava aguardando somente a promoção. O sargento era ciente da situação da violência contra policiais no Rio Grande do Norte e temia pela vida. Ele havia sido assaltado duas vezes, e teve a arma levada. A segunda tentativa aconteceu no bairro de Mãe Luiza, onde morava. Depois da ocasião, e temendo sofrer represália por ser Policial Militar, decidiu sair do local e foi morar em Extremoz.


continuar lendo



Deixe seu comentário!

Comentários