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'De bar em bar: um brinde à boemia natalense' estará disponível no Youtube só nesta quarta-feira (15)
Publicado: 00:00:00 - 15/09/2021 Atualizado: 22:39:45 - 14/09/2021
Tádzio França
Repórter

Do balcão para a tela: o curta documental “De bar em bar: um brinde à boemia natalense”, dirigido por Sandra Souza e Fátima Cabral, registra a história e o cotidiano de quatro bares essenciais da capital potiguar. Cada qual, com seu estilo, formam um painel curioso e diverso de como se movimentam esses estabelecimentos, seus atrativos, biritas, petiscos, públicos, e programações culturais. Os donos do Bar do Coelho, Bardallo’s, Bar do Roberto Carlos e Bar do Zé Reeira abrem uma cervejinha e contam seus causos. O filme estará disponível no Youtube só nesta quarta-feira (15).

Tatiana Azevedo
O mais difícil para a produção foi escolher os quatro bares que deveriam figurar no filme

O mais difícil para a produção foi escolher os quatro bares que deveriam figurar no filme


A ideia inicial, segundo Sandra, é que “De bar em bar” fosse um longa-metragem sobre a boemia natalense, baseado em seus muitos bares. A inspiração veio do  livro “Breviário Etílico, Gastronômico e Sentimental da Cidade do Natal”, do escritor e pesquisador Gutenberg Costa, no qual ele lista centenas de bares locais entre 1975 e 2019. O documentário nasceu de um projeto apresentado no curso de Especialização em Produção de Documentários, da UFRN.
“Mas a gente se deu conta que precisaria de muitos recursos pra fazer um longa, então enxugamos o formato para um curta-metragem”, conta ela à TRIBUNA DO NORTE. Toda a captação foi realizada durante a pandemia, o que exigiu muitos ajustes de agenda e respeito aos protocolos de segurança sanitária entre a equipe e os estabelecimentos. 

Peculiares
O mais difícil para a produção foi escolher os quatro bares que deveriam figurar no filme de 22 minutos. “Natal tem muitos bares incríveis, então nesse processo, fomos obrigadas a escolher alguns pela peculiaridade”, explica a diretora. O Bardallos, por exemplo, é o bar que mobiliza a classe artística da cidade, com uma programação que inclui exposições, shows, dança, teatro, e poesia. “E ainda temos Lula Belmont, uma referência da cena cultural da cidade, que já fez e ainda faz mil coisas”, ressalta. 

O Bar de Roberto Carlos é curioso por ter 30 anos de existência, baseado em um único tema – o “Rei”. “É um lugar no qual os clientes precisam criar uma relação muito especial com a casa, uma fidelização que vai além do comercial”, afirma Sandra. O proprietário Chico Popular é um personagem à parte. 

Já o Bar do Zé Reeira é um dos espaços mais democráticos de Natal, o “bar da diversidade”, segundo a diretora. A casa recebe de tudo e a todos, entre shows de punk rock e hip hop, até manifestações sindicais e feministas, saraus poéticos, rodas de samba, e festinhas carnavalescas. O bar assumiu a sua função de espaço cultural, e ganhou até uma caprichada estrutura própria em sua rua. Todos os caminhos do centro levam a Zé Reeira. 

Por fim, o Bar do Coelho, um local com mais de 40 anos, e única cozinha da cidade a servir  carne de coelho, em variadas receitas (frita, guisada, etc.). Sandra Souza destaca a longa história do bar, e seu aparente esquecimento no roteiro natalense atual. Seu João Maria, um dos proprietários, declarou num momento do filme: “Nós somos antigos, nós não funcionamos, sobrevivemos”. Esse fato ressalta a importância do centro de Natal e do quanto a existência desses locais depende de investimentos e  infraestrutura. 

Gutenberg Costa, cujo livro inspirou o filme, comparece como o fio condutor do filme, costurando as entrevistas com seus depoimentos sobre a vida boemia natalense. “O Gutenberg alinha as narrativas do filme, falando das impressões sobre os bares e dos muitos causos que passou entre eles. Essa narrativa faz com que o documentário não pareça uma colcha de retalhos”, explica Sandra. 

Cada qual em seu balcão, os proprietários falaram sobre o processo de abertura das casas, e a experiência de lidar com o público e suas características. “As histórias do bar acabam se entrelaçando com a história de vida deles”, ressalta a diretora. Foram três meses de filmagens, estendidos devido às dificuldades impostas pela pandemia. A ideia é que o documentário participe de festivais audiovisuais pelo Brasil afora.  

Serviço:
Documentário “De bar em bar: um brinde à boemia natalense”, de Sandra Souza e Fátima Cabral. Só hoje (quarta) no Youtube da Pelicano Produções. 










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