De camarim à galeria, o Nalva Melo faz história

Publicação: 2019-03-13 00:00:00 | Comentários: 0
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Isaac Ribeiro
Repórter

Se há alguém e um lugar que realmente vêm revitalizando a Ribeira é Nalva Melo e seu Café Salão — independente de projetos e chancelas governamentais. Desde que se começou a falar nesse tal processo de trazer vida para o bairro histórico e boêmio da cidade, o local é sinônimo de cultura, arte, convivência, música, poesia, cinema e, claro, beleza pura! Ao celebrar seus 25 anos, a casa preparou uma semana com programação especial para não deixar a data passar sem ser celebrada.

Nalva Melo abre o baú de recordações do espaço cultural e salão de beleza, que já abrigou lançamentos de filmes, livros e shows
Nalva Melo abre o baú de recordações do espaço cultural e salão de beleza, que já abrigou lançamentos de filmes, livros e shows

Nalva pensou em algo que englobasse, de fato, a diversidade que o Café Salão traduz — beleza, poesia, música, cinema, literatura... A semana começou com a abertura de seu acervo com fotos, matérias de jornal, recortes de revistas e obras de arte adquiridas ao longo desses 25 anos de vida. A memorabilia está à disposição do visitante em um grande baú; os quadros foram digitalizados e são exibidos em uma grande televisão.

Ontem, foi realizada uma ação social com o sorteio de dez clientes que gostariam de cortar o cabelo mas que, por alguma razão, não podiam ou não tinha condições. 

Hoje, a programação é voltada para o cinema. O Cineclube Natal, uma das maiores parcerias do Nalva Melo Café Salão ao longo desses anos, segundo a própria, promove sessão do filme “Guy and Madeline on a Park Bench", primeiro filme de Damien Chazelle, diretor de “La La Land”, ainda inédito no Brasil.

Nesta quinta-feira, quando se comemora o Dia da Poesia, representantes das editoras Jovens Escribas e a Caravela Selo Cultural, que lançaram livros no salão, falarão sobres os livros lançados por lá e seus autores. haverá também um recital, com leitura das “Escrituras Sangradas”, com Civone Medeiros; e “Cartas para Corações Selvagens”, com Thiago Medeiros e Michelle Ferret.

Em 2004, Los Hermanos usa o salão para camarim e vira madrugada jogando cartas
Em 2004, Los Hermanos usa o salão para camarim e vira madrugada jogando cartas

“Nessa descontração, uma colega minha chamou eles para jogar uma partida de baralho que não tinha fim. Não sei o nome do jogo”, lembra Nalva, recordando ainda que, empolgados, prometeram terminar a partida quando o show terminasse. E eles voltaram! “Só quem não voltou foi o Marcelo Camelo.”  

Já sobre a passagem do músico e apresentador João Gordo, Nalva lembra que ele estava no salão/camarim, também aguardando a entrada para um show, quando recebeu a notícia de que seu filho estava nascendo, em São Paulo. “Ele estava muito, muito retraído, não falava com ninguém. Estava um camarim bem discreto, com um bufê ótimo, luz amena, sem fãs para tietar, mas ele estava muito pra baixo.”

Outra surpresa foi a visita do apresentador da Rede Globo, Zeca Camargo, que pediu a um amigo local uma dica de passeio fora do esquema turístico. Ele estava em gravando em João Pessoa e veio passear em Natal. Nalva lembra que ele fez duas postagens sobre o salão em suas redes sociais.

Presente e futuro
Nos 25 anos do salão, ela ressalta esse novo momento de valorização e uso do cabelo natural. Nalva hoje é referência nacional em cabelos cacheados.

“Por eu gostar de trabalhar com cabelo natural, acabei me especializando nos cortes para cabelos cacheados, em rotinas saudáveis. E aí, esse foi o grande novo momento do Café Salão”, diz Nalva.

A essência do salão de beleza trabalha o cabelo natural, tornando o lugar referência dos cacheados
A essência do salão de beleza trabalha o cabelo natural, tornando o lugar referência dos cacheados

Ela comenta estar em sintonia com tudo o que aconteceu com a questão da valorização do cabelo natural e tudo o que veio a partir daí. “Na verdade, eu tive sorte porque estava ligada naquele momento. Foi um movimento muito forte e incrível. Esse empoderamento feminino deus-e muito a partir do cabelo. E a partir daí, você viu muita gente assumindo seu corpo, suas vestimentas, com seu jeito de se impor e de impor respeito perante a sociedade.”

Entre tantos projetos culturais que o salão abrigou e ainda abriga, Nalva faz questão de falar do Projeto Retrovisor, que foi um  grande movimento musical de união de Valéria Oliveira, Khrystal, Simona Talma, Wellington (Luís Gadelha), Ângela Castro. “Eu digo que é o momento laboratório musical, um verdadeiro movimento. Todos esses artistas incríveis estiveram no palco do Café Salão. Fico feliz de ter essa casa aberta.”

Para o futuro, Nalva Melo conta que seu desejo é ver outros empreendimentos surgirem vizinhos aos seu e por todos os lados da Ribeira. “Tem ali no acervo a primeira matéria que a Tribuna do Norte fez comigo, que diz 'sinal de revitalização do bairro: um salão de beleza. Então, faz muito tempo que falam sobre isso. Não consigo nem mais usar essa palavra (revitalização).”












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