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De volta aos tempos do Cantocalismo
Publicado: 00:00:00 - 08/02/2013 Atualizado: 13:15:03 - 08/02/2013
Yuno Silva - Repórter

O reencontro não significa uma retomada, mas a turma está animada para fazer a festa. A ideia de promover um show em nome dos velhos tempos também não é recente, vem sendo maturada há pelo menos um ano, mas só agora os quatro ‘cantocalistas’ conseguiram conciliar as agendas para tocar – literalmente – a proposta de levar a saudosa Cantocalismo de volta aos palcos. Formada por Cacau Vasconcelos (voz), Roberto Taufic (guitarra), Aluizio “Di” Brito (baixo) e Ginho Hasbun (bateria), a banda figurou entre as queridinhas do público nos anos oitenta e, por enquanto, a única apresentação já tem data marcada para acontecer: dia 15 de março no Teatro Alberto Maranhão, encontro que interrompe um hiato de praticamente 23 anos do quarteto.
O quarteto cantocalista Cacau Vasconcelos, Ginho Hasbun, Roberto Taufic e Aluizio Brito ensaiam novos arranjos para antigas canções
A Cantocalismo surgiu em 1985, chegou a lançar um LP em 1988, fez shows em Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, e ao lado da banda Fluidos de Carito, Manoca Barreto, Bob Crazy, Ricardo Tadeu e Fernando Suassuna, deixou sua marca nos primórdios do pop-rock natalense pós-ditadura Militar; época de performances memoráveis no Bar do Buraco em Ponta Negra, Palácio dos Esportes, no próprio TAM, Festa do Boi ou em festivais. O quarteto pretende registrar este show de março no Alberto Maranhão em áudio e gravar um vídeo que pode se transformar em DVD. Os ingressos custarão R$ 40 e R$ 20 (meia) e estarão disponíveis para venda em breve. 

Shows da Cantocalismo eram marcados pela grande presença de públicoO grupo se desfez em meados de 1990, quando cada integrante começou a seguir seu próprio rumo – inclusive internacional: Cacau foi para a Bélgica, Roberto para a Itália e Aluizio para a Suíça. Porém os fãs de carteirinha, que não são poucos, ainda lembram de músicas como “Areia e Mar”, que abria o disco, “Voraz”, “Tudo que vem de cima”, “Telebaby” e “Pixote”, entre outras.

“Depois que a banda acabou continuamos mantendo contato, mas era difícil reunir os quatro de uma vez”, disse o baterista Ginho Hasbun, “até que, no ano passado, estávamos reunidos em um restaurante e chegou uma pessoa que ninguém conhecia e disse: ‘a banda Cantocalismo reunida, é sinal que pode vir show por aí’. Já vínhamos conversando sobre fazer um novo show, e aquilo era o empurrão que faltava”.

A intenção dos quatro ‘cantocalistas’ é fazer uma festa para se divertir e encontrar os amigos: “Tem muita gente querendo isso”, aposta Ginho, que atualmente trabalha no setor da construção civil.

Capa do LP homônimo lançado em 1988O grupo adiantou que a base do repertório deste show em março serão as faixas registradas no LP homônimo de capa preta e letras vermelhas, só que tudo estará rearranjado. “Estamos preparando uma outra roupagem para as músicas, sem perder a característica original”, avisa Aluizio “Di” Brito, hoje baixista, compositor e produtor rural. A banda também irá interpretar algumas canções de artistas do rock nacional que influenciaram o trabalho do quarteto como Lulu Santos, Titãs, Paralamas e Cazuza.

“Nossa intenção é relembrar aquela época, reunir nossa galera, e ver a reação das pessoas que não conheceram a banda, apresentar nossas músicas para um novo público. A meta é fazer um show comemorativo, nada a ver com retomar a carreira ou fazer propaganda para agendar outras apresentações, não estamos criando expectativas nesse sentido”, garantiu o vocalista e funcionário público Cacau Vasconcelos. “Vamos deixar rolar para ver o que acontece e se rolar (outros shows) vai ser ótimo”, emenda.

INGENUIDADE E GARRA

Quando as conversas sobre o reencontro do Cantocalismo começaram a ficar mais sérias, Roberto Taufic, o único que seguiu a carreira de músico profissional, avisou que estava em outra, que o rock não era mais sua praia. No início dos anos 1990 Taufic mudou de mala e cuia para a Itália, está lá até hoje, mas passou a vir com mais frequencia para o Brasil. “Sempre que o Roberto vinha passar férias por aqui, vínhamos naquela paquera de ensaiar, de organizar um show”, lembrou o vocalista Cacau Vasconcelos. 

A banda era parceira de artistas como Pedro Mendes e BabalDevidamente convencido, Roberto disse que “tudo voltou” já no primeiro ensaio: “Era como se as coisas tivessem acontecido ontem. Não toco rock há muito tempo, aquelas distorções e tal, mas estou me divertindo muito”, entusiasma-se o guitarrista.  O grupo já gravou novas versões para algumas composições antigas, e o produtor Alexandre Maia disponibilizou a romântica “Telebaby”, que Roberto Taufic fez para uma namorada na época, como amostra da Cantocalismo 2013.

Telebaby - versão 2013


Roberto contou à reportagem do VIVER que vem ouvindo o disco lançado em 1988 - “Hoje a sonoridade mudou bastante, provavelmente faríamos tudo diferente”, confessa. “Tínhamos uma ingenuidade, mas muita garra de realizar, de ficar famoso”. Taufic lembra que os potiguares foram procurados por uma gravadora interessada em assinar contrato, mas a proposta não prosperou pois eles teriam que ‘fingir’ que eram de Brasília. “Disseram pra gente que o rock nacional vinha de Brasília ou do Rio de Janeiro, que só assim poderíamos fazer sucesso nacional. Claro que não aceitamos”.

Para a apresentação de março, até o momento, apenas o irmão de Roberto, o tecladista e arranjador Eduardo Taufic, um ‘boy’ na época que o Cantocalismo fazia sucesso, será o único convidado a dividir  o palco com a banda. No final dos anos oitenta, além dos shows próprios, a banda também acompanhava artistas em início de carreira como Pedro Mendes e Sueldo Soaress. “Até lá muita coisa pode acontecer”, antecipa o guitarrista.

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