Debate eleitoral

Publicação: 2020-10-22 00:00:00
Garibaldi Filho
Ex-senador da República

Estou aqui à procura de um fato novo nesta campanha. Pensei que teria facilmente sobre o que escrever, na medida em que se aproxima do seu final. Não estão previstos mais debates e mesmo se tivessem não teriam o que oferecer. Há os que especulam que,nessa pasmaceira, prevalecerão os bastidores da politica nacional sobre os locais. Daí a presença de candidatos lembrando o nome do presidente Jair Bolsonaro. 

O cientista político Antônio  Lavareda, com a sua bagagem de 100 campanhas já realizadas, está vendo na atual uma diferença que nunca tinha observado antes. Algo inteiramente atípico. E, neste cenário, aponta o bolsonarismo infiltrando-se nas lides municipais já para colher dividendos para as eleições de 2022. Com relação ao segundo turno, não há como deter esta marcha avassaladora dos seguidores do presidente. 

Já o nosso conterrâneo e também professor e cientista político Gaudêncio Torquato se mostra impressionado que, neste período, não tenhamos o agravamento das tensões sociais, porque no tocante à campanha o que se vê é o malfadado exercício das promessas mirabolantes, gestos tresloucados e baboseiras. 

Gaudêncio Torquato  mostra-se impiedoso com os candidatos a prefeito e vereador que batem no bumbo eleitoral, mas os ouvidos dos eleitores — bem treinados na arte da milonga, mexerico, desculpas esfarrapadas — estão mais seletivos que nos pleitos anteriores. 

Confesso que a campanha ainda tem os seus atrativos nas menores cidades, levando a uma preocupação das autoridades sanitários. Temem que as aglomerações possam provocar o recrudescimento dos  efeitos desta maldita pandemia. 

Mas, em muitas cidades, as pesquisas refletem o desinteresse do eleitor ou a manifestação de que teremos uma grande abstenção e ausências nas urnas. Não tenhamos dúvidas quanto a isso. 

O melhor mesmo, nesta solidão e recolhimento, é voltarmos a nossa atenção para o debate que será televisionado, hoje, entre os dois candidatos presidenciais dos Estados Unidos.

O primeiro da campanha norte-americana foi decepcionante, com o presidente Trump tentando a todo custo impedir o seu aniversário de falar. Este agora não promete muito já que o presidente dos Estados Unidos vai tentar, no seu desespero, obstruir a participação do democrata. A verdade é que também não se fazem debates como antigamente.

Estamos, seja aqui ou lá,  condenados a não termos bons momentos proporcionados pelos embates eleitorais. Não acredito em uma reversão dessas expectativas. 

Quando fazemos esta constatação, lembramos que grandes debates marcaram as eleições e disputas políticas locais e nacionais, acompanhadas com entusiasmos pela população. Não se trata de mero saudosismo. A ausência de interesse do eleitor é lamentável, porque significa uma pleito com discussões restritas e limitado conhecimento das propostas e trajetórias dos candidatos. 

O marasmo da atual campanha demostra indiferença da população e, ao mesmo tempo, que os discursos, seja no conteúdo ou na forma, estão distantes do eleitor. A crise da democracia representativa e certo “cansaço” popular com sucessivos compromissos assumidos, que não se transformaram em ações efetivas dos eleitos no exercício dos mandatos, certamente, não contribuem para que o eleitor se sinta motivado para acompanhar com mais expressiva atenção e ânimo o debate eleitoral. 

Mas agora não está distante o dia do comparecimento às unas. A apuração, que vai ser no mesmo domingo da votação, tão logo estiverem “fechadas” as urnas, não promete grandes emoções diante do que está sendo antecipado pelas pesquisas. 








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