Decretos do Estado e municípios suspenderam festas e fogueiras

Publicação: 2020-06-07 00:00:00
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As festas juninas estão proibidas em todo Rio Grande do Norte pelo decreto estadual publicado na quarta-feira, 4. As prefeituras das cidades potiguares com maiores tradições juninas, entretanto, já haviam cancelado os festejos desde o fim de março, quando o novo coronavírus entrou na fase de transmissão comunitária no estado. Os secretários de cultura pelejam para encontrar alternativas e adotam estratégias próprias em cada município.

Créditos: Rogério VitalAnualmente, Natal realiza um festival de Quadrilhas estilizadas, que este ano não ocorrerá devido à pandemia do novo coronavírusAnualmente, Natal realiza um festival de Quadrilhas estilizadas, que este ano não ocorrerá devido à pandemia do novo coronavírus

Em Natal, por exemplo, a Secretaria Municipal de Cultura criou um programa chamado Cultura na Cidade para veicular produções potiguares feitas a partir de editais de cultura de anos anteriores. Outra aposta foi a abertura do edital da Lei de Incentivo à Cultura Djalma Maranhão, no valor de R$ 1 milhão, para financiar projetos culturais. O secretário Dácio Galvão também afirmou que a prefeitura trabalha para garantir o pagamento de artistas que participaram da programação oficial do carnaval, mas ainda não receberam o cachê.

Outra estratégia é aproveitar o isolamento social para reformar espaços que precisam estar fechados. As obras estavam com recursos previstos. Dácio Galvão citou, por exemplo, a reforma do espaço Ruy Pereira, na Cidade Alta, e a compra de novas peças para os museus potiguares. “Esses equipamentos voltarão com uma pulsação muito maior quando as coisas se normalizarem. A gente está se preparando para esse momento. Não estamos de braços cruzados. Queremos fixar cultura e história da cidade, através da requalificação desses equipamentos”, afirmou Galvão

Para Mossoró, toda programação junina estava pronta, mas teve de ser cancelada. A cidade tem uma relação cultural-histórica intensa com o São João, focado no episódio histórico em que o bando de cangaceiros liderado por Lampião foi expulso da cidade. O plano é, segundo a secretária Isaura Rosado, fazer oficinas onlines voltadas à cultura junina. “Vamos lançar editais para os artistas, fazer oficinas para preparação de quadrilhas, cabelos, figurinos e coreografias. Tem uma série de programação que vamos realizar”, disse.

A prefeitura mossoroense também cedeu a marca do Pingo da Mei Dia e da festa Boca da Noite para transmissões ao vivos. O Pingo da Mei Dia foi realizado neste sábado, 6. A transmissão da Boca da Noite está marcada para o dia 25 de junho.

Os recursos da cultura em Mossoró foram redirecionados para o combate à pandemia do novo coronavírus. A cidade é a segunda mais atingida pelo coronavírus no Rio Grande do Norte, com mais de 1,2 mil casos e 68 óbitos confirmados até esta sexta-feira, 5. “Essa foi uma decisão da prefeita Rosalba Ciarlini para reforçar a assistência à saúde, mas não vamos ficar parados”, disse Rosado.

Olhando para o futuro, a perspectiva é que o São João volte com a mesma força - pelo menos em Mossoró. “O Mossoró Cidade Junina, com as festas e os espetáculos, tem uma importância cultural, histórica e econômica muito forte para a cidade. A Chuva de Bala no País de Mossoró representa todo orgulho de ser mossoroense. Eu acredito que vamos voltar às atividades normais por volta de novembro e o São João vai continuar da mesma forma”, declarou a secretária.

Em Natal, a perspectiva de Dácio Galvão é semelhante, mas ele reconhece que a festa junina vai ter uma retração de investimento. “Não tem mais como parar de fazer uma programação forte porque isso já está dentro de uma identidade da cidade, e haverá uma retração natural, isso é evidente. Está previsto 5% do PIB a menos no Brasil. Vai haver uma retração econômica, e claro que isso vai refletir na retração das ações”.