Defesa Civil do Estado afirma que desastre com óleo foi subdimensionado

Publicação: 2019-10-22 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva
Repórter

A Defesa Civil do Rio Grande do Norte ainda não tem informações precisas sobre o volume total do óleo cru recolhido nas praias da costa potiguar. As primeiras manchas apareceram dia 7 de setembro nas praias de Sagi e Baía Formosa, litoral Sul do Estado, mas o Idema (Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN) só realizou vistoria para tomar ciência da situação dias 11 e 12 de outubro – 34 dias após o surgimento do óleo, que ainda não tem origem definida, e 20 dias depois da morte da primeira tartaruga (dia 22) encontrada na praia da Redinha Nova, em Extremoz.

Na tarde de ontem equipe da Defesa Civil estadual participou de videoconferência nacional
Na tarde de ontem equipe da Defesa Civil estadual participou de videoconferência nacional

“Em dois dias teremos a quantidade de óleo recolhida no litoral do RN”, assegurou o Tenente Coronel Marcos de Carvalho, coordenador da Defesa Civil Estadual.

Questionado sobre a demora para a tomada de providências tanto por parte da União quanto dos governos estaduais, Carvalho avalia que “talvez, de certa forma, todo mundo subjugou a dimensão do evento. Inicialmente ficamos focados na limpeza das praias, e o governo Federal em nenhum momento apresentou informações que apontassem a dimensão do desastre que poderia vir e/ou estava acontecendo”.

O armazenamento do material recolhido está sob os cuidados de cada município. A Marinha do Brasil informou através de nota oficial no domingo (20), que já haviam sido recolhidas “mais de 525 toneladas” de resíduos.  

O coordenador da Defesa Civil Estadual, no entanto, adiantou que a perspectiva é que a tomada de decisões ganhe celeridade nos próximos dias com a mudança da nomenclatura do grupo que monitora a situação de 'Comando Unificado de Incidentes' para Gabinete de Gestão Integrada (GGI), que será conduzido pela Defesa Civil do RN e pelo Idema.

“Na prática não há diferença entre os grupos: todos os membros permanecem, e as ações desenvolvidas seguem ativas. Com a troca de nomenclatura padronizamos os trâmites e documentos, pois Brasília utiliza o modelo GGI. Assim ficamos alinhados com a Secretaria Nacional de Defesa Civil e facilita a comunicação”, destacou o Ten. Cel. Marcos de Carvalho, adiantando que nessa terça-feira (22), às 9h na Escola de Governo, haverá a primeira reunião do grupo como GGI.

Após atender a reportagem da TRIBUNA DO NORTE, Carvalho participou de videoconferência com integrantes da Secretaria Nacional de Defesa Civil , em Brasília, e representantes de outros estados. O gestor disse que a primeira ação do governo Federal “deveria ser ativar o Plano Nacional de Contingência (PNC), a partir dele sairiam quais as medidas adequadas e o tempo oportuno para evitar que a situação chegasse a situação que chegou. Houve retardo dessas ações, e nesse vácuo entraram os municípios e os estados”.

A Defesa Civil do RN está cadastrando voluntários em municípios do litoral até essa próxima quarta-feira (23), independente de terem sido atingidos ou não, e nos próximos dias 24 e 25 os voluntários receberão capacitação afim de garantir organização e segurança no recolhimento dos resíduos. Todas as iniciativas, até o momento, estão sendo viabilizadas com recursos dos estados e municípios.

Pessoas interessadas em se voluntariar, devem procurar a Defesa Civil de cada município.

Neste fim de semana, a Defesa Civil Estadual acompanhou limpeza no litoral dos municípios de Ceará Mirim, Maxaranguape, Tibau do Sul e Nísia Floresta. “Hoje (ontem) temos ações de limpeza ativas em Nísia Floresta, todas as outras praias estão limpas. O monitoramento é permanente, e terá de ser feito por mais algum tempo. A pesca artesanal no RN é importante, e precisamos manter a atenção para verificar se houve ou haverá alguma contaminação”, garantiu Carvalho, que destacou que a atuação dos municípios “é fundamental” para limpar as áreas afetadas.

Áreas
A costa do RN, com seus 410 km, foi a que mais registrou pontos afetados pelo óleo cru entre os demais estados da região, porém com menor intensidade de manchas e volume de material. De acordo com relatório do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), 43 áreas do litoral potiguar foram atingidos – o Ibama identificou exatas 200 áreas atingidas nos nove estados do Nordeste, o avistamento mais recente foi verificado este fim de semana em praias de Pernambuco e da Bahia.

Esse número varia a cada relatório, e no boletim de “Áreas com localidades oleadas no Nordeste brasileiro”, atualizado até o dia 19 de outubro, ainda constavam 25 áreas com “vestígios esparsos” da oleada no RN; enquanto em 18 locais o óleo “não foi observado”. Carvalho criticou a “falta de informações e as incertezas” por parte do governo Federal diante dos fatos, e que só há poucos dias a União começou a reconhecer a emergência da situação.

“Estamos tratando de um desastre com dimensões nunca vistas no Brasil, que aconteceu no mar e atingiu as praias: o mar é responsabilidade do governo Federal e as praias também, são áreas da União. Por isso esperávamos ações mais enérgicas por parte do governo Federal. Ao que parece o desastre foi minimizado, e ações de responsabilidade da União não foram tomadas no tempo oportuno. Tivemos algumas ações isoladas, que não atendem a demanda nem a dimensão do desastre”, avaliou.

O relatório do Ibama também traz dados diários sobre a fauna. Entre os 41 animais listados, oito foram encontrados no Rio Grande do Norte (todos são tartarugas marinhas, das espécias “verde” e “oliva”). Porém, o professor Flávio Lima, do Projeto Cetáceos da Costa Branca da UERN, que coordena o grupo responsável pelo monitoramento da fauna entre Pernambuco e Maranhão, informou número atualizados que somam onze tartarugas – sete delas encontradas mortas.

Números
43 áreas atingidas poe óleo cru no litoral do RN

25 pontos da costa potiguar apresentavam vestígios esparsos de óleo no boletim do Ibama de 19 de outubro

18 áreas o óleo não foi observado

11 animais (todos tartarugas) foram afetados no litoral do RN

7 animais morreram






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