Defesa de policiais que mataram PM da PB diz que vítima não se identificou durante ação

Publicação: 2019-11-08 09:51:00
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A investigação sobre a ação que resultou na morte do cabo da Polícia Militar da Paraíba, Edmo Tavares, ainda está em curso. No entanto, a defesa dos três policiais militares do Rio Grande do Norte envolvidos no caso confrontou relatos de testemunhas à Polícia Civil do estado vizinho. Segundo a advogada dos policiais, cabo Edmo não se identificou e atirou primeiro contra os policiais. A ação na Paraíba, ainda de acordo com a defesa, havia sido informada ao comando da PM em Nova Cruz.
Créditos: Reprodução/FacebookCabo Edmo Tavares foi morto por policiais do RN em operação na PBCabo Edmo Tavares foi morto por policiais do RN em operação na PB
Cabo Edmo Tavares tinha 36 anos e foi morto durante operação da PM do RN na PB

Na versão apresentada por testemunhas à Polícia Civil da Paraíba, o cabo Edmo teria observado homens armados e com rostos cobertos nas ruas de Tacima, no interior paraibano, e entrou em confronto por entender que se tratavam de bandidos. Ainda de acordo com essas testemunhas, o PM da Paraíba, após ser atingido, identificou-se como policial, mas foi morto após ser perseguido pelos potiguares. Contudo, a versão contada pela defesa dos policiais do Rio Grande do Norte é diferente.

De acordo com a advogada Kátia Nunes, os policiais estavam fazendo uma ação de inteligência na área, em busca de um homem identificado como Lalo. Por se tratar de uma ação pequena e em que o objetivo era somente fazer o levantamento de informações, houve a comunicação da ação apenas ao 8º Batalhão de Nova Cruz, onde estavam lotados os policiais, e aos policiais militares que estavam em uma viatura e faziam a ronda ostensiva em Tacima. Porém, o que deveria ser somente um levantamento discreto, terminou em troca de tiros.

A advogada explicou que os policiais potiguares encontraram o alvo e decidiram fazer a prisão, já que havia mandado em aberto. "Lalo" estava com outro homem em um carro e os policiais realizaram a abordagem, anunciando a prisão. Segundo a defesa dos policiais, quando os suspeitos estavam rendidos e era feita a revista, cabo Edmo passou em um carro e efetuou os disparos. Foi quando os policiais do Rio Grande do Norte revidaram e iniciaram o confronto.

"Ele (cabo Edmo) fez uma opção pelo confronto estando em desvantagem numérica. Em situação de desvantagem você não pode abordar, nem entrar em confronto, é que regem as normas de procedimento aos policiais. Quando ele atirou, a polícia revidou para se defender", explicou a advogada.

Na versão repassada pela advogada, ela garante que o PM baleado não se identificou, ao contrário do que está no inquérito e foi relatado por testemunhas que depuseram no caso. De acordo com Kátia Nunes, os policiais fizeram a perseguição ao PM da Paraíba por entenderem que se tratava de um bandido.

"O Edmo em momento algum verbalizou ser policial. Qual o motivo que os policiais do Rio Grande do Norte teriam para matar um colega? Os dois homens que foram presos pelos policiais admitiram que foi o cabo Edmo que chegou atirando", relatou a advogada.

Sobre o motivo pelo qual o comando da PM potiguar ou paraibanos não foram informados sobre a ação, a advogada disse que, por se tratar de um caso somente de levantamento de informações, não era praxe a comunicação ao comando, sendo normal somente a autorização por parte do Batalhão.

"Os policiais do RN sempre estão na PB fazendo esses levantamentos, assim como os de lá também fazem aqui. É absolutamente normal. Infelizmente, ocorreu essa tragédia. Os policiais, que têm condutas irrepreensíveis ao longo de suas carreiras, estão muito abalados emocionalmente, jamais imaginaram que isso poderia acontecer. Não é fáci sobreviver a um confronto e que resulta em morte de um colega de farda", disse a advogada, que também informou que os policiais deverão seguir afastados das funções devido ao abalo emocional.

Inquérito

Na investigação, testemunhas relataram que os policiais do Rio Grande do Norte estavam encapuzados e que, mesmo após cabo Edmo se identificar como policial, eles o perseguiram e mataram. Ao todo, foram quatro disparos, sendo um na perna, dois no tórax e um no queixo.

Os comandos da PM na Paraíba e Rio Grande do Norte não foram informados sobre a operação e a Polícia Civil da Paraíba investiga o caso, que ocorreu no dia 29 de outubro. A expectativa é que o inquérito seja finalizado até o fim de novembro.
 



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