Deicor atua com 30% da estrutura

Publicação: 2017-07-15 00:00:00 | Comentários: 0
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Delegacias e unidades militares metralhadas, policiais encurralados ou trancados para preservar a própria vida, e vigilantes diante de quadrilhas armadas com fuzis e bombas. As quadrilhas têm aterrorizado a população, em pequenas cidades do interior, e na capital, em busca do que se tornou um dos “negócios” mais rentáveis às quadrilhas: bancos e carros forte. O dinheiro fomenta o tráfico e compra de mais armas para aumentar o poderio das facções. Somente até essa sexta-feira, 46 cidades foram alvo dessas organizações, em um total de 67 ocorrências. Quarenta e uma delas contra o sistema bancário.

O delegado e coordenador da Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (Deicor) expôs, ontem, que a unidade funciona com apenas 30% da estrutura e efetivo necessários e que o Rio Grande do Norte deveria ter um protocolo de segurança para seguir nessas ocorrências. O procedimento nunca foi feito, apesar de existir em estados vizinhos. De acordo com Odilon Teodósio, as equipes da Deicor estão trabalhando à exaustão, com seguidas noites em claro para não perder prazos de flagrantes e se antecipar às ações das quadrilhas.

As polícias têm apreendido armas, explosivos, carros, planos de ação, e efetuado prisões importantes. Alguns bandidos têm sido mortos em confronto, mas as quadrilhas empregam cada vez mais violência durante os assaltos, e nos últimos meses ampliam a atuação contra os carros-forte, o que leva maior risco de inocentes serem mortos. Foi o que ocorreu nessa quinta-feira, quando a proprietária de uma barbearia morreu após ser atingida na cabeça, numa troca de tiros entre bandidos e vigilantes de uma empresa de transporte de valores. O caso foi no bairro de Nova Parnamirim, na Região Metropolitana de Natal.

Em entrevista nessa sexta-feira, o delegado afirmou que a Deicor tem uma elevada demanda e todos casos complexos, mas que tem identificação de vários dos criminosos que vêm agindo no Rio Grande do Norte. A prisão, se não for em flagrante, precisa ter provas bem reunidas e inquéritos bem feitos para levá-los à Justiça. “A maioria deles são reincidentes. São criminosos, inclusive, que já foram presas por nós, que foram soltas ou fugiram do sistema prisional”, declarou Odilon, em entrevista às emissoras de televisão ontem.

A Deicor aponta alguns indícios de que o arsenal apreendido em um condomínio de Búzios, município de Nísia Floresta, tem servido às diferentes células criminosas responsáveis por três assaltos e tentativas a carros que transportam valores — quinta-feira, em shopping de Nova Parnamirim, onde faleceu um integrante do bando, e uma refém; outro na terça-feira passada, no qual metralharam e explodiram o carro blindado no município de São Pedro do Potengi [RN 203], e na ação que baleou um vigilante no estacionamento do shopping Midway Mall, no dia 5 de junho. O cruzamento de informações e perícias indicam uma possível correlação entre os casos.

Odilon explicou a importância do “protocolo de segurança”: quando há uma ocorrência, numa cidade do interior, por exemplo, onde há apenas dois ou três policiais, imediatamente um oficial da PM é acionado; esse policial, conhecedor da estrutura dos contatos com unidades daquela região, aciona o efetivo de outras cidades em um raio pré-estabelecido; imediatamente as unidades especiais, mesmo que na capital, são acionadas. A disponibilidade de ao menos uma aeronave, segundo o delegado, é essencial ao cerco e busca pelos integrantes da quadrilha. É uma linha direta de comando, com autonomia de decisões, para ações nessas circunstâncias. “É um procedimento padrão” para essas situações”, afirmou.

MAPA DOS ATAQUES
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