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Natal
Delegacias e hospitais sem comunicação
Publicado: 00:00:00 - 20/09/2018 Atualizado: 22:32:26 - 19/09/2018
Repartições públicas no Estado enfrentam dificuldade para conseguir comunicação. Relatos de servidores públicos apontam que as linhas telefônicas de delegacias, do Instituto Técnico-científico do RN (Itep) e de unidades de saúde têm sofrido cortes nos últimos meses. A reportagem da Tribuna do Norte perguntou às Assessorias de Comunicação da Secretaria Estadual de Segurança Pública e Saúde o motivo da ausência de linhas, mas, até o fechamento desta edição, nenhuma resposta foi enviada.

Magnus Nascimento
No complexo de Delegacias Especializadas, servidores usam os próprios celulares para ligações

No complexo de Delegacias Especializadas, servidores usam os próprios celulares para ligações


No complexo de Delegacias Especializadas, servidores usam os próprios celulares para ligações

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Consideradas ferramentas básicas para realização de ações de investigação e procedimentos investigativos, telefones e internet de diversas delegacias do Rio Grande do Norte estão cortados ou funcionam de maneira precária. De acordo com o relato de agentes e delegados, a situação é descrita como “caótica e de descaso”. Diante da situação, os servidores usam  “gambiarras” para conseguir reduzir os danos da falta dos instrumentos: tiram dinheiro do próprio bolso para fazer ligações e usam a própria internet. De acordo com informações extraoficiais, o problema seria falta de pagamento por parte do Estado aos operadores dos serviços.

No  Complexo de Delegacias Especializadas da Polícia Civil, na avenida Ayrton Senna, onde funcionam oito delegacias, os telefones apenas recebem chamadas. Na recepção da unidade, o servidor utiliza o próprio aparelho celular para se comunicar porque o aparelho fixo da unidade não funciona há pelo menos um mês. A internet, quando funciona, é limitada, segundo relatos ouvidos pela reportagem da Tribuna do Norte.

“Muitas vezes precisamos fazer investigações a partir do nosso celular, e para isso tiramos dinheiro do nosso bolso porque a internet aqui é só para os computadores, e esses tem diversas limitações”, relatou um dos agentes, que pediu para não ser identificado. Segundo o servidor, os agentes se reuniram e contrataram uma internet por conta própria, cada um paga R$ 50,00.

Na 2º delegacia de Parnamirim, a internet e telefone não funcionam há pelo menos 15 dias, segundo servidores do local. Sem os recursos, os policiais não conseguem fazer consultas básicas, como verificar boletins de ocorrência online ou o Banco Nacional de Mandatos de Prisão. Em casos de emergência, os agentes usam o pacote de dados pessoal para trabalhar. No local, são feitos em média 50 boletins de ocorrência por dia.

“Isso inviabiliza completamente o nosso trabalho, porque impede que a gente tenha acesso ao sistema online. Por exemplo, se chega um preso aqui, não temos como saber se o cara tem um mandato de prisão em aberto. Isso dificulta atividades básicas inerentes a uma delegacia”, disse um dos agentes ouvidos pela reportagem, que pediu para não ser identificado por medo de retaliação.

Na 1ª delegacia de Parnamirim, a internet não parou de funcionar completamente, mas fica oscilando na maior parte do dia. De acordo com servidores, a internet é necessária para fazer, principalmente, pesquisa de dados e verificar mandatos de prisão em aberto. Um dos casos relatados pelos agentes foi o de uma prisão em flagrante por tráfico de drogas em que os agentes não conseguiram acessar o sistema de informação antes do fim do expediente. “Tivemos que esperar até tarde para conseguir internet suficiente, é apenas um dos exemplos de como isso prejudica o nosso trabalho”, disse o agente.

Os agentes também reclamam da falta de pessoal na delegacia, responsável por atender uma área com 145 mil habitantes em Parnamirim. Atualmente, de acordo com os agentes, os únicos crimes investigados são de tráfico, roubo e homicídio “com dificuldade”. Em 2017, 6.222 ocorrências foram registradas na delegacia.  Em algumas cidades do interior do Rio Grande do Norte, o problema se repete: agentes tiram dinheiro do próprio bolso para pagar a internet e os telefones não funcionam. É o caso do municípios de Alexandria e Marcelino Vieira, na região Oeste do estado.

A internet das delegacias de Natal, em que o contrato é diferente das delegacias das demais cidades, está funcionando, de acordo com os agentes da polícia civil, mas oscila e isso dificulta o trabalho. “Dependendo da área de Natal, a internet passa o dia caindo por causa das interferências”, disse um dos agentes.

ITEP
O problema com as linhas telefônicas afetam também a sede do Instituto Técnico e Científico de Polícia (Itep-RN), em Natal, onde nenhum dos números de telefones disponíveis no site da instituição estavam funcionando até o fim da tarde dessa quarta-feira. Estão dessa forma há mais de duas semanas, dizem servidores. Uma situação que, segundo funcionários ouvidos pela reportagem, traz todo tipo de dificuldade não apenas para o andamento dos serviços, mas à população, que não consegue contato para informações básicas no órgão governamental.











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