Delegada não vê indícios de racismo em morte de negro em Carrefour

Publicação: 2020-11-21 08:22:00
A investigação sobre a morte de João Alberto Silveira, que ocorreu na noite da quinta-feira (19) em um supermercado Carrefour de Porto Alegre, segue em curso. O primeiro resultado de laudo da necropsia aponta que a causa da morte de João Alberto foi asfixia. A delegada que investiga o caso não vê, no momento, indício de racismo na ação.
Créditos: Reprodução/FacebookJoão Alberto Freitas morreu em supermercado Carrefour de Porto AlegreJoão Alberto Freitas morreu em supermercado Carrefour de Porto Alegre

A delegada Roberta Bertoldo, da 2ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Porto Alegre, recebeu os médicos legistas para elucidar as causas da morte de João Alberto. Durante as agressões, a vítima também foi imobilizada pelos vigias, com o joelho de um deles nas costas. Segundo ela, o maior indicativo da necropsia é de que ele foi morto por asfixia, pois ficou no chão enquanto os seguranças pressionavam e comprimiam o corpo, dificultando a respiração.

Além dos dois presos envolvidos na morte de João Alberto, a delegada disse à imprensa, em entrevista coletiva, que outros envolvidos estão sendo investigados por omissão de socorro. Segundo ela, pelo menos duas pessoas podem ser implicadas por não terem impedido que as agressões continuassem. "Foi uma ação completamente desproporcional e atípica para pessoas que exercerem essa atividade", disse a delegada.

Mesmo vendo a desproporcionalidade na ação que resultou na morte, a delegada, disse não ter indícios de se tratar de um caso de racismo. O caso teve início, segundo a apuração, após ameaças de João Alberto a uma funcionária da unidade. Beto, como era conhecido, tinha ficha criminal com casos de agressão e ameaça.

Mesmo sem descartar nenhuma hipótese, a delegada afirma que nenhum indício aponta para crime com motivação racial. "Não temos nenhum indicativo por essa motivação", disse.

Dois seguranças que prestavam serviços ao Carrefour, Giovane Gaspar da Silva, policial militar, e Magno Braz Borges, foram levados à prisão. Os dois serão indiciados por homicídio triplamente qualificado - por motivo fútil, asfixia e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. O policial, inclusive, está com processo em curso para expulsão da corporação.