Economia
Denise Campos: “a gente deve formar alunos que dêem conta de projetar soluções para o futuro”
Publicado: 00:00:00 - 28/11/2021 Atualizado: 14:50:12 - 28/11/2021
A vice-presidente acadêmica da holding Ânima Educação, que comprou os ativos da Laureate no Brasil, grupo do qual a Universidade Potiguar (UnP) fazia parte, Denise Campos, levou para a 39ª edição do Seminário Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte, suas considerações sobre a educação na era digital. Ela enfatizou a necessidade das universidades se planejarem para mudar a forma de preparar profissionais para a era digital, impulsionada pela pandemia da covid-19. Para tanto, sugere que as instituições têm um corpo de profissionais capaz de acompanhar as transformações do mundo e aplicar isso na formação dos estudantes. O convívio com novos modelos de ensino passa a ser uma constante, segundo ela, visto que o ensino híbrido veio para ficar e poderá ser aplicado ao se observar os aspectos em que melhor pode ser aproveitado. Tudo isso sem se esquecer do papel ético da educação e que permanece ainda mais evidente a necessidade de políticas de financiamento, para as universidades públicas por uma via, e para as privadas, por outra.

Cedida


Em sua palestra “A educação na era digital” a senhora destacou que as universidades precisam trabalhar para não formar profissionais obsoletos. Como isso deve ocorrer?
Em relação a isso há uma capacidade, uma competência que as universidades precisam ter de projeção do futuro. Para isso, possuem toda uma equipe interna que trabalha com dados advindos de todas as áreas do conhecimento . São informações advindas de todas as profissões, que têm por objetivo fazer esse olhar do que as tecnologias impactam nas profissões e como a gente deve formar alunos para que depois de formados dêem conta não só do que se tem hoje, mas de produzir novas soluções, projetar, formular novas possibilidades para o futuro.

Mas é possível prever essa evolução?
As universidades não têm capacidade de prever, mas têm grande gama de informações e de dados que se consegue antecipar um pouco das tendências e dos rumos que cada área de conhecimento está trilhando hoje para saber um pouco, com o embate das novas tecnologias vindas do 5g, aquelas formas de fazer das profissões que são modificadas na suas bases. É todo um  trabalho de planejamento, gestão e escuta dos profissionais da área que hoje têm acesso ao que é produzido no mundo todo.

Outra questão é o ensino híbrido. Ele veio para ficar?
A tecnologia e o ensino híbrido vieram e não vão mais sair. Assim como modificamos nossas formas de viver e nos relacionarmos, o ensino híbrido e essa composição de aprender na sua casa com um professor remoto, ou nas vezes que vai a um campus, a qualidade da presença, o fato de estar juntos num campus universitário, refletirmos o que posso aprender num ambiente on line e o que é importante ir aprender num campus. Essas diferenças hoje pautam o ensino-aprendizagem e serão as novas tendências que nunca mais voltaremos atrás.

Essa tendência já está presente na Ânima Educação, no Rio Grande do Norte representada pela UnP?
O nosso projeto acadêmico valoriza o desenvolvimento da autonomia dos estudantes, buscando uma formação ampla do profissional, do indivíduo e do cidadão, buscando garantir que os alunos tenham acesso a um ensino acadêmico de qualidade. Além disso, promove uma maior interdisciplinaridade e conexão com o mundo do trabalho. Acreditamos em um modelo personalizado, no qual você oferece autonomia para que os estudantes escolham como querem aprender, com quem querem aprender e o que querem aprender. E neste modelo, o espaço não é mais importante, mas sim as ferramentas que podemos disponibilizar para que este aluno se desenvolva.

Quais exemplos de ferramentas a senhora pode citar que já são utilizados?
Nós da UnP temos investido muito nas questões tecnológicas, em laboratórios de simulação, laboratórios que ajudam o aluno a estar conectado com os grandes avanços tecnológicos do mundo inteiro, mas para além das tecnologias a grande contribuição hoje de uma universidade é formar pessoas. Então, nós diríamos que educação na nova era é uma discussão forte sobre tecnologia, sobre pessoas e sobretudo resgatar o papel fundamental da educação que é a formação ética, que é a formação pra convivência.

Há planos de modificar a estrutura de ensino montada?
Consideramos que, assim como a estrutura física, as metodologias de ensino e as tecnologias têm papeis importantes no ensino. Hoje, a UnP tem, sem dúvida, uma das melhores estruturas de laboratórios do Estado. Aliado a isso, prezamos pela qualidade do ensino e sabemos que essa é também uma das características da UnP. A Ânima Educação é a 1ª organização do País a criar um modelo de ensino focado em competências. 

A senhora também defende que a pandemia da covid-19 acelerou o processo de dependência por tecnologias, sobretudo na educação?
A pandemia acelerou um processo cultural do formato de aprendizado que duraria anos mais à frente para ser concretizado. Hoje, você vê todas as pessoas adaptadas a esse novo modelo, prontas para voltar ao presencial no momento certo. É importante estabelecer essa relação das transformações tecnológicas e digitais com uma pandemia que acometeu as populações e trouxe um problema global. Somos homens e mulheres que estamos vivendo uma era que combinou questões peculiares e, portanto, falar de nós, de pessoas, educação, é falar de agentes que se combinaram numa mesma era em termos experimentado uma pandemia. 

E o que isso significa do ponto de vista do ensino?
Falar de educação na era do conhecimento, na era digital, é sobretudo falarmos de um momento histórico que nos traz questões fundamentais sobre um novo sentido, um novo papel e novo lugar para a educação. É preciso refletir em que a era do conhecimento se sobrepõe a uma era industrial que ainda acomete a organização acadêmica, administrativa das nossas escolas da educação básica e do ensino superior. Teríamos que romper com a forma de ver e enxergar as escolas e universidades e de repensar o papel da educação por meio de novos projetos acadêmicos, propostas e proposições curriculares.

Em que esse rompimento muda no papel da educação em formar pessoas e profissionais?
O papel cada vez mais ético que a educação assume numa era dita digital. O uso de tecnologias estará presente nos ambientes virtuais e presenciais, então, antes de mais nada, é preciso focar nas questões de discussão de acesso, mas o nosso ponto principal de defesa aqui é o lugar do ser humano em meio as essas tecnologias porque a tecnologia por si só não vai fazer nada se não tivermos pessoas conectadas.

Mas é preciso destacar a questão do acesso ao ensino superior que, a se verificar no número de contratos do Fies e de inscrições no Enem, está em queda?
No País, a grande massa a menos no Enem foi das populações mais carentes. Houve uma debandada do aluno mais carente, e isso nos mostra a necessidade de políticas de financiamento, para as universidades públicas por uma via, e para as privadas, por outra via, através de uma política séria de financiamento. O momento atual exige da educação um olhar à frente, para ver para onde vamos, com quais recursos queremos trabalhar na universidade e como uma política pública pode dar conta de olhar esse país nesse momento peculiar.

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